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sábado, 10 de outubro de 2026

entendi quem tem medo do dentista

aconteceu: tirei os sisos. neste momento, estão os dois-e-alguns-quebrados (os de cima saíram mais inteiros que os de baixo, que praticamente só sobraram as raízes) numa solução de água + água sanitária, pra ajudar a desinfetar, depois de eu esfregar bastante com escovinha pra sair os pedaços de mim (!!!) que ainda estavam grudados neles.

vamos a uma linha do tempo, mas sem linha e também mais ou menos sem tempo:

  • assim que meus sisos começaram a doer (logo depois que perdi o emprego, no começo do ano, risos), fui atrás dos processos pra resolver isso aí. vendo o raio-x, dava pra perceber que os dentes de baixo estavam totalmente deitados e os de cima também não estavam na melhor das posições
  • eu nunca tinha feito nenhum procedimento odontológico invasivo (acabei de criar essa frase aqui); nunca extraí dente que não fosse de leite (e esses, que me lembre, saíram todos em casa), nunca usei aparelho fixo (só móvel), nunca tive nenhum grande problema na boca (fora o bruxismo, consequência gostosa de estresse). logo, não fazia ideia do que esperar
  • quando o bicho pegou e TODOS os sisos começaram a doer, marquei com a dentista e ela disse pra gente remover os 4 de uma vez. fiquei felicíssima; afinal, resolver tudo numa tacada só sempre me parece melhor do que fazer aos poucos (e é uma recuperação só, também, né)
  • chega a semana da extração (que, basicamente, foi a semana seguinte à consulta com a dentista descrita no ponto anterior): me organizei toda pra não precisar levantar um dedo por 3 dias após a cirurgia, lavei roupa, limpei casa, comprei açaí, fiz caldos coloridos (que ficaram lindos, inclusive), comprei remédios. fui tão funcional que me choquei positivamente comigo mesma
  • dia da extração (ontem, sexta-feira): tomei os remédios receitados 1 hora antes do horário marcado, passei na farmácia pra comprar um enxaguante bucal com 0,12% de clorexidina, e fui de ônibus pro consultório de odontologia. não tava nervosa, mas não tava tranquila — típico de quem não sabe muito bem o que esperar
  • 14h40: chegando no consultório. esperas, trâmites, finalmente entro pra começar. o que mais me apavora, enquanto alguém que não sabe o que vai rolar (fiz no máximo uma limpeza dos dentes, meu camarada), é a anestesia na boca: tenho medo de doer, tenho medo de arder e, principalmente: MORRO DE MEDO DE AGULHA
  • mal saberia eu, mas a anestesia, apesar de ser um momento TENSO nas extrações de ambos os lados, foi o momento mais tranquilo de tudo. as “picadinhas” com a agulha não doeram tanto, apesar de eu apertar minhas próprias mãos com MUITA FORÇA por causa do nervoso, e não ardeu quando a anestesia começou a entrar. foi mais incômodo do que qualquer outra coisa, porque eu sentia algo dentro da minha carne (a agulha) e algo entrando (a anestesia), mas de um jeito esquisito, só físico, sem a sensação da dor
  • 15h30: começa a cirurgia. só avisando que esses horários, apesar de aproximados, são puramente ilustrativos. a médica me pergunta por qual lado eu quero começar, digo que tanto faz, ela insiste, e eu digo que o lado direito é o que mais tem doído; começamos por ele, então. é esquisitíssima a sensação de alguém cortando sua gengiva e raspando seu osso e você sem sentir um pingo de dor, mas sentindo a sensação física. quando eu digo “sensação física”, é porque é esquisito, como se fosse uma descrição num livro: ela encostou na minha boca. você sabe o que aconteceu, mas a sensação exata não vem. a anestesia é esquisitíssima, minha boca parece ter uma tonelada
  • preciso escancarar muito a boca e, caso você nunca tenha passado por isso, é extremamente desconfortável e os músculos do rosto reclamam. fiquei pensando, em vários momentos: e se eu abrir a boca demais e minha mandíbula desencaixar? será que dói? não preciso descobrir, porque minha mandíbula, ao que tudo indica, não desencaixa. pra me distrair, enquanto a dentista diz que meu dente de cima está numa posição difícil de acessar, tento me distrair do nervoso cantando mentalmente as partes de farol, do disco novo do maglore, que eu lembrava de cabeça — que consistia, basicamente, da frase “então deeeeixa o meniiino sonhaaaar” e o ritmo da música em seguida. digo a mim mesma pra não ficar tão tensa, não apertar tanto as mãos, mas não adianta, pois ESTOU tensa
  • 16h30: a dentista consegue tirar o primeiro dente, o siso superior do lado direito. ele sai praticamente inteiro. fico feliz, porque quero levar os dentes pra casa e fazer jóias com eles. fico muito feliz em não sentir os pontos, mas a sensação de alguém apertando algo na minha boca COM FIOS QUE EU POSSO SENTIR NO ROSTO é de uma aflição terrível
  • começamos a extração do siso de baixo. digo começamos porque a dentista que extraiu, mas eu que estava lá com a boca escancarada, doendo, o corpo NERVOSO com o trauma. já tinha demorado muito mais do que eu e a dentista achávamos que iria, e eu pensei: o de baixo vai ser de boas. ela vai serrar ele no meio, tirar, e vai dar tudo certo
  • ...só que não deu tudo tão certo. meu dente de baixo, além de estar deitado em berço esplêndido, estava deitado em um osso extremamente duro, e passando por baixo dos outros molares; ou seja, um inferno pra ser removido. a dentista fez várias alavancas, quebrou um monte de pedaços, e eu só digo uma coisa: a sensação de alguma coisa se mexendo dentro do seu crânio, por dentro do osso, é horrorosa. eu não estava sentindo dor, mas meu cérebro sabia que deveria ser doloroso, então comecei a sentir como se estivesse sentindo (???), fora a boca escancarada (que estava, de fato, doendo) e a sensação das ferramentas na minha pele
  • eventualmente, penso: daqui a pouco isso tudo já vai ter passado, eu vou estar em casa e pensando que já aconteceu. tá acontecendo agora, mas daqui a pouco já vai ter acontecido. mesmo assim, não consigo me acalmar, minha cara dói, e começo a chorar. a dentista fica preocupada e para, pergunta se estou bem, se estou sentindo dor, diz que vai me dar uns instantes. digo que não sei porque estou chorando (mentira, sei sim, é uma situação estressante pra caralho, dolorida, e frustrante também), enquanto a sensação de querer chorar MESMO (fazer carinha e os barulhos típicos de choro) começa a chegar, e eu me controlo pra não ceder. respiro fundo, damos 5 minutos e ela volta à cirurgia
  • pra minha coleção de fatos curiosos sobre procedimentos: quando fiz a cirurgia de correção de grau, uma das coisas que mais me marcou foi que o laser agindo nos meus olhos levantou um cheiro de gordura pingando no fogo, quando você tá fazendo churrasco. na extração dos sisos, subiu um cheiro de queimado, também, mas diferente, porque era o cheiro da broca sofrendo com a resistência do osso: um cheiro parecido com quando você tenta furar a parede, a furadeira fica quente, mas não vence a dureza da parede
  • 17h30: o dente de baixo é muito mais traumático que o de cima, por estar por baixo dos outros, mas sai — em pedaços, inclusive. só a raiz sai mais ou menos inteira. dou graças a todas as entidades que existem, mas a única coisa que minha mente consegue pensar, além do alívio, é: meu deus, agora tem o outro lado
  • a dentista me acalma: agora ela já sabe como vai ser, passada a primeira metade da coisa. rezo pra que de fato seja mais fácil, rápido, e menos traumático, porque estou exausta (e ela também; comenta que não se lembra da última vez que a remoção de 4 sisos demorou mais de uma hora e meia). lá vamos nós pra anestesia de novo — meu deus, que agonia que é a agulha no céu da boca
  • 17h50: a dentista não estava de brincadeira! agora, sabendo o quanto cortar, onde mexer e o que fazer, o dente de cima do lado esquerdo sai com 20 minutos. depois do primeiro lado ter demorado duas horas, eu genuinamente fico incrédula, mas feliz
  • a segunda parte é extremamente mais tranquila, com a dentista conversado comigo; descubro que ela também dá aula, mas gosta muito de atuar na área, além do meio acadêmico. ela comenta que meu osso é muito duro, nada poroso, e que isso é ótimo pra mim mas péssimo pra ela, enquanto troca a broca porque o osso é tão duro que desgastou a bichinha todinha. na “alavanca” pra tirar o dente esquerdo de baixo, uma das ferramentas pega no meu céu da boca, mas não chega a cortar, só machuca um pouco, mesmo
  • 18h30: ela me diz que acabou, e eu mal acredito. de novo, o dente de cima sai praticamente inteiro, e o de baixo em pedaços e um naco maior de raiz. penso: ufa. penso também: ainda vez que foram os 4 de uma vez só, porque se fossem dois e depois outros dois, acho que eu ia ficar com 2 sisos na boca pra sempre e nunca mais ia voltar no dentista
  • a dentista, fofa, me elogia dizendo que eu fui super colaborativa. me passa a receita, os cuidados, e me explica o que posso e não posso fazer. ela separa meus dentes (e fragmentos de dente), faz uma cama de gaze, e coloca no potinho que eu trouxe pra levar eles pra casa
  • 19h50: chegando em casa, depois de sofrer pra pedir um uber e passar na farmácia pra comprar os remédios, tomo logo o remédio mais forte de dor, que me deixa tranquilona. faço o cronograma dos remédios no meu calendário do celular e pego a bolsa de gel pra fazer uma compressa

gente, juro. finalmente entendo quem tem medo de dentista. acho que nunca passei por um negócio tão traumático na vida — a sensação da anestesia é esquisitíssima, ter alguém mexendo com tanto VIGOR na sua boca é esquisitíssimo. mas, de fato, tal qual meu mantra diz: já aconteceu, e agora é só uma lembrança. e ainda bem que foram os quatro. um ponto positivo é que não estou sentindo dor, meu rosto tá inchado mas bem menos do que eu achei que estaria, e o sangramento estancou super rápido ontem.

agora, o que eu mais queria era poder mastigar qualquer coisa e comer algo quente... mas uma batalha de cada vez, né.

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

não existe buscopan pra alma

meus dias têm sido meio downers, sem muito ânimo pra fazer qualquer coisa além do que já estava planejado. com golpes aqui e ali, os vilões do beda (e da vida real???) têm conseguido me derrubar. dito isso, aí vão cinco coisas que fizeram parte do meu dia hoje:

  • lavar o banheiro: quem me conhece sabe que EU DETESTO LAVAR O BANHEIRO!!!, mas amo lavar banheiro, ao mesmo tempo, ironicamente. a questão é que ter um banheiro limpinho e ser a primeira pessoa a tomar banho nele é uma das melhores sensações do mundo, certo? certo. então, tô feliz que, mesmo desanimada, consegui lavar meu banheiro e aproveitar a felicidade que vem com isso.
  • responder o e-mail de uma pessoa querida: tenho uma amiga que nem me lembro de como nos conhecemos (acho que foi pelo twitter? instagram?), mas a gente se comunicava de um jeito maravilhoso: trocando e-mails como se fossem cartas. dia desses, ela me mandou um alô pra saber se eu tava viva, eu respondi, e temos trocado mais correspondência virtual desde então. hoje, enquanto enrolava pra lavar o banheiro (desespelo), respondi o último e-mail dela, que tinha chegado há 15 minutos. uma grande vitória pras pessoas que deixam pra fazer tudo depois. o título dessa postagem, inclusive, vem de algo que ela disse num e-mail que ela me mandou há um tempão e que eu estava relendo e morrendo de rir: “Hoje estava pensando pensamentos estranhos e... se conseguissem fazer, um dia, uma anatomia da alma, onde ficariam tantos sentimentos? Onde caberia a angústia, a frustração, a mágoa, a tristeza...? Porque quando eu sinto tudo isso no peito, dá exatamente pra apontar onde é que tá cada sensação. E dói. E não existe Buscopan pra alma.”
  • arroz com ovo: eu tenho tido dificuldade pra comer direito, e hoje tava com zero energia pra fazer algo mais elaborado. tinha um pouco de arroz dormido na geladeira, tinha ovo, e eu fiz a receita mais querida do jovem (à minha época) sem habilidades culinárias: arroz, ovo e batata palha. hmmmm.
  • separar roupas pra doar: tá frio de novo, né? como eu comprei algumas roupas recentemente e tem uma campanha de doação de agasalho aqui no meu condomínio, separei um cadinho de roupas que eu poderia doar. acho importante se desapegar — afinal de contas, são só roupas, e elas podem fazer alguém feliz :^)
  • jantar com minha prima: pra fechar o dia, tô indo jantar com minha prima e tomar um lamenzinho pra esquentar a alma, nesse dia frio em são paulo. por mais que eu não queira botar o pé pra fora de casa, às vezes é a melhor coisa que se pode fazer pra espantar o que quer que esteja fazendo doer a minha alma. já que, como sabemos, não existe buscopan pra ela.
essa postagem faz parte do beda, projeto cujo objetivo é escrever (ou tentar) todos os dias de agosto. tô participando junto com a galera do entreblogs, e você pode dar uma bizoiada no que todo mundo têm escrito aqui :^)

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

tudo está melhor do que parece

diarinho #10 

essa postagem faz parte do beda, projeto cujo objetivo é escrever (ou tentar) todos os dias de agosto. tô participando junto com a galera do entreblogs, e você pode dar uma bizoiada no que todo mundo têm escrito aqui :^)

eu não me acho uma pessoa pessimista. deprimida, sim; triste? às vezes. mas não me vejo endossando um discurso em que a esperança é pequena, porque simplesmente não é assim que eu sou — eu geralmente sou aquela pessoa que vai convencer alguém em um momento difícil da vida que as coisas vão melhorar, mesmo que eu mesma esteja cavando um buraco no fundo do poço. tudo já é ruim o suficiente, a gente não precisa piorar.

dito isso: queimei a largada.
é quinta-feira da minha primeira semana no emprego novo e, dando uma olhada no sistema de comunicação do time, pensando no que precisarei fazer em breve, a cabeça foi a mil e eu dei minha primeira chorada de ansiedade. às vezes eu penso se não quebrei um bocado com essa vida corporativa, se a solução não é voltar a trabalhar com o público, com as mãos, com qualquer coisa que não use minha mente. enquanto meus olhos não paravam de encher d’água, fiquei querendo rir: como pode, chorar na primeira semana de trabalho sem nem ter tarefas engatilhadas ainda? sem nem ter acesso aos softwares que eu preciso pra trabalhar! a ansiedade é uma coisa maluca. tenho acompanhado a jornada da ba, finalmente #medicada contra essa coisa que aflige o nosso cérebro, e é engraçado ver os paralelos: ela sem trabalhar, mas em paz, lidando com a vida com um pouco mais de calma; eu, trabalhando depois de meses sofridos buscando me recolocar, chorando no colo de amanda porque a vida é imprevisível.

é um pouco patético, mas a vida é mesmo patética, fazer o quê.

mesmo nesse chororô, mesmo pensando que talvez eu já não sirva pra fazer o que faço, conversando com amanda pensei de novo comigo mesma: não me vejo como uma pessoa pessimista. acho que a vida é dura, que às vezes a gente tem que reconhecer que um dia foi difícil, a semana, o mês, o semestre, o ano; mas que isso não quer dizer que o que vem por aí não possa ser bom. eu acho que há uma força em enxergar as coisas como são, nem enfeitadas, nem enfeiadas: só como são. tudo bem não ficar empolgada com algo que deveria te deixar feliz. tudo bem aceitar que um dia já deu tudo o que tinha pra dar, e se contentar com esperar que ele acabe. tudo bem queimar a largada e chorar feito uma adolescente, porque a gente enxuga as lágrimas e segue em frente, ainda tem coisa a se aprender. a criança chora quando se machuca, mas é só lavar o machucado, deixar que os soluços sigam seu rumo, e logo ela tá ali, correndo pra ralar o outro joelho também. às vezes a gente só precisa de uma boa noite de sono (pelo amor de deus, sabe, só quero ser feliz).

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o título vem dessa música d’o terno, que é muito gostosinha!

quarta-feira, 3 de junho de 2026

pequenas constatações & um golpe

ultimamente, não tenho usado meu computador por muito tempo — só pra dar uma olhada em vagas, me candidatar, mexer em algumas coisas, e saio logo em seguida. por essa razão, dependo do aplicativo do feedly pra conseguir ler os blogs que acompanho pelo celular.

só que ele. não. abre.

minha rotina com o feedly há umas duas semanas é:

  • clicar no ícone do aplicativo
  • ele não abrir
  • desinstalar e instalar de novo
  • ele continuar não abrindo

nesse ponto, eu largo pra lá, pensando: eventualmente ele volta a funcionar. mas eventualmente QUANDO???

...e é por isso que eu ando sumida.

✶ ✶ ✶

tenho tentado desesperadamente não ficar deprimida com as perspectivas do mercado de trabalho, mas tem sido um pouco impossível. eu trabalho com design de produtos digitais, e com a alta da IA, o que mais tem é gente sendo demitida (em massa ou não) porque as empresas querem cortar gastos sem cortar escopo (ou seja, sobrecarregando gente com mais coisa pra fazer, porque todo mundo supostamente é mais produtivo, agora).

só sei que eu tô cansada. genuinamente cansada, deprimida, sem emprego e com aquele medo gostoso (só que ao contrário) de acabar a reserva e eu não ter como pagar minhas contas no fim do mês. que época difícil pra se estar desempregado, viu? vou contar pra vocês.

a vida, no entanto, não tem sido só coisas ruins (apesar de a sensação ser essa com alguma frequência). assisti a última temporada de euphoria com minha digníssima, estou revisando o livro da vanessa, vi heated rivalry inteira (gostei e achei muito bem escrita e editada) e os dois primeiros episódios de off campus (nada me tira da cabeça que esse é o novo high school musical dos jovens). tô tentando terminar o livro que comecei a ler há um milhão de anos (oração para desaparecer), porque ele simplesmente não me pegou. e bordei um sapinho em ponto-cruz que me deixa feliz só de olhar pra cara dele.

✶ ✶ ✶

imagine que você vê um post no instagram falando de um encontro de conversa, com a foto de uma autora que você gosta muito e sua obra favorita dela. o encontro vai ser perto da sua casa. você obviamente vai, certo?

isso foi o que eu e meu amigo emilio pensamos, quando ele me mandou um print do post (pois eu sou uma eremita sem redes sociais), há mais ou menos um mês. falei que ia anotar no meu calendário, e ficamos os dois empolgadíssimos, planejando já chegar com uma hora de antecedência, já que esse tipo de evento geralmente enche — afinal, era uma autora internacional.

cheguei com antecedência e mandei mensagem pra ele. o lugar tá fechado, mas já vão abrir, eu disse, esperando dentro da livraria da rua, que iria promover o evento. essa livraria tem uma outra loja mais pra frente na rua, chamada de “mercadinho”, onde eles vendem livros usados. tá bom, tô esperando o uber, ele me responde. quando ele chega, ficamos esperando o mercadinho abrir.

uma moça, arrumando o espaço, nos explica que é um encontro de clube do livro. que legal, nunca vejo clubes do livro lendo quadrinhos!, eu elogio. ela concorda, comentando que tinha sido o primeiro quadrinho do clube também. o relógio alcança a hora divulgada do evento. eu olho pro emilio, ele olha pra mim. estranho, mas tudo bem, eventos atrasam! não comentamos muito sobre a autora com a moça do evento, ajudamos a arrumar algumas coisas e ficamos conversando.

mais gente chega, todo mundo nos cumprimenta, e as engrenagem do meu cérebro começam a rodar. ela lançou algum livro recentemente? não, eu me respondo. não que eu saiba. e o livro que vai ser discutido foi lançado em 2003. será que... não, não pode ser, eu afasto o pensamento. o post no instagram era claro, né? ...né? eu procuro a imagem que o emilio tinha me mandado. “Clube de leitura”, uma foto da autora, uma imagem do livro, e embaixo escrito “Encontro” com a data em frente. vago, né?

pois é. vago o suficiente pra ser só um encontro de clube do livro que eu e emilio basicamente invadimos, achando que seria um evento com a marjane satrapi, autora de persépolis. ficamos meio rindo, meio em desespero durante todo o encontro. foi divertido, as pessoas eram legais, mas me senti um pouco a camila fremder indo em um podcast achando que era outro porque não leu direito o e-mail.

esses dias, emilio me manda mensagem: a imagem de outro post, no mesmo estilo do que nos enganou. o golpe tá aí, cai quem quer. quem não quer também, aparentemente.

segunda-feira, 1 de setembro de 2025

eu não consigo contratar uma faxineira

ai, gente.

tô aqui, nesse domingo à noite, olhando pro tanto de postagens não lidas no meu feedly (um total de 77) e pensando em como eu detesto o sentimento agourento de que a segunda-feira vai chegar; não a segunda-feira em si, mas o sentimento. acho que domingo seria um dia mais feliz se também tivesse novela, algo que distraísse a gente o suficiente do fato de que a segunda vem por aí, e com ela todas as cobranças da semana útil... muito se fala da ameaça comunista, mas pouco se repara na ameaça capitalista — que é como eu acho que esse sentimento de domingo-pra-segunda deveria se chamar.

enfim.

com uma frequência maior do que eu gostaria de admitir, eu penso em coisas pra falar por aqui, mas me esqueço três minutos depois. às vezes anoto pra não me esquecer, mas as palavras parecem estéreis sem a motivação do momento em que eu quis falar sobre aquilo. não tem a mesma paixão. eu comecei a escrever algo outro dia, sobre eu ser o diabinho e o anjo no meu próprio ombro, e até salvei uma imagem do kronk pra colocar aqui, mas... não lembro sobre o que essa introdução deveria introduzir. por isso, quando eu estava passando creme no rosto e nas mãos após um banho, pensei numa coisa e resolvi que meu ato de domingo seria escrever sobre isso.

eu quero contratar uma faxineira.

minha casa é relativamente grande — setenta e seis metros quadrados de puro caos entre paredes. não é tão difícil manter a casa limpa e organizada, mas fazer aquela faxina pesada, aquela que a gente devia fazer uma vez por mês, dá trabalho. eu tenho muita quinquilharia na estante, e tem sempre aqueles cantos pros quais a gente não dá muita atenção na correria do dia-a-dia, o que é uma justificativa ótima pra chamar alguém que faça esse serviço por mim; uma pessoa que não tem que limpar esse espaço todo dia não vai ignorar os cantos que eu ignoro, certo? só vantagens.

a questão é que eu quero contratar uma faxineira, mas não tenho coragem.

aí vai uma lista de motivos pelos quais eu não consigo contratar uma faxineira:

  • o dinheiro — eu sou perfeitamente capaz de arrumar minha casa. às vezes falta ânimo? sim, claro. mas pra quem não falta? se eu tenho tudo o que é preciso pra fazer A Grande Faxina em minha residência, por que eu vou pagar pra outra pessoa fazer isso, sendo que ultimamente o que eu quero é cortar gastos desnecessários da minha rotina?
  • o... julgamento? — veja bem: minha casa não é bagunçada. geralmente, ela é inclusive bastante organizada; eu me esforço pra não causar um caos maior do que eu consigo arrumar em um espaço relativamente curto de tempo. eu também sou bem limpinha, e não tem nada que eu chamaria de nojento por aqui — mas falo por mim. e se eu chamar uma pessoa e ela olhar pra tudo por aqui e pensar: “meu deus, que casa bagunçada e suja”? pois é. eu sei, racionalmente, que isso não faz sentido (afinal, se eu chamei uma pessoa pra limpar a casa, espera-se que ela esteja pelo menos um pouco suja e bagunçada). mas minha mente é extremamente racionalfóbica nesses momentos.
  • o constrangimento social — suponhamos que eu chame alguém pra arrumar minha casa: essa pessoa vai chegar, eu vou mostrar a casa, explicar o que eu gostaria que fosse feito, e... continuar em casa? conheço pessoas que saem de casa, mas eu acho estranho deixar uma pessoa que eu não conheço sozinha em casa. e o quão esquisito é a pessoa olhar pra mim, sei lá, trabalhando no escritório, e eu ter que sair pra trabalhar na sala, ou algo assim, porque ela já terminou de arrumar os outros cômodos? é um constrangimento tão específico, mas tão constrangedor, que eu fico nervosa só de pensar.

antes que alguém me diga que esses motivos são extremamente sofrimento branco, ou classe média sofre: eu sei!!!, e o que me deixa em pane é justamente isso. eu sinto que contratar alguém pra limpar a minha casa não devia ser um problema quando eu sei fazer coisas como declarar venda de ações no imposto de renda, mas é um problema mesmo assim. não é engraçado? e extremamente burro, ao mesmo tempo? pois é.

eu sinto que, se estivesse fazendo terapia (e agora talvez eu queira flertar com a psicanálise, mas isso é conversa pra outra hora), essa seria uma conversa hilária pra minha psicóloga contar pros amigos em algum momento. mas, já que não estou, vou continuar no cabo-de-guerra de chamar ou não chamar uma faxineira — em que os prós são ter a casa limpa e cheirosa, e os contras são que eu sou definitivamente meio doida.

terça-feira, 1 de julho de 2025

olha a quermesse em casa... é verdade!

eu fico sempre me cascando de rir com o snoopy da roça

a minha quermesse aconteceu! depois de muita ansiedade e maluquice, alguns amigos vieram aqui em casa e comeram, cozinharam, fofocaram, jogaram bingo e lavaram louça (?) comigo.

como eu tinha comentado, ao ir numa festa junina de igreja com minha amiga amélie, fiquei com muita saudade da minha terra. não que tenha sido ruim, mas em são paulo todos os lugares são CHEIOS, e eu acabo me sentindo meio sufocada. em juiz de fora, eu sempre ia na festa junina da igreja do meu bairro, e, apesar de encher, nem se compara à quantidade de gente que tinha aqui; fiquei querendo algo que me fizesse sentir mais em casa, com caldos, arroz doce, bolo, bingo e música boa. depois de irmos ao bingo dessa festa (que também tava lotado), comecei a matutar essa ideia de fazer uma festa junina com bingo pros meus amigos.

depois de uma breve enquete no grupo de whatsapp dos meus amigos de trabalho que gostam de fazer rolês aleatórios — já fomos de sessões de jogo de tabuleiro e mexer com cerâmica juntos a fazer um dia de avaliação de bolos, com cartão de notas e tudo —, eu vi que tinha gente o suficiente interessada, o que me fez pensar mais a sério. a próxima questão era: o que eu vou fazer pras pessoas comerem?, junto a meu deus, será que cabe todo mundo na minha casa?. fiz uma listinha de coisas que eu sabia fazer: caldo de abóbora com gengibre, caldo verde, arroz doce, pipoca (risos), milho verde, e o resto podiam ser coisas compradas, mesmo: bolo de milho, paçoca, pé de moleque, etc. meu amigo emilho disse que podia fazer o vinho quente, eu fiquei de fazer o quentão e, depois de confirmar que ia acontecer, entrei na shopee e selei o meu destino, comprando um bingo e um talão de cartelas.

ele é muito bonitinho e eu o amo

comecei a fazer a lista de compras, enquanto amélie me mandava mensagem perguntando o que eu queria que ela fizesse. das comidas eu dava conta, e tinha cadeiras, sofás e banquinhos o suficiente pra todos se sentarem, mesmo que ficasse apertado, mas ainda faltava uma coisa importante: os prêmios do bingo.

o que diabos eu ia colocar como prêmio de bingo, meu deus? afinal de contas, bingos de igreja geralmente têm eletroportáteis e eletrodomésticos como prêmio — liquidificador, batedeira, pipoqueira, ventilador, sei lá. faz muito tempo que eu não vou a um bingo de igreja, e o da quermesse aqui de são paulo tinha prêmio em dinheiro. que graça tem um prêmio em dinheiro?

com isso na cabeça, comecei a pensar. na festa que minha família fazia no fim do ano, sempre tinha bingo. os prêmios eram coisas que eu achava muito mais legais: um pudim da minha vó, geleias, uma rede, um frango assado, uma torta... acho que tinha alguns prêmios maiores, mas não me lembro. a graça do bingo não era ganhar, e sim ficar rindo e participando com todo mundo, prestando atenção e gritando “manda a boa!”. era muito mais sobre o sentimento de expectativa do que sobre conseguir completar uma cartela cheia, até porque eu nunca fui muito boa em ganhar nada que dependesse de sorte.

comecei a matutar prêmios que não fossem uma coisa bizarramente cara, mas fossem úteis ou, no mínimo, engraçados. a ansiedade que isso me fez sentir... vocês não têm ideia! eu tenho essa tendência a ficar muito nervosa quando marco alguma coisa, pensando em tudo o que pode dar errado. na minha cabeça, a lista tava assim:

tudo o que pode dar errado na festa junina
  • muita gente confirmar e não ter lugar pra todo mundo sentar
  • as pessoas acharem minha casa feia/estranha/suja/bagunçada
  • ninguém gostar da minha comida
  • todo mundo odiar os prêmios do bingo

eu, catastrofizando? nãããão, quê isso. apesar disso, segui firme e forte, fui comprando as coisas pro bingo, pra fazer os caldos, o arroz doce, testei uma receita vegana, bora que bora. ficou marcado pra domingo, dia 29 de julho — no próprio domingo eu ainda tava desesperada indo pra rua porque não tinha achado barbante pra fazer as bandeirinhas (porque, claro, eu mesma recortei as bandeirinhas) e correndo pra comprar uma cachaça pro quentão.

MODÉSTIA À PARTE, todo mundo falou super bem da comida

como vocês podem imaginar, no fim das contas, deu tudo certo; arrumei a casa e fiz os caldos no dia anterior, fiz a decoração no dia, e preparei o arroz doce perto da hora da festa. emilho chegou pra fazer o vinho quente, o pessoal fopi chegando e eu, como boa doidinha, pedi pra atenderem o interfone caso fosse preciso, porque eu ia tomar um banho, HAHAHA.

o pessoal foi chegando e ficamos conversando, beliscando as comidas, cozinhando e rindo. a coisa boa de sentir ansiedade mas fazer é que você se dá conta de que a ansiedade te faz pensar em tudo o que vai dar errado, mas não te mostra como seria se tudo desse certo. além de elogiarem a casa, a mesa e as comidas, todo mundo adorou o bingo.

como é que pode a gente achar que tudo vai dar errado e tudo dar certo? não aguento mais ser maluca, gente.

os prêmios do bingo (a galera também trouxe algumas coisas!)

eu cantei o bingo, e foi muito engraçado. todo mundo ganhou pelo menos um prêmio (seria isso um milagre de festa junina?) e, quando todos começaram a ir embora, os que ficaram simplesmente começaram a organizar tudo e lavar a louça!!! não vou negar: com a correria pra deixar tudo pronto, eu tava exausta. fui dormir às 3 da manhã no dia anterior pra deixar os caldos prontos e a casa arrumada. então, ver meus amigos me ajudando e ficar sem nenhuma louça pra lavar depois da festa foi o meu prêmio do bingo 💖 é muito bom ter amigos queridos!

a coisa deu tão certo que já quero fazer um bingo no fim do ano, e outra festa junina no ano que vem. acabei o dia me sentindo tão feliz que nem parecia que ultimamente eu ando borocoxô. a lição do dia foi: eu adoro companhia. adoro sair, adoro cuidar as pessoas, adoro apreciar e ser apreciada, e adoro me divertir. preciso me esforçar pra não me esquecer disso!

e é isso. no mais, estarei incentivando todo mundo a fazer sua própria festa junina, hahaha. o único problema é que agora tem tanta comida na minha casa que eu não sei se vou conseguir comer tudo.

beijocas com arroz doce e caldo verde!

sexta-feira, 30 de maio de 2025

atrasados do imposto de renda

e aí, beleza? por aqui, tudo certo. quer dizer, tudo certo agora, porque até exatamente ontem eu era a mais angustiada das pessoas, com meu imposto de renda ainda por declarar.

o mais engraçado do imposto de renda é que, sempre que chega a época de declarar esse negócio, parece que eu não me lembro de NADA que preciso pra poder declarar. como eu declaro desde 2020, já estava acostumada, né? veio 2021, ok. 2022, ok. 2023, ok. 2024, ok.

aí chegou a hora de declarar o imposto do ano de 2024 (o que acontece em 2025, quando 2024 já passou. e aí, quando você vai ver, tá maluca pensando se tá fazendo tudo certo, e termina sem saber que ano é).

caso você nunca tenha declarado o imposto de renda, funciona assim: no começo de um ano, você deve declarar tudo do ano anterior; seus bens, seus rendimentos, gastos com saúde/educação, e por aí vai. isso, obviamente, se você tiver recebido um valor superior a... peraí, deixa eu olhar... R$ 33.888, no ano. claro que tem mais regras e é um pouco mais complexo que isso, mas essa é a visão geral pra meros humanos como nós, que não têm milhões na conta. aí você vai lá e diz: ó, governo, eu ganhei isso aqui, gastei isso aqui, tenho isso aqui. o governo, que em grande parte das vezes já sabe de tudo isso, diz: beleza, pode passar, meu chapa.

só que a coisa muda se você entrou no mundo escuso das vendas de ações.

eu e minha amiga receita federal todo ano

explicando: na firma(TM) nós recebemos, além do salário, um reconhecimento pela performance, umas duas vezes por ano. só que esse reconhecimento, ao invés de ser pago em $$dinheiro na conta$$, é pago em ações da própria empresa no mercado internacional. é preciso esperar um período de tempo pra que essas ações realmente sejam suas, e aí você pode fazer o que quiser com elas: guardar, vender, o que for. novamente: é um pouco mais complexo que isso, mas pendura na minha conta aí porque eu mal sei fazer regra de três, imagina entender de contabilidade.

no ano passado, eu vendi um bocado dessas ações durante a alta do mercado, quando estavam valorizadas. o que significa que eu tive lucro sobre essa venda. o que significa, meus amigos, que eu não sabia o que BULHUFAS eu tinha que declarar nesse ano. e, como a janela de declaração do imposto de renda esse ano abriu bem quando eu tava pra fazer minha cirurgia, adivinha o que aconteceu?

eu esqueci.

e fui esquecendo.

socorro.

e assim, não é que eu esqueci completamente, apagado da memória; é que eu lembrava de vez em quando, mas daquele jeito maroto, despreocupado. “ah, tem que declarar o imposto de renda até dia 30 de maio, né? não posso esquecer”. quando me dei conta, já era dia 25 e eu não tinha declarado, não sabia como declarar a venda de ações, não sabia como tava a legislação e estava me perguntando porque diabos é tão difícil deixarem todas as instruções pra declaração entendíveis pra pessoas que não sabem nada do mundo financeiro.

no fim das contas, deu tudo certo, na base do desespero, digo, da calma. fui pesquisando na internet, perguntando pras inteligência artificial, pedindo socorro dos meus amigos e consegui não apenas declarar, mas, milagrosamente, entender o processo pra chegar no que eu tinha declarado. declarei na tarde do dia 29, sentindo o bafo do leão no meu cangote (eu sempre acho engraçado o mascote do imposto de renda ser um leão. será que ele e o leão do proerd são amigos? grandes questões).

fica a lição do dia pra vocês: declarem o imposto de renda de vocês cedo, crianças. eu até diria que vou declarar cedo no ano que vem — eu geralmente declaro assim que deixam declarar, juro —, mas depois da adrenalina desse ano... vou deixar quieto.

antes tarde do que presa pela receita federal, eu acho.

quarta-feira, 30 de abril de 2025

desventuras da vida adulta

o engraçado desse título é que eu tinha quase certeza de que já tinha escrito algo do tipo aqui, mas, aparentemente, não escrevi. apesar de já ter, sim, vivido desventuras da vida adulta. como provavelmente todas as pessoas que estão nessa fase, eu imagino.

alguns dias atrás, ainda na minha abstinência de compartilhar coisas por conta da minha ausência no instagram, pensei: e se eu escrever alguma coisa no blog? um instante depois, minha cabeça disse "mas aí tá postando demais também, né? quer postar todo dia?", e, na mesma hora, a outra voz dentro dela rebateu: "claro que quero postar todo dia. o blog é meu, doida", e aí...

bom, aí não postei, porque a vida aconteceu e eu tinha um milhão de coisas na cabeça. mas fique claro que eu tinha a intenção de postar, porque os assuntos continuam aqui, clamando por compartilhamento. enfim.

esses dias, descobri que meu aluguel aumentou. aparentemente, não é mais de bom tom mandar um e-mail, ou um aviso por whatsapp, ou mesmo um bilhetinho na caixa de correio dizendo ei, sabe seu aluguel? pois é. vai aumentar!. descobri só porque, assim que o boleto foi criado, era num valor maior do que o de sempre, e, quando me mandaram por e-mail, tava lá. escondidinho, dentro do boleto. quase uma observação, de tão casual. "ah, seu aluguel? vai aumentar mês que vem". achei um despautério e uma cara de pau, e, na mesma hora, já pensei: meu deus, vou ter que me mudar. eu acabei de pintar as paredes. acabei de deixar a casa com a minha cara. eu vou ter que me mudar. eu não quero me mudar!!!

felizmente, minha namorada e minha mãe são lúcidas e sensatas o suficiente pra me lembrarem que eu não precisava pensar nisso agora, que podia levar um tempo e, quem sabe, ver se precisaria mesmo me mudar mais pra perto do fim do ano. agora, me pego pensando duas coisas:

  1.  será que estou disposta a pagar isso tudo de aluguel?, e
  2.  meu deus, será que eu consigo uma promoção no trabalho pra não ter que me mudar???

pois é. apesar de achar um absurdo o tanto que estão cobrando, não foi um aumento terrivelmente abusivo — mas eu não tenho como bancar aumentos de ano a ano desse jeito. será que a imobiliária tá achando que dinheiro dá em árvore?

(eu sempre achei engraçado a coisa de pensar que dinheiro nasce em árvore porque, tecnicamente, nasce, mesmo. não só a coisa do papel ser feito de celulose, mas riquezas naturais, etc.)

e é isso. esses dias, tenho sentido um desânimo terrível e uma dificuldade absurda para focar em tudo o que preciso focar. depois do feriadão, falei com meu psiquiatra que o foco andava pior do que nunca depois das minhas férias/cirurgia, e ele disse: pois vamos começar com o remédio pra foco e atenção, minha filha.

só que o remédio pra foco é controlado. e sabe o que acontece quando seu psiquiatra é de outra cidade e te receita um remédio controlado? ele tem que vir pelo correio. pois é. como faziam os etruscos. não que eu não ame cartas, não me entendam mal (até porque realmente amo), mas o que eu faço até minha receita chegar? e essa ansiedade me consumindo porque eu preciso conseguir firmar minha atenção em algo? hein???

perdão, me descontrolei. mas, sério, anda difícil me sentir um ser minimamente racional enquanto eu não consigo focar nem nas coisas que gosto de fazer — ver uma novelinha, jogar um videogame, colorir uns bichinho, escrever uma carta. a médica que fez minha cirurgia me liberou pra fazer exercícios físicos, e eu estou pensando em voltar pra natação ("voltar" pode ser um termo muito forte, já que eu só cheguei a fazer uma aula antes de parar). só que, pra voltar pra natação, preciso bancar a categoria do gympass que a  escola de natação aceita. só que (de novo) meu aluguel aumentou. e o aumento foi mais ou menos a mesma coisa que eu vou pagar pra poder fazer minha nataçãozinha de novo.

e, nesse meio tempo, ainda tenho que conseguir me sair bem no trabalho, pra tentar uma promoção, pra tentar me convencer de que meu aluguel vale tudo isso e eu não me mudar tão em breve assim. além disso, tô pensando em voltar com o um ano sem fazer compras. afinal, deixar de gastar com coisas supérfluas nunca foi mais necessário.

tá dando pra entender por que eu tô doida da cabeça?

pois é. fora todas essas coisas aí que eu disse: tenho pensado em reorganizar os marcadores de postagem do blog pra coisas mais práticas e aplicáveis (meu lado profissional vindo à tona). me dá uma preguicinha quando eu penso que são mais de 50 postagem, mas, né. fazer o quê. também tenho que me lembrar de tirar uma foto da minha parede nova, e mostrar pra vocês meu esquema pra assistir filmes novos com a amanda. nem tudo tá ruim, vai. dá aí pra salvar uns 20%, 18%.

socorro.

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