quinta-feira, 20 de agosto de 2026

por que eu escrevo

já há algum tempo eu quero fazer um manifesto, falar sobre o porquê de ter tido tantos blogs e ter continuado voltando pra esse mundo, outra e outra vez. já que estamos em ritmo de beda (lembrei do maravilhoso vídeo hitmon de festa) e o vilão dessa semana pede ataques (ou publicações) inspirados ou em colaboração com outras pessoas, a nicolle me chamou pra escrever algo junto. pensamos um pouco e decidimos escrever sobre por que ter um blog. a pergunta era simples:

o que faz você levantar, ir para o computador, logar e escrever o que passa na sua cabeça?

eu não sei exatamente por que eu escrevo, ao contrário de um bocado de gente. eu tenho uma vaga lembrança de começar a escrever em blogs, na minha tenra juventude, porque queria ser algo além de só uma outra pessoa, e me achava muito mais importante do que realmente era. eu comecei fazendo aqueles ensaios desengonçados de adolescente, numa época em que tudo o que eu tinha a dizer parecia extremamente radical (não era). eu tinha sentimentos demais, e escrever pro mundo me parecia melhor do que escrever pra mim. esses blogs que não existem mais eram mostrados até pros meus pais (a idade realmente era tenra).

mas eu não comecei em blogs. eu lia e escrevia fanfics, jogava rpg no orkut, msn, e em fóruns pela internet afora. o começo da minha escrita foi, vejam só, colaborativo! escrever histórias com outras pessoas, criar personagens... ter páginas de caderno digitadas, palavra por palavra, e sentir o frio na barriga de fazer parte de algo. me lembro de uma das minhas primeiras fanfics, em que fui tentar escrever marauders e escrevi murderers. não lembro se essa chegou a ser algo além dos cadernos e documentos do word, mas dou gostosas risadas lembrando disso.

com o passar do tempo, ainda escrevendo fanfics e jogando rpg, fui criando (e excluindo) um blog atrás do outro. ainda não sei dizer o porquê — algo no mundo dos blogs me seduzia, e eu lia alguns que, de tão simples, eram perfeitos (quem lembra do manual prático de bons modos em livrarias?). eu nunca consegui manter um diário em casa (minha mãe lia todos), e escrever num blog era gritar pra quem pudesse ouvir (a internet) tudo o que eu estava sentindo. e não só sofrimento: eu queria ser engraçada, também. percebi que, antes de fazer outras pessoas rirem, eu queria me fazer rir. foi em blogs que fiz minhas primeiras listas engraçadas, minhas primeiras premiações de fim de ano (saudades), minhas primeiras tentativas com html e css.

escrever em um blog se tornou, antes de escrever pra outras pessoas, um escrever para mim; criei blogs que transformavam as coisas que eu vivia e sentia em histórias (nenhum deles existe mais, o que me deixa triste — qual o problema do jovem que apaga tudo pra não deixar rastros pela internet???), blogs tão pessoais que eram trancados, só pra que eu pudesse escrever em algum lugar. quando entrei pro entreblogs, vi uma publicação da karina no qual ela dizia que escreve para ser vista, e fiquei encasquetada com isso. por que eu escrevo? pra quem?

acho que já escrevi para ser vista por muito tempo, num mundo em que, por inúmeros motivos, eu me sentia sozinha. hoje já não me sinto assim. já escrevi como quem grita pra ser ouvida, já escrevi como quem sussurra pedidos de socorro; hoje, escrevo porque preciso escrever — em um diário, nesse blog, em outro, em e-mails, cadernos, cartas, mensagens instantâneas, assim que a vontade chama, que a necessidade bate. eu costumava comentar com meus amigos que o amor só me encontrava quando eu não estava procurando, e com o blog acho que foi a mesma coisa: quando eu deixei de querer ser vista, acho que as pessoas me enxergaram. aliás, me corrijo: não acho que deixei de querer ser vista, mas talvez eu tenha me enxergado primeiro, e todo o resto veio depois. ter uma comunidade é gostoso, fazer amizades é gostoso, e até hoje eu fico embasbacada quando alguém diz que lê o que eu escrevo aqui. como assim, alguém me lê? como pode??

então, respondendo à pergunta: o que me faz levantar, pegar o computador e escrever pra cá é... alguma coisa que eu não sei o que é, mas que é forte o suficiente. algo que transborda de mim de tal forma que eu não ligo em revisar o que escrevi, porque o importante é escrever. algo que me fez excluir um blog após o outro e continuar criando, igual a uma cientista maluca, em busca de algo que eu não sabia o que era, e que provavelmente ainda estou longe de descobrir, mas que me aproxima dos outros e de mim mesma. eu escrevo porque não consigo evitar e porque, se não escrevesse, não sei quem eu seria; porque um dia fui uma criança que gostava de ler, e hoje sinto falta das histórias que eu lia, em livros ou em telas. 

porque alguém pode precisar ler algo que ninguém escreveu, ainda. então, eu escrevo.

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