terça-feira, 20 de outubro de 2026

um jardim virtual (ou uma carta de amor)

gente. ô, gente.

eu venho comentando por aí (por aqui, né) que, na falta de coisas novas, tenho revisitado publicações antigas de blogs que eu amo. reforcei, por exemplo, o quanto eu amo o tristezinhas cotidianas e o limonada, li um bocado de coisa maneira do deniac, senti saudades da manie desde a época do pe-dri-nha, fucei os escritos antigos da ba (que sempre me fez sentir como uma velha amiga), da shana... fui clicando em links e caindo em um monte de lugares novos e diferentes. o que eu mais amo dos comentários em blogs é que, a partir deles, eu caio em mais blogs, alcanço mais gente legal, uma internet extremamente fervilhante e nada morta. o próprio deniac publicou recentemente sobre como os comentários transformam a experiência de um blog, e eu cito:

A internet livre é também uma internet em que as pessoas podem responder, linkar, discordar, criar seus próprios espaços e continuar a conversa.

daí que, revisitando uns blogs, caindo em outros, eu fiquei meio embasbacada com o tanto de amor eu já recebi nesses anos de arantchans. não quero me autopromover, nem ficar me achando (?), mas quero ser franca: caraca, que doido é ver gente falando que adora ler meu blog, que me acha inspiradora, que voltou a escrever depois de encontrar minha página, que estava voltando a ler blogs e abriu esse aqui pra desenferrujar. é meio inacreditável estar do lado de quem inspira, sendo uma pessoa que tão frequentemente existe do lado de quem é inspirado pelos pensamentos de pessoas incríveis que encontro por acaso (às vezes não tão por acaso assim).

caindo em publicações minhas linkadas por outras pessoas, acabei explorando o meu próprio blog: coisas que eu já falei, coisas que eu já quis, questões que eu já tive. tenho pensado na coisa de não ter grandes sonhos, e peguei várias listas de pessoas diferentes pra me inspirar: fia, vanessa, tati, gabes, vitória, aline; listas do que fazer, do que esperar, o que querer, o que buscar. peguei minhas próprias listas de 101 coisas em 1001 dias, no listography. enveredei pelas minhas publicações, li minhas próprias palavras — sempre tenho medo de não soar genuína e sempre falo em como eu escrevo pra mim mesma, e fiquei feliz lendo as coisas que eu escrevi e rindo, e fiquei surpresa com o tanto de comentários, desde o começo. sempre teve essa gente toda aqui? acho que eu não reparei em como chegou tanta gente no blog, apesar de ler todo mundo, de saber o que todo mundo disse. tentei responder todos os comentários, mas alguns antigos, de períodos difíceis, ficaram ali, sem minha tréplica. porém lidos, e apreciados. sempre apreciados.

deixo essa publicação como uma carta de amor a todo mundo que um dia já me leu e dedicou um tempo a comentar. a quem eu li, mesmo que não tenha me lido, e encontrei existindo por aí. a quem me desejou boa sorte, que se preocupou comigo, que me pediu pra voltar, que entendeu que, nos vaivéns de blogs e comentários, nos tornamos vizinhança e amizade. eu te li. eu te vi. deixo uma afirmação certa: inspiração é via de mão dupla. escrevo sempre pra mim mesma, mas me peguei escrevendo também por causa de vocês, tendo meu dia feito por um comentário, uma publicação em outro blog, uma carta, um e-mail; me peguei sendo vista e querida por muito mais gente do que jamais achei que seria. eu demorei, mas vi. vi que continuo sendo eu mesma. vi que me rodearam, enquanto eu não percebi; no terreno à minha volta, fizeram crescer coisas boas.

sem querer querendo, eu criei um jardim virtual — e vocês são as flores, me fazendo sorrir vez sim e vez também. e dando até frutos. e há tanta gente que eu posso não ter citado diretamente aqui, mas que eu levo no meu coração, e que me certifico de rodear, também, e espalhar sementes em volta.

jardins dentro de jardins dentro de jardins, e um mundo ao qual é bom pertencer.

© arantchans • template por Maira Gall, modificado por mim. • changelog • feed