essa postagem faz parte do beda, projeto cujo objetivo é escrever (ou tentar) todos os dias de agosto. tô participando junto com a galera do entreblogs, e você pode dar uma bizoiada no que todo mundo têm escrito aqui :^)
assim que decidi que ia participar do beda, fui fazendo no meu app de anotações do celular uma listinha de coisas sobre as quais eu poderia falar. apesar de eu não ter um manifesto (ainda), uma das minhas regras comigo mesma é que eu não escrevo nada só por escrever, pra bater cartão aqui; tudo o que eu escrevo é porque sinto genuinamente vontade de falar sobre. por isso, fiquei até surpresa quando uns cinco temas me apareceram quase que de imediato. um desses temas é uma coisa que vem surgindo com uma certa frequência na minha mente, e até quando eu converso com algumas pessoas: o minimalismo.
o minimalismo enquanto estilo de vida surgiu um pouco como um contraponto ao consumismo e ao incentivo do capitalismo para que a gente compre todas as coisas só porque sim; a ideia principal é que menos é mais, e que você pode ser feliz sem precisar comprar um buzilhão de coisas. eu não me acho uma pessoa consumista. acho que já fui mais, e que tenho um monte de cacareco que não preciso, mas tento não comprar nada no calor do momento e nem que eu não precise de verdade. muito disso vem do fato de eu estar sempre tentando economizar e criar hábitos financeiros mais saudáveis, e não necessariamente de eu ser adepta de um estilo de vida “minimalista”; se eu mostrasse uma foto da minha escrivaninha pra vocês, daria pra perceber o quão antiminimalista eu sou. não maximalista. antiminimalista.
maximalistas, pra mim, são pessoas que vivem na exuberância, enquanto minimalistas tentam manter sua vida funcional com o mínimo, seja lá por qual razão. eu me sinto no meio: nem tão exuberante pra me encaixar no primeiro, nem tão funcional pra fazer parte do segundo. nem menos é mais, nem mais é mais — meu lema é “o médio é o suficiente”.
a questão é: eu ando comprando menos coisas, mas será que isso é ser minimalista, ou só passar a reparar no consumismo? tenho pessoas próximas a mim que compram muita coisa, muitas vezes por causa da influência das redes sociais: fulano tem, sicrano disse que é bom, beltrano falou sobre (com a licença de vocês, mas tava pensando em como é engraçado que o termo seja sicrano. eu sempre falei e escrevi ciclano, que é uma palavra que nem existe). acho que não estar mais em redes sociais e ter o youtube sem anúncios me salva de grande parte do bombardeio de influência, mas que atire a primeira pera quem nem ao menos cogitou comprar uma camiseta da insider por causa dos anúncios que eles colocam em tudo que é lugar.
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| sabe o que podia estar no guarda-roupa da senhora ao invés de mim? sim, uma camiseta da insider |
e não é que eu não queira coisas; eu quero. eu teria muitas coisas, se me deixasse levar. só que eu entro em um site, coloco várias coisas no carrinho, fico encarando a quantidade de coisas e o preço de cada uma, removo essa porque tá muito cara, aquela porque é só um delírio de consumo e eu nem preciso... quando olho pro preço total, ainda tá acima do que eu acho razoável. e o que você acha razoável, xis? olha, meu cérebro não se atualizou com as correções monetárias e a inflação, então o meu razoável pra compras online sempre será uns 100, 150 reais. ou seja: quando eu completo uma compra online (ou presencial, mas aí é menos impactante porque eu não deixo a calculadora na minha frente me dizendo quanto eu vou gastar), o que raramente é algo abaixo de 200 ou 300 reais, minha mente se encarrega de registrar que nada daquilo é razoável. na verdade, talvez seja o exato oposto.
a realidade é que tá tudo muito caro, e que eu também não gosto de acumular. frequentemente mexo no meu guarda-roupa pra ver o que não uso mais, o que posso doar, e como consequência disso as roupas que entram vêm pra substituir as que foram doadas. minha estante tem um bocado de livros, mais que cem e menos que duzentos, mas eu passo alguns pra frente sempre que possível. talvez a real questão não seja não querer acumular, e sim ter nervoso de coisas paradas e sem uso: pra quê um livro que eu já li parado na estante quando alguém podia estar rindo com ele? eu prefiro deixar no guarda-roupa uma calça que me convenço a cada 2 meses que ainda vou usar, ou doar pra alguém que vai usar e ser feliz com aquilo? existe uma certa beleza em pensar que algo que não faz tanta diferença na sua vida pode deixar alguém feliz, e acho que essa beleza, pra mim, é maior que a felicidade de clicar em “finalizar compra”, ou em passar algo pelo caixa. a gente se condiciona ao sentimento de poder que as compras dão, a espera até que o pacote chegue na nossa casa, e no fim das contas a sensação é meio decepcionante, na maior parte das vezes. tenho tentado me lembrar mais dessa decepção e menos da fantasia — nada que colocar um monte de coisas no carrinho e ficar encarando item por item por meia hora não resolva.
e não é que eu não compre nada, também: esses dias mesmo comprei quatro itens de vestuário (mais de 300 reais, assim como uma calça pra uma jovem de 16 anos), que chegaram anteontem. não foi uma compra essencial, mas também não foi completamente supérflua. a diferença é que, sem estar perdida em meio a outros cinco pacotes que eu estaria esperando chegar, é algo consciente e que eu consigo aproveitar de verdade, ao invés de enfiar no guarda-roupa e quem sabe usar três vezes ao ano. se for olhar, acho que eu uso as mesmas cinco camisetas no dia-a-dia, e outras dez peças quando decido sair mais arrumadinha; o resto é o famoso de vez em nunca. então, compro coisas que se encaixem ou nessa leva do dia-a-dia ou nas arrumações pra sair, coisas que se encaixem em uma necessidade (uma calça jeans com bolsos de verdade, por exemplo), e vou tirando o que fica enterrado no guarda-roupa pra ser usado de vez em nunca.
e eu tô falando de roupa, mas serve pra tudo: livro, caneta, coisa pra manter hobby, quinquilharia... tenho pensado cada vez mais que queria ter menos coisas, e tenho me empenhado em pelo menos não aumentar o número de coisas que eu tenho sem necessidade. tentado usar o que eu já tenho ao invés de querer algo mais novo, bonito ou tecnológico. ontem eu cerzi (!!!) uma calça legging que já tá quase andando sozinha de tanto que eu uso, porque ela me serve maravilhosamente bem e só tinha um rasgo na costura da coxa. minha mãe ficou pra morrer quando eu contei pra ela: meu deus, parece que não tem como comprar outra. e eu até tenho, né?, mas é muito mais legal usar a calça que já tá acostumada com o formato do meu corpo do que comprar outra a cada imprevisto. é como um princípio do uso: você só aproveita algo 100% se esgotar todas as possibilidades de uso antes de decidir que aquilo não vale mais a pena. como uma calça que vira um shorts que vira um retalho, ou uma blusa que vira roupa de ficar em casa que vira um pijama que vira pano de chão.
afinal de contas, calça é calça, camiseta é camiseta, e uma caneta bic escreve uma lista de compras tão bem quanto uma coleção de canetas coloridas da stabilo. e eu nem tenho mais tanto uso pra caneta colorida assim.