você nasce; ninguém te avisa, ninguém te acalanta. ninguém vibra pela sua existência, talvez porque ninguém te vê. talvez. você também não vê ninguém, só sente; o calor, a terra, o frio, a chuva. o vento. os toques. existir é coexistir com muitas outras coisas que você não sabe ao certo quais são.
você cresce; no começo, muito rápido, depois a um ritmo mais lento. você busca alívio no calor. se alimenta, não sabendo bem ao certo como, ou por quê. não sabendo se é parte de algo ou sua própria coisa. não sabendo nada: você só existe. e cresce. como um desafio a alguma lógica que você mesmo ainda não sabe definir.
os dias passam, e alguns são melhores que outros: as condições pra se fortalecer nem sempre são as melhores. às vezes, falta algo, e você murcha até voltar a encontrar. às vezes, alvo vem em uma quantidade maior do que você consegue aceitar. às vezes, mudanças. imensas. te colocam em lugares, te tiram de outros, e você precisa se reacostumar vez e vez de novo; resistente, você precisa ser resistente. o mundo já te vê, mas você não consegue reclamar, não consegue explicar e pedir pelo que precisa. sua existência é um misto de sorte e mistério.
por vezes, você escuta algo, sente algo. sabe que existir não é uma tarefa que se executa só, mas não sabe quantos existem. ou como existem. ou onde existem. muito menos quando existem. mas estão lá; outros, de alguma forma, desafiando o mundo com você. você se sente parte, mesmo sem conseguir dizer. você se aproxima, mesmo sem conseguir falar, se ergue em direção aos seus e a quem te aquece, te embala. alcança algum equilíbrio.
os dias ainda são imprevisíveis; mudanças ainda vêm. algumas coisas ainda faltam, partes suas desaparecem, aparecem outras, melhores, mais fortes, prontas pra lutar tanto quanto. você se reinventa, por capricho ou por necessidade? por natureza, eu diria.
plantas são mesmo uns bichos corajosos.