sexta-feira, 14 de agosto de 2026

tomara que eu não fique doente

(mais um diarinho. mas eu não consigo só chamar de diarinho-número-alguma-coisa, então vamos lá)

finalmente acabei de categorizar todos os meus blogs no inoreader, e sinto que posso começar a acompanhá-los em paz, apesar de agora ter muito mais blogs do que eu tinha antes. eu não ligo; algumas coisas fazem sentido ler, outras não, eu vou marcando como lido e ficando em paz. tenho pra mim que é importante tirar o peso de algumas coisas e decisões. tudo bem se algo for leve.

ontem fui ser babá dos gatos de amélie, que sempre estão mega-carentes, e foi uma delícia, por instantes, estar com criaturinhas que não queriam nada além do meu carinho. depois, saí com minha amiga letícia, que eu não via há muito tempo, já — a gente geralmente não ficava mais de uma semana sem se ver, e, se não me engano, fazia pra lá de um mês que uma não via a cara da outra. estava mentalmente exausta, só queria dormir e sumir, mas fui. no fim, como sempre, foi bom; encontrar quem me é querido sempre é bom. fomos num bar de sapatonas (o segundo que eu fui esse mês!!), que é basicamente um grande botecão de posto, mas hipster-modinha pros jovens. ou, no caso, pras jovens sapatonas (e não-sapatonas também, mas, né). fiquei feliz de ver minha amiga, mas a garganta começou a arranhar; voltei pra casa, dropei um nimesulida e vim dormir.

hoje, acordei com a garganta cheia de secreção. na minha vida, eu tenho poucas certezas: uma delas é a morte, a outra é que a doença que vai me derrubar vai ser sempre a garganta inflamada. ou seja, estou desesperada pra não me adoentar e reverter isso o mais rápido possível. tomei mais uma nimesulida, enrolei na cama até não poder mais, e arrumei algumas coisas em casa; tirei lixo reciclável, levei pras lixeiras na garagem, trabalhei; coloquei roupa pra lavar, estendi roupa, lavei louça. coisinhas de dia-a-dia. minha nimesulida acabou, então comprei mais pelo aplicativo da farmácia, visto que eu teria que sair de casa de todo jeito pra uma sessão de depilação a laser. eu já falei por aqui que estou fazendo depilação a laser? tem sido bom pros pelinhos que crescem no meu queixo (a famosa BARBA HORMONAL. queria poder largar tudo e ser mulher barbuda num circo), minhas axilas e pernas também já estão com menos pêlos (e esses bem fininhos). tirando as tatuagens, claro. o que é engraçado, porque minhas pernas ficam peludinhas em cima dos desenhos (não pode passar laser em cima da tatuagem, senão é tipo tentar remover as bichinhas). voltei, peguei meu remédio, torcendo pra não piorar a garganta por causa do frio da cidade, e comprei um xarope de guaco pra ajudar. não sei se vai ajudar mesmo, mas a intenção tá aí.

tenho pensado sobre como eu gostava de ter minha caixa de e-mail limpa e organizada, e hoje chega um monte de e-mail marketing pra mim, e eu detesto isso. será que tudo deu errado quando deixaram de respeitar o e-mail da gente? antigamente, eu fazia filtros pra excluir automaticamente e-mails indesejados, mas agora as empresas que me mandam lixo eletrônico também me mandam confirmações de eventos e o escambau, então não dá pra excluir tudo automaticamente. volta e meia recebo um retorno de algum processo seletivo pro qual me inscrevi há um tempão (sentimos muito, mas decidimos não seguir com seu perfil para esta vaga), e pelo menos agora estou empregada, então não bate tão forte. quando foi que eu me tornei o meu trabalho, e essas coisas passaram a me atingir tanto? lembro de nunca me descrever usando minha profissão, lembro de ser uma pessoa inteira sem ela; mesmo assim, ser vista na minha profissão, ser desvalorizada e negada e frustrada me destrói. vai entender.

pensei em não escrever nada hoje — afinal: doente —, mas acabei abrindo e lendo várias coisinhas antigas de blogs que acompanho e acompanhava (alguns não existem mais, ou estão trancados), e meu coração ficou meio quentinho. a maria catharina, do gabinetes espaciales, me deixou um comentário logo depois de eu ter aberto o blog dela ontem, quase que pra fazer um carinho, sentindo saudades; gosto muito do que se constrói por aqui. de pessoas que nunca encontrei mas queria poder abraçar, que eu vejo só por fotos, às vezes nem por isso, que são a vila na qual eu moro na internet e os vizinhos pros quais eu dou bom dia. sinto falta da vanessa, tenho que mandar mensagem, é difícil ficar atualizada com todo mundo, abarcar tudo e ainda existir na minha própria mente, mas é bom existir quando eu vejo que outras pessoas existem; pessoas daqui. vejo o neocities da nana, a forma como carolina escreve no krahelin, sinto falta de ler marina, é tanta gente que eu não conseguiria falar de todo mundo e agora tem ainda mais gente — passei a ler a tati com mais atenção, ouvir o kay discursar sobre suas coisinhas, ler os dois tê-agás (THs) em seus respectivos blogs, acompanhar um pouco mais de perto a vida da ba... tenho me sentido grata por fazer parte de um grupo e ver gente nova, por mais que às vezes minha mente sinta falta de não estar num meio de mensagens instantâneas o tempo todo. jamais seria capaz de linkar tudo, de falar de todas as coisas que li e sorrisos que dei em dias nos quais eu achei que não daria sorriso genuíno algum. é pra isso que existe a internet. é pra isso que devia existir.

acabei de abrir o audacity sem querer, olha só. acho que é hora de tomar um banho, um pouco mais do meu xarope, dropar outro nimesulida, se eu for corajosa, e ir dormir.

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