domingo, 7 de junho de 2026

todas as histórias de amor se entrelaçam

hoje assisti os dois últimos episódios de heated rivalry com amanda. foi engraçado, porque apesar de ser uma série boa no geral, foram justamente esses dois episódios que me fizeram encher o saco da pobre da minha namorada pra que ela assistisse a série comigo — a série tem muito foco no sexo, mas desemboca em assuntos mais emocionais, além de ser surpreendentemente gostosa de assistir pela direção (artística e geral), roteiro, atuação e edição.

só faltavam esses dois, e paramos na metade do penúltimo porque começamos a relembrar coisas da nossa história. foi muito bom pra me lembrar de como eu preciso escrever mais, e escrever sempre, porque grande parte do nosso repertório do que aconteceu na semana em que a gente se conheceu e outro bocado de coisas desde então está em um blog que eu uso pra escrever coisas pessoais, ou no meu listography. a gente não pensa que vai fazer tanta diferença escrever algumas coisas, mas a verdade é que faz, né? é o que a gente escreve que pode ser relido, é o que pode ser relido que mostra o que a gente sentia, como a gente se sentia, o que estava acontecendo. claro que vai ser sempre um ponto de vista, mas quão privilegiados são os que podem ler seus pontos de vista sobre coisas que aconteceram há quase oito anos? amanda me lembrou de coisas que eu escrevi pra ela que eu nem lembrava de ter escrito, porque o tempo passa, a gente escreve mais um monte de coisa, vive outro monte, e se esquece. mas quando a gente escreve, dá pra lembrar. vou até deixar o link pro caso de alguém querer ler o relato da semana em que conheci o amor da minha vida, porque amanda disse que foi a coisa mais bonita que alguém já escreveu pra ela (eu rebati que, se um dia a gente casar, vou precisar nem escrever votos, porque já tá pronto! olha que beleza).

eu fiquei realmente pensativa depois disso. tenho estado pra baixo e deprimida, o que geralmente me deixa com pouca ou nenhuma vontade de escrever — de fazer qualquer coisa, na verdade, mas parece que a criatividade morre mais rápido que o resto das vontades. fiquei pensando no quão importante é escrever até por isso: pra lembrar que, por mais que a criatividade morra, ela volta de novo e de novo e de novo. algo que me deixa meio triste é pensar que eu já escrevi tanta coisa linda e hoje sou só sapo ensaboado, mas como é que eu vou voltar a escrever coisas lindas se eu não estiver lendo e vivendo e me inspirando e escrevendo coisas bobas, também?

enfim. amanda quer ver duzentos-e-alguma-coisa de filmes até o ano acabar, e ontem assistimos la la land. eu tinha ranço desse filme quando foi lançado, muito provavelmente por comentários de twitter e pela pequena confusão na revelação do oscar de melhor filme em 2016 (quem viveu sabe), mas amanda sempre amou e se revoltou por eu nunca ter assistido; me propus a assistir (já que ela foi obrigada a assistir a série comigo kkkk), amei a fotografia, chorei copiosamente e fui #exposta no instagram de amanda pós filme. um ótimo filme pra se assistir, recomendo. ontem mesmo, também reassistimos (500) dias com ela, um clássico de todo jovem indie millenial e também desembocamos em conversas sobre nossas vidas e nossos relacionamentos — uma com a outra e também com outras pessoas. é engraçado como assuntos de amor se puxam uns aos outros.

(ah, a quem interessar: amanda gostou de heated rivalry, no fim das contas)

em outro assunto, estou fazendo ponto-cruz pra me distrair e manter a mente afastada do desânimo. assim que terminar de bordar o que estou fazendo nesse momento (uma versão pequenininha d'o grito, de munch), mostro pra vocês, porque peguei um pedaço de etamine e resolvo aproveitar inteiro pra bordar um monte de coisas, e as outras coisas que eu bordei estão meio prensadas no bastidor, no momento.

até!

quarta-feira, 3 de junho de 2026

pequenas constatações & um golpe

ultimamente, não tenho usado meu computador por muito tempo — só pra dar uma olhada em vagas, me candidatar, mexer em algumas coisas, e saio logo em seguida. por essa razão, dependo do aplicativo do feedly pra conseguir ler os blogs que acompanho pelo celular.

só que ele. não. abre.

minha rotina com o feedly há umas duas semanas é:

  • clicar no ícone do aplicativo
  • ele não abrir
  • desinstalar e instalar de novo
  • ele continuar não abrindo

nesse ponto, eu largo pra lá, pensando: eventualmente ele volta a funcionar. mas eventualmente QUANDO???

...e é por isso que eu ando sumida.

✶ ✶ ✶

tenho tentado desesperadamente não ficar deprimida com as perspectivas do mercado de trabalho, mas tem sido um pouco impossível. eu trabalho com design de produtos digitais, e com a alta da IA, o que mais tem é gente sendo demitida (em massa ou não) porque as empresas querem cortar gastos sem cortar escopo (ou seja, sobrecarregando gente com mais coisa pra fazer, porque todo mundo supostamente é mais produtivo, agora).

só sei que eu tô cansada. genuinamente cansada, deprimida, sem emprego e com aquele medo gostoso (só que ao contrário) de acabar a reserva e eu não ter como pagar minhas contas no fim do mês. que época difícil pra se estar desempregado, viu? vou contar pra vocês.

a vida, no entanto, não tem sido só coisas ruins (apesar de a sensação ser essa com alguma frequência). assisti a última temporada de euphoria com minha digníssima, estou revisando o livro da vanessa, vi heated rivalry inteira (gostei e achei muito bem escrita e editada) e os dois primeiros episódios de off campus (nada me tira da cabeça que esse é o novo high school musical dos jovens). tô tentando terminar o livro que comecei a ler há um milhão de anos (oração para desaparecer), porque ele simplesmente não me pegou. e bordei um sapinho em ponto-cruz que me deixa feliz só de olhar pra cara dele.

✶ ✶ ✶

imagine que você vê um post no instagram falando de um encontro de conversa, com a foto de uma autora que você gosta muito e sua obra favorita dela. o encontro vai ser perto da sua casa. você obviamente vai, certo?

isso foi o que eu e meu amigo emilio pensamos, quando ele me mandou um print do post (pois eu sou uma eremita sem redes sociais), há mais ou menos um mês. falei que ia anotar no meu calendário, e ficamos os dois empolgadíssimos, planejando já chegar com uma hora de antecedência, já que esse tipo de evento geralmente enche — afinal, era uma autora internacional.

cheguei com antecedência e mandei mensagem pra ele. o lugar tá fechado, mas já vão abrir, eu disse, esperando dentro da livraria da rua, que iria promover o evento. essa livraria tem uma outra loja mais pra frente na rua, chamada de “mercadinho”, onde eles vendem livros usados. tá bom, tô esperando o uber, ele me responde. quando ele chega, ficamos esperando o mercadinho abrir.

uma moça, arrumando o espaço, nos explica que é um encontro de clube do livro. que legal, nunca vejo clubes do livro lendo quadrinhos!, eu elogio. ela concorda, comentando que tinha sido o primeiro quadrinho do clube também. o relógio alcança a hora divulgada do evento. eu olho pro emilio, ele olha pra mim. estranho, mas tudo bem, eventos atrasam! não comentamos muito sobre a autora com a moça do evento, ajudamos a arrumar algumas coisas e ficamos conversando.

mais gente chega, todo mundo nos cumprimenta, e as engrenagem do meu cérebro começam a rodar. ela lançou algum livro recentemente? não, eu me respondo. não que eu saiba. e o livro que vai ser discutido foi lançado em 2003. será que... não, não pode ser, eu afasto o pensamento. o post no instagram era claro, né? ...né? eu procuro a imagem que o emilio tinha me mandado. “Clube de leitura”, uma foto da autora, uma imagem do livro, e embaixo escrito “Encontro” com a data em frente. vago, né?

pois é. vago o suficiente pra ser só um encontro de clube do livro que eu e emilio basicamente invadimos, achando que seria um evento com a marjane satrapi, autora de persépolis. ficamos meio rindo, meio em desespero durante todo o encontro. foi divertido, as pessoas eram legais, mas me senti um pouco a camila fremder indo em um podcast achando que era outro porque não leu direito o e-mail.

esses dias, emilio me manda mensagem: a imagem de outro post, no mesmo estilo do que nos enganou. o golpe tá aí, cai quem quer. quem não quer também, aparentemente.

© arantchans • template por Maira Gall, modificado por mim. • changelog