sábado, 29 de agosto de 2026

a ineficiência do catarro dormido

diarinho #14

será que um dia o cebolinha deixará de representar a minha mente?

agosto tá acabando, e com ele, o beda. eu participei de uma forma mais liberal, sem necessariamente postar todo dia, mas mantendo em mente a intenção de postar mais durante o mês; no fim, foi o mês em que eu mais escrevi pro blog, desde a sua criação! com essa aqui, são 16 publicações. escrever com mais frequência e participar dos chats e desafios do entreblogs foi interessante, mas também teve efeitos adversos: escrever em dias nos quais eu não queria compartilhar nada em específico foi cansativo e um pouco frustrante, e eu acabei ficando com uma sobrecarga mental que sempre vem em grupos movimentados de whatsapp, motivo pelo qual eu saía dos chats com alguma frequência, pra voltar depois, quando estivesse mais disposta. no geral, foi uma experiência divertida; não posso mais dizer que nunca participei de um beda! irra!!!!

apesar de continuar veementemente contra chats do whatsapp movimentados demais (o chat mais movimentado que eu tenho, fora o do coletivo, é o do grupo do condomínio — e ele é até bem tranquilo), algo muito divertido que eles me renderam foi ter acesso ao que o pessoal escrevia. passei a gostar de algumas pessoas e consequentemente ler seus blogs, e gostar de alguns blogs e consequentemente prestar mais atenção em seus autores. eu não li (e provavelmente não lerei) a maior parte do que foi escrito nesse beda pelos participantes (foi muita coisa!!!), mas agora tenho acesso a mais blogs e posso ir descobrindo os que me apetecem. isso, por si só, já valeu muito a pena! :^)

infelizmente, nos últimos dias o meu ânimo deu uma baixada, o que fez com que eu não tivesse muita vontade de escrever algo pra cá. também li pouca coisa. o que tem me ajudado com as tarefas do dia-a-dia e me feito companhia: a série community (finalmente comecei a assistir e já tive acesso a cenas muito icônicas, como a do cara chegando com a pizza e a casa pegando fogo, a conversa racismo/futebol do jeff e do troy, e o beetlejuice aparecendo depois de falatem três vezes o seu nome, cada vez em um episódio diferente), o podcast da laurinha lero com a anamaryb, POD de chique (estou rindo até agora com esse nome e com essa dupla), o não importa, cumprindo a cota de humor hétero aleatório da minha vida, e os jogos winter burrow (muito fofinho, faria melhorias no gameplay pra ser mais cozy e menos MEU DEUS ONDE ESTOU NÃO TEM LOCALIZAÇÃO APONTADA NO MAPA), potion craft (comecei a jogar de novo e zerei) e cozy grove (comecei a jogar de novo pra ter ursos-fantasma maluquinhos me fazendo companhia todo dia — recomendo sempre, um jogo de conforto que só tem um número de coisas limitado que você consegue fazer por dia).

descobri que gosto de postar diarinhos, e comecei um novo diário não-datado em um caderno menor, pra durar mais tempo. ah, e também assisti m3gan 2.0 com amandinha não. um filme engraçadérrimo e que eu fiquei extremamente feliz por ter assistido, tava com saudades de filmes tão bobos e ruim que dão a volta e ficam bons de novo. tô tentando beber mais água, e meu organismo ainda tá cheio de catarro de quando minha garganta tava ficando meio ruim, há umas duas semanas. como pode o organismo não ter um jeito prático de se livrar de todo o catarro imediatamente? como dissolver o catarro restante em meu nariz e garganta? por que esse catarro dormido continua me fazendo fungar e engolir de forma pegajosa se eu não estou doente??? perguntas que talvez sejam feitas novamente em alguns séculos, e que não têm nenhuma resposta... quer dizer, o google disse que beber água ajuda a deixar o catarro menos grosso, mas não foi isso que eu perguntei. então não conta.

domingo, 23 de agosto de 2026

e se

eu penso demais
o tempo todo

e se
pensar demais
sobre quem eu devia ser
(quem eu queria ser,
                       deveria ser,
                       poderia ser)

e se tudo isso
é o que não me deixa ser eu?

(pior ainda:
e se for o que me torna eu?
ah, será que eu nunca
vou deixar de me dar trabalho?)


eu escrevi esse poema em 20 de junho de 2020 (!), e encontrei na procura de algo pra publicar aqui.

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

poeminha

recentemente, tenho gostado muito de ler os poemas do bispo — é muito bom ver gente criando poesia na internet! isso me dá vontade de escrever mais, então vamos de um pequenininho que eu escrevi inspirada nele, iniciado na terça feira:


não sei se a saudade
é quente ou é fria

eu sinto o frio, me sinto quente
cheia dela, me sinto vazia

parece que o corpo trabalha mais
pra suprir o calor
que você me traria


essa postagem faz parte do beda, projeto cujo objetivo é escrever (ou tentar) todos os dias de agosto. tô participando junto com a galera do entreblogs, e você pode dar uma bizoiada no que todo mundo têm escrito aqui :^)

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

por que eu escrevo

já há algum tempo eu quero fazer um manifesto, falar sobre o porquê de ter tido tantos blogs e ter continuado voltando pra esse mundo, outra e outra vez. já que estamos em ritmo de beda (lembrei do maravilhoso vídeo hitmon de festa) e o vilão dessa semana pede ataques (ou publicações) inspirados ou em colaboração com outras pessoas, a nicolle me chamou pra escrever algo junto. pensamos um pouco e decidimos escrever sobre por que ter um blog. a pergunta era simples:

o que faz você levantar, ir para o computador, logar e escrever o que passa na sua cabeça?

eu não sei exatamente por que eu escrevo, ao contrário de um bocado de gente. eu tenho uma vaga lembrança de começar a escrever em blogs, na minha tenra juventude, porque queria ser algo além de só uma outra pessoa, e me achava muito mais importante do que realmente era. eu comecei fazendo aqueles ensaios desengonçados de adolescente, numa época em que tudo o que eu tinha a dizer parecia extremamente radical (não era). eu tinha sentimentos demais, e escrever pro mundo me parecia melhor do que escrever pra mim. esses blogs que não existem mais eram mostrados até pros meus pais (a idade realmente era tenra).

mas eu não comecei em blogs. eu lia e escrevia fanfics, jogava rpg no orkut, msn, e em fóruns pela internet afora. o começo da minha escrita foi, vejam só, colaborativo! escrever histórias com outras pessoas, criar personagens... ter páginas de caderno digitadas, palavra por palavra, e sentir o frio na barriga de fazer parte de algo. me lembro de uma das minhas primeiras fanfics, em que fui tentar escrever marauders e escrevi murderers. não lembro se essa chegou a ser algo além dos cadernos e documentos do word, mas dou gostosas risadas lembrando disso.

com o passar do tempo, ainda escrevendo fanfics e jogando rpg, fui criando (e excluindo) um blog atrás do outro. ainda não sei dizer o porquê — algo no mundo dos blogs me seduzia, e eu lia alguns que, de tão simples, eram perfeitos (quem lembra do manual prático de bons modos em livrarias?). eu nunca consegui manter um diário em casa (minha mãe lia todos), e escrever num blog era gritar pra quem pudesse ouvir (a internet) tudo o que eu estava sentindo. e não só sofrimento: eu queria ser engraçada, também. percebi que, antes de fazer outras pessoas rirem, eu queria me fazer rir. foi em blogs que fiz minhas primeiras listas engraçadas, minhas primeiras premiações de fim de ano (saudades), minhas primeiras tentativas com html e css.

escrever em um blog se tornou, antes de escrever pra outras pessoas, um escrever para mim; criei blogs que transformavam as coisas que eu vivia e sentia em histórias (nenhum deles existe mais, o que me deixa triste — qual o problema do jovem que apaga tudo pra não deixar rastros pela internet???), blogs tão pessoais que eram trancados, só pra que eu pudesse escrever em algum lugar. quando entrei pro entreblogs, vi uma publicação da karina no qual ela dizia que escreve para ser vista, e fiquei encasquetada com isso. por que eu escrevo? pra quem?

acho que já escrevi para ser vista por muito tempo, num mundo em que, por inúmeros motivos, eu me sentia sozinha. hoje já não me sinto assim. já escrevi como quem grita pra ser ouvida, já escrevi como quem sussurra pedidos de socorro; hoje, escrevo porque preciso escrever — em um diário, nesse blog, em outro, em e-mails, cadernos, cartas, mensagens instantâneas, assim que a vontade chama, que a necessidade bate. eu costumava comentar com meus amigos que o amor só me encontrava quando eu não estava procurando, e com o blog acho que foi a mesma coisa: quando eu deixei de querer ser vista, acho que as pessoas me enxergaram. aliás, me corrijo: não acho que deixei de querer ser vista, mas talvez eu tenha me enxergado primeiro, e todo o resto veio depois. ter uma comunidade é gostoso, fazer amizades é gostoso, e até hoje eu fico embasbacada quando alguém diz que lê o que eu escrevo aqui. como assim, alguém me lê? como pode??

então, respondendo à pergunta: o que me faz levantar, pegar o computador e escrever pra cá é... alguma coisa que eu não sei o que é, mas que é forte o suficiente. algo que transborda de mim de tal forma que eu não ligo em revisar o que escrevi, porque o importante é escrever. algo que me fez excluir um blog após o outro e continuar criando, igual a uma cientista maluca, em busca de algo que eu não sabia o que era, e que provavelmente ainda estou longe de descobrir, mas que me aproxima dos outros e de mim mesma. eu escrevo porque não consigo evitar e porque, se não escrevesse, não sei quem eu seria; porque um dia fui uma criança que gostava de ler, e hoje sinto falta das histórias que eu lia, em livros ou em telas. 

porque alguém pode precisar ler algo que ninguém escreveu, ainda. então, eu escrevo.

essa postagem faz parte do beda, projeto cujo objetivo é escrever (ou tentar) todos os dias de agosto. tô participando junto com a galera do entreblogs, e você pode dar uma bizoiada no que todo mundo têm escrito aqui :^)

tô aí, firme e forte

diarinho #13

essa semana foi difícil, tanto porque amanda foi embora na terça (chuif) quanto porque... bom, já não ando das mais animadas, e ultimamente ando com muita coisa na cabeça. ou seria pouca coisa, porque cabeça vazia, oficina do diabo? de todo jeito, a cabeça não anda das melhores, e por isso mesmo eu marquei uma primeira consulta com um psiquiatra pra terça mesmo.

vou te falar uma coisa sobre médicos: eu quero gostar deles. quero muito, muito mesmo — eu adoro ir ao médico, adoro fazer exames, adoro sentir que tem alguma coisa se movimentando na minha vida. na época em que eu estava sangrando 24 horas feito uma virgem sacrificada no altar pro capiroto, fazer exames me fazia sentir que eu estava prestes a colocar minha vida nos eixos, junto, claro, à atuação maravilhosa das médicas ginecologistas que me atenderam. pra chegar em uma unidade de profissionais da saúde que realmente se importa (e isso em UMA categoria!!! UMA!!!), eu passei por tanta gente que não me ouvia direito, que culpava meu peso por tudo, que não me encarava nem por 10 minutos e me receitava algo, que desdenhava do fato de eu me relacionar com uma mulher (não só ginecologistas, mas dermatologistas também)... hoje eu tento baixar um bocado as minhas expectativas, pra não me afetar tanto quando cair de cima delas.

essa introdução é pra dizer que, infelizmente, a consulta no psiquiatra foi mais um caso de fábrica de receitas, que é como eu chamo quando você vai a um lugar cheio de gente precisada de cuidado, os médicos chamando os pacientes em salinhas pequenas, e cumprindo dez, vinte minutos de consulta enquanto te receitam algo sem perguntar nada além do que você relatou. talvez com meu relato dê pra saber que eu consegui essa consulta com a cobertura do plano, talvez não, mas taí uma coisa que me deixa puta: como é possível que, pra ser atendido minimamente bem por um profissional de saúde, uma pessoa precise desembolsar geralmente mais de 300 reais pra uma consulta particular? me revoltei com isso na terça mesmo, falando com minha prima, encarando a receita de um medicamento que eu já tomei em diversas doses, das baixas às cavalares, em conjunto com outro remédio e como medicação única. como pode as pessoas não nos ouvirem, ou ouvirem e simplesmente não ligarem? é, de fato, o fim dos tempos. estou entre buscar outro profissional pelo plano, ou simplesmente esperar algum tempo e estudar as finanças com o salário novo pra ver se consigo bancar um atendimento particular, e estudando se faz sentido tentar o medicamento que ele passou, pra não deixar passar em branco.

dizem que o que não tem remédio, remediado está, mas essa pessoa aí claramente não sabia como é que tá a mente do palhaço. doutor, entenda, eu sou o pagliacci!!!!!!

enfim. tirando minha enorme decepção com o psiquiatra, outras coisas: preciso me alimentar direito. preciso fazer uma mega-faxina na casa. tenho compromisso no sábado com meus amigos. tenho que entender como não endoidar com o trabalho novo, sem demandas e sem muito sendo feito pra minha integração nos processos. voltei a jogar cozy grove, um jogo fofo no switch em que você é um “escoteiro espectral” que ajuda ursos-fantasma a refletirem sobre a vida, faz pequenas tarefas pra eles e enfeita uma ilha. tentei começar a assistir chaves na netflix, mas é esquisito colocar a série pra rodar e não simplesmente estar zapeando na tevê de tubo e estar passando algum episódio no sbt. estou reassistindo b99 pela quinquagésima vez. fiquei pensando se existe outra forma de me sustentar com tranquilidade que não ative todas as defesas do meu corpo ao mesmo tempo. chorei dando uma cafungada no travesseiro com o cheiro de amanda. combinei com nicolle de tentar fazer uma postagem colaborativa, mas minha mente e minha rotina essa semana claramente não estão para amadores. dormi, acordei.

mais um dia, galera. firme e forte. não sei se tão forte, mas firme. não sei se tão firme, também.

essa postagem faz parte do beda, projeto cujo objetivo é escrever (ou tentar) todos os dias de agosto. tô participando junto com a galera do entreblogs, e você pode dar uma bizoiada no que todo mundo têm escrito aqui :^)

domingo, 16 de agosto de 2026

notinha

ontem a doença (e o desânimo) me pegaram, mas hoje vou tentar dar o golpe e me salvar no beda com apenas algumas notinhas:

  • amanda tá em são paulo antes de ir embora de vez — e é muito gostoso poder ficar pertinho mais uma vez.
  • aproveitamos pra ir (eu, ela, minha sogra, meus cunhados e as sogras dos meus cunhados (?)) na festa da achiropita! hmmmm, palha italiana. e outras coisinhas mais.
  • minha garganta tá um cadinho melhor, graças ao xarope de guaco e à nimesulida.
  • preciso organizar o css do meu blog. tá tudo numa grande linha só, e tô fazendo isso aos poucos. socorro.
  • na postagem “tudo está melhor do que parece”, eu fiz uma notinha de rodapé improvisada da qual gostei muito, e hoje eu consegui fazer um elemento (<note>) que inclui a linha com um :before. tô feliz com isso, faz eras que não mexia com nadica de css!
  • nessa empreitada de fazer o elemento, não conseguia por nada aplicar as cores do tema atual no :before. quando desisti e fui perguntar ao claude o problema, me dei conta de uma possível solução escrevendo o prompt de pergunta. testei e deu certo! fiquei muito feliz!!
  • tô querendo aprender a codar na moralzinha, do zero, mesmo. preciso parar, pesquisar e ver onde posso fazer isso. sei que existem buzilhões de bootcamps e aulas grátis, mas acabo sempre me perdendo no medo/planejamentos. se alguém tiver alguma indicação de onde começar, aceitarei de bom grado!
  • já repararam que eu evito usar “post” e digo sempre “postagem”? pois é, eu me esforço pra usar sempre termos aportuguesados, ou em português bom e claro, mesmo. recentemente, ando pensando que faz muito mais sentido, talvez, chamar de “publicação”. olha as coisas que a cabeça da gente inventa, meu deus do céu.
  • consegui marcar um psiquiatra, pro mesmo dia em que amanda vai embora. estaria eu mentalhealthmaxxing?
olha como fica a noitinha que eu criei. bonitinha, né não? :^)

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

tomara que eu não fique doente

diarinho #12

(mais um diarinho. mas eu não consigo só chamar de diarinho-número-alguma-coisa, então vamos lá)

finalmente acabei de categorizar todos os meus blogs no inoreader, e sinto que posso começar a acompanhá-los em paz, apesar de agora ter muito mais blogs do que eu tinha antes. eu não ligo; algumas coisas fazem sentido ler, outras não, eu vou marcando como lido e ficando em paz. tenho pra mim que é importante tirar o peso de algumas coisas e decisões. tudo bem se algo for leve.

ontem fui ser babá dos gatos de amélie, que sempre estão mega-carentes, e foi uma delícia, por instantes, estar com criaturinhas que não queriam nada além do meu carinho. depois, saí com minha amiga letícia, que eu não via há muito tempo, já — a gente geralmente não ficava mais de uma semana sem se ver, e, se não me engano, fazia pra lá de um mês que uma não via a cara da outra. estava mentalmente exausta, só queria dormir e sumir, mas fui. no fim, como sempre, foi bom; encontrar quem me é querido sempre é bom. fomos num bar de sapatonas (o segundo que eu fui esse mês!!), que é basicamente um grande botecão de posto, mas hipster-modinha pros jovens. ou, no caso, pras jovens sapatonas (e não-sapatonas também, mas, né). fiquei feliz de ver minha amiga, mas a garganta começou a arranhar; voltei pra casa, dropei um nimesulida e vim dormir.

hoje, acordei com a garganta cheia de secreção. na minha vida, eu tenho poucas certezas: uma delas é a morte, a outra é que a doença que vai me derrubar vai ser sempre a garganta inflamada. ou seja, estou desesperada pra não me adoentar e reverter isso o mais rápido possível. tomei mais uma nimesulida, enrolei na cama até não poder mais, e arrumei algumas coisas em casa; tirei lixo reciclável, levei pras lixeiras na garagem, trabalhei; coloquei roupa pra lavar, estendi roupa, lavei louça. coisinhas de dia-a-dia. minha nimesulida acabou, então comprei mais pelo aplicativo da farmácia, visto que eu teria que sair de casa de todo jeito pra uma sessão de depilação a laser. eu já falei por aqui que estou fazendo depilação a laser? tem sido bom pros pelinhos que crescem no meu queixo (a famosa BARBA HORMONAL. queria poder largar tudo e ser mulher barbuda num circo), minhas axilas e pernas também já estão com menos pêlos (e esses bem fininhos). tirando as tatuagens, claro. o que é engraçado, porque minhas pernas ficam peludinhas em cima dos desenhos (não pode passar laser em cima da tatuagem, senão é tipo tentar remover as bichinhas). voltei, peguei meu remédio, torcendo pra não piorar a garganta por causa do frio da cidade, e comprei um xarope de guaco pra ajudar. não sei se vai ajudar mesmo, mas a intenção tá aí.

tenho pensado sobre como eu gostava de ter minha caixa de e-mail limpa e organizada, e hoje chega um monte de e-mail marketing pra mim, e eu detesto isso. será que tudo deu errado quando deixaram de respeitar o e-mail da gente? antigamente, eu fazia filtros pra excluir automaticamente e-mails indesejados, mas agora as empresas que me mandam lixo eletrônico também me mandam confirmações de eventos e o escambau, então não dá pra excluir tudo automaticamente. volta e meia recebo um retorno de algum processo seletivo pro qual me inscrevi há um tempão (sentimos muito, mas decidimos não seguir com seu perfil para esta vaga), e pelo menos agora estou empregada, então não bate tão forte. quando foi que eu me tornei o meu trabalho, e essas coisas passaram a me atingir tanto? lembro de nunca me descrever usando minha profissão, lembro de ser uma pessoa inteira sem ela; mesmo assim, ser vista na minha profissão, ser desvalorizada e negada e frustrada me destrói. vai entender.

pensei em não escrever nada hoje — afinal: doente —, mas acabei abrindo e lendo várias coisinhas antigas de blogs que acompanho e acompanhava (alguns não existem mais, ou estão trancados), e meu coração ficou meio quentinho. a maria catharina, do gabinetes espaciales, me deixou um comentário logo depois de eu ter aberto o blog dela ontem, quase que pra fazer um carinho, sentindo saudades; gosto muito do que se constrói por aqui. de pessoas que nunca encontrei mas queria poder abraçar, que eu vejo só por fotos, às vezes nem por isso, que são a vila na qual eu moro na internet e os vizinhos pros quais eu dou bom dia. sinto falta da vanessa, tenho que mandar mensagem, é difícil ficar atualizada com todo mundo, abarcar tudo e ainda existir na minha própria mente, mas é bom existir quando eu vejo que outras pessoas existem; pessoas daqui. vejo o neocities da nana, a forma como carolina escreve no krahelin, sinto falta de ler marina, é tanta gente que eu não conseguiria falar de todo mundo e agora tem ainda mais gente — passei a ler a tati com mais atenção, ouvir o kay discursar sobre suas coisinhas, ler os dois tê-agás (THs) em seus respectivos blogs, acompanhar um pouco mais de perto a vida da ba... tenho me sentido grata por fazer parte de um grupo e ver gente nova, por mais que às vezes minha mente sinta falta de não estar num meio de mensagens instantâneas o tempo todo. jamais seria capaz de linkar tudo, de falar de todas as coisas que li e sorrisos que dei em dias nos quais eu achei que não daria sorriso genuíno algum. é pra isso que existe a internet. é pra isso que devia existir.

acabei de abrir o audacity sem querer, olha só. acho que é hora de tomar um banho, um pouco mais do meu xarope, dropar outro nimesulida, se eu for corajosa, e ir dormir.

essa postagem faz parte do beda, projeto cujo objetivo é escrever (ou tentar) todos os dias de agosto. tô participando junto com a galera do entreblogs, e você pode dar uma bizoiada no que todo mundo têm escrito aqui :^)

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

não existe buscopan pra alma

meus dias têm sido meio downers, sem muito ânimo pra fazer qualquer coisa além do que já estava planejado. com golpes aqui e ali, os vilões do beda (e da vida real???) têm conseguido me derrubar. dito isso, aí vão cinco coisas que fizeram parte do meu dia hoje:

  • lavar o banheiro: quem me conhece sabe que EU DETESTO LAVAR O BANHEIRO!!!, mas amo lavar banheiro, ao mesmo tempo, ironicamente. a questão é que ter um banheiro limpinho e ser a primeira pessoa a tomar banho nele é uma das melhores sensações do mundo, certo? certo. então, tô feliz que, mesmo desanimada, consegui lavar meu banheiro e aproveitar a felicidade que vem com isso.
  • responder o e-mail de uma pessoa querida: tenho uma amiga que nem me lembro de como nos conhecemos (acho que foi pelo twitter? instagram?), mas a gente se comunicava de um jeito maravilhoso: trocando e-mails como se fossem cartas. dia desses, ela me mandou um alô pra saber se eu tava viva, eu respondi, e temos trocado mais correspondência virtual desde então. hoje, enquanto enrolava pra lavar o banheiro (desespelo), respondi o último e-mail dela, que tinha chegado há 15 minutos. uma grande vitória pras pessoas que deixam pra fazer tudo depois. o título dessa postagem, inclusive, vem de algo que ela disse num e-mail que ela me mandou há um tempão e que eu estava relendo e morrendo de rir: “Hoje estava pensando pensamentos estranhos e... se conseguissem fazer, um dia, uma anatomia da alma, onde ficariam tantos sentimentos? Onde caberia a angústia, a frustração, a mágoa, a tristeza...? Porque quando eu sinto tudo isso no peito, dá exatamente pra apontar onde é que tá cada sensação. E dói. E não existe Buscopan pra alma.
  • arroz com ovo: eu tenho tido dificuldade pra comer direito, e hoje tava com zero energia pra fazer algo mais elaborado. tinha um pouco de arroz dormido na geladeira, tinha ovo, e eu fiz a receita mais querida do jovem (à minha época) sem habilidades culinárias: arroz, ovo e batata palha. hmmmm.
  • separar roupas pra doar: tá frio de novo, né? como eu comprei algumas roupas recentemente e tem uma campanha de doação de agasalho aqui no meu condomínio, separei um cadinho de roupas que eu poderia doar. acho importante se desapegar — afinal de contas, são só roupas, e elas podem fazer alguém feliz :^)
  • jantar com minha prima: pra fechar o dia, tô indo jantar com minha prima e tomar um lamenzinho pra esquentar a alma, nesse dia frio em são paulo. por mais que eu não queira botar o pé pra fora de casa, às vezes é a melhor coisa que se pode fazer pra espantar o que quer que esteja fazendo doer a minha alma. já que, como sabemos, não existe buscopan pra ela.
essa postagem faz parte do beda, projeto cujo objetivo é escrever (ou tentar) todos os dias de agosto. tô participando junto com a galera do entreblogs, e você pode dar uma bizoiada no que todo mundo têm escrito aqui :^)

terça-feira, 11 de agosto de 2026

hoje teve show do maglore

maglore @ casa de francisca, sp // 11.08.26

assim, mais ou menos: foi a audição do disco novo deles (tenho gostado mais de falar “disco” do que “álbum”, me traz um sentimento mais gostoso). foi na casa de francisca, aqui em são paulo, um lugar muito bonitinho e que me fez querer roubar todas as coisas pra decoração da minha casa. realmente adorável.

o disco novo do maglore (quase falei álbum!), fluxo natural, é bem mais melancólico do que o último deles, V (lê-se “cinco”). o V é um dos meus favoritos deles. a musicalidade de maglore é algo que só eles têm, é imediatamente identificável e reconhecível, e eles são melhores ainda ao vivo. convoquei alguns amigos para irem comigo, e foi bom.

entre as músicas que eu mais gostei, estão sul-americano, sonho real, farol e raio de sol (essa última mandei pra amanda um videozinho dedicando, apesar de não gostar de gravar em shows). tenho que ver as letras com calma depois (o negócio nem foi lançado nas plataformas de streaming ainda), mas senti que algumas músicas correm o risco de serem repetidamente ouvidas por mim por ter muito a ver com meu momento atual — tudo bem é uma delas.

pra quem não conhece a banda, recomendo ouvir aquela força, uma das minhas favoritas. viva a música nacional gostosinha!

agora cês me dão licença que tá tarde e a véia aqui vai dormir. boa noite!

essa postagem faz parte do beda, projeto cujo objetivo é escrever (ou tentar) todos os dias de agosto. tô participando junto com a galera do entreblogs, e você pode dar uma bizoiada no que todo mundo têm escrito aqui :^)

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

vapt-vupt

download do cérebro em 15 minutos ou menos:
  • como o feedly definitivamente não funciona mais no meu celular (será que é problema com androids?), testei o capy reader por um tempo, mas ele funciona só no celular. copiando a ba, que volta e meia menciona o inoreader, exportei a lista de blogs que sigo pra lá e tô no caminho de organizar tudo — colocar blogs antigos que não postam mais numa pasta própria, blogs pessoais em outra, criar uma pro entreblogs... acabei me perdendo por horas vendo blogs, hoje. é algo que eu amo fazer. e agora meu leitor de feeds fica atualizado no celular e no navegador!
  • voltou a fazer frio em são paulo, logo agora que amanda não tá aqui comigo. hoje foi só o primeiro dia sem ela e já tô borocoxozinha e morrendo de saudades. às vezes me pergunto se a forma como eu sinto saudades é meio patológica, ou se só é normal você sentir muita falta de alguém que ama muito.
  • uma das melhores coisas de estar trabalhando e ser CLT é poder usar o plano de saúde!!!! hoje fui à oftalmologista, uma que achei perto de casa, e descobri que não tô ficando doida e meu grau aumentou, mesmo. agora vou ver se espero até o mês virar pra fazer meus óculos novos, ou se faço de uma vez
  • o entreblogs tem feito com que eu fique com siricutico de mexer no meu blog. eu gosto muito que meu blog seja um blog, não necessariamente um site. pra mim, são duas coisas diferentes, e eu não tenho tanta vontade, ao menos por ora, de mesclar os dois. tenho pensado em fazer uma página (ou uma postagem) de manifesto, e talvez voltar a fuxicar código pra fazer algo legal (e exercitar meu siricutico de acessibilidade online, também).
  • ontem vi o filme das ovelhas detetives (prime video) com amanda, e foi muito melhor do que eu achei que seria? um viva aos filmes de bicho que fala!
  • comprei uma segunda tela pra usar com meu computadorzinho 🤏 do trabalho, mas a tela é enoooorme e eu tô desacostumada com ela, então tá engraçado.
  • ainda não tenho nada específico pra fazer no trabalho novo, e agora fico meio paranoica que me encontrem na internet escrevendo que trabalhar é pior do que morrer e vendo que eu sou doida. acho que gosto de ser doida, mas em ambiente seguro. de todo jeito, essa semana vou estudar sobre o produto com o qual vou trabalhar e explorar os arquivos, talvez mexer um pouco com inteligência artificial.
  • ainda preciso descobrir como vou fazer pra trabalhar horrores com ia enquanto odeio a bicha com todas as forças ao mesmo tempo. como separar o pessoal do profissional?
  • queria rever meus marcadores do blog. nunca sei se quero fazer algo realmente bom de se categorizar ou se só quero fazer graça com os marcadores. afinal de contas, num blog que não fala nada com nada, pra que servem marcadores?
essa postagem faz parte do beda, projeto cujo objetivo é escrever (ou tentar) todos os dias de agosto. tô participando junto com a galera do entreblogs, e você pode dar uma bizoiada no que todo mundo têm escrito aqui :^)

não dá pra fugir dessa coisa de pele

há duas horas acordamos, morrendo de sono, porque amanda tinha uma carona pra pegar às oito; fazendo as contas — “são dez minutos até o metrô” “nem são dez, dá menos” “aí são quinze até ali com a baldeação” “mas até com a baldeação é menos que isso, amor, dá uns cinco, eu juro” —, grogues de sono, conseguimos enrolar um pouquinho mais, até as seis e meia. ela tinha que arrumar a mochila pra ir de novo pro interior, eu tinha que levantar porque queria fazer companhia até a hora da partida. às vezes me sinto como um gato, um cão, um bichinho que quer ficar por perto o tempo todo, encostado, numa sensação de segurança.

separa roupa, escolhe o que vai deixar, o que vai pra mochila, eu pego algumas roupas que estavam estendidas porque lavamos ontem. ela tomou um banho rápido, duas músicas de duração, e eu fiquei deitada no sofá enquanto coisa de pele, do jorge aragão, tocava suavemente no banheiro. às sete ela saiu, cheirosa, com um beijinho, e eu voltei pra cama. cheirei o travesseiro dela e comecei a reparar nos barulhos da cidade já a todo vapor: os ônibus, carros, caminhões, os sons que não se sabe ao certo de onde vêm, mas que estão aí mesmo assim. tento fechar os olhos pra dormir mais um pouco, já que fomos dormir tarde e não tenho nenhuma reunião logo cedo, e no braço que coloco ao lado do rosto ficou o cheiro do perfume dela que pegou na minha pele com o abraço. penso, de novo, nas pequenas coisas que constroem o amor, a saudade, o dia, tudo o que define como vai ser o dia e como eu vou me comportar. são as variáveis que definem se uma formiga segue o caminho das demais ou se desvia da rota, não é...? como não sei muito de insetos, melhor engavetar essa comparação. é o que dita o começo do meu dia, pelo menos, e pego o celular pra escrever; acabo decidindo buscar o computador, porque é mais fácil.

ontem foi um dia bom, mas confuso, mas bom, mas difícil, mas bom. eu nunca amei-sendo-amada-de-volta alguém que estivesse perto desde sempre, então aprendi a despedida como parte do ritual do amor, a parte que dilacera só pra pra curar e dilacerar de novo quando necessário, quando a gente quase não se lembra da cicatriz. todo relacionamento tem seus problemas, e os meus sempre foram permeados por lágrimas em portas, portões, rodoviárias, aeroportos, aviões, ônibus, carros, camas, nessa saudade aterradora que destrói; mas destrói sabendo que eu vou passar um café destruída, vou entrar em reuniões, vou colocar um sorriso no rosto e fazer o que tem que fazer. ainda queria entender melhor dessa saudade e por que ela machuca tanto, aprender a carregar o porco-espinho sem me espetar, mas por ora deito ao lado dela na cama e a abraço, espinhos e tudo, na falta de quem me faz falta. eu tenho pensamentos e palavras demais dentro de mim e preciso colocar pra fora, e ontem — talvez pela breve despedida iminente, talvez porque, simplesmente, domingos — despejei meu coração nas mãos dela, em cuia; ela derramou o dela nas minhas também e, entre lágrimas e a tevê tocando reptilia dos strokes uma vez atrás da outra por motivos misteriosos, entre frases que tentam fazer sentido e a gente tentando sentir tudo o que precisa sem sofrer tantas consequências, tudo ficou bem, ou o quão bem se é possível ficar.

uma vez eu escrevi que “é fantástico que você goste de mim, e talvez seja fantástico que eu goste de você. é fantástico te deixar existir ao meu redor e que você me deixe existir ao seu redor também. ‘é sempre um prazer inenarrável’, você diz, e eu me pergunto se você sabe o quanto cada palavra dessa é especial, o quanto eu senti falta de falar com você sobre as coisas, da mais séria à mais besta”, e é mais ou menos isso que se mantém acontecendo, sempre. eu amo ter um você específico para o qual eu posso escrever; você é meu vocativo permanente, é pra você que eu escrevo cartas de amor, é pra você que eu digito mensagem, escrevo histórias, postagens de blog que podem nem ser lidas agora ou depois. amar alguém e ser amada de volta continua sendo fantástico, te encontrar e desencontrar e reencontrar é fantástico, e o seu cheiro no meu braço me faz rir e chorar ao mesmo tempo, e a graça é essa. a força é essa.

é segunda-feira, e eu vou insistir até conseguir tudo o que eu quero. até viver na mesma cidade, na mesma casa, até o problema não ser a falta, até a questão não ser a distância, até que eu sinta o perfume dela todo dia quando for deixar um beijo no seu pescoço, até que todo dia ela me abrace e eu veja tão de perto o conjunto de tudo que tem nesse rosto e que eu amo.

eu sou uma pessoa feita pra amar, afinal de contas, então vou continuar até que tudo na minha vida seja feito de amor.

essa postagem faz parte do beda, projeto cujo objetivo é escrever (ou tentar) todos os dias de agosto. tô participando junto com a galera do entreblogs, e você pode dar uma bizoiada no que todo mundo têm escrito aqui :^)

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

as pequenas coisas

diarinho #11

arte por anna-laura sullivan

ando meio monotemática ultimamente, mas é porque quero aproveitar cada instante do tempo que estou passando com amanda antes que ela inevitavelmente volte ao méxico. os dias têm sido uma mistura entre felizes, preguiçosos, difíceis, ansiosos... a vida não para só porque a gente quer aproveitar uma coisa, e eu acabo fazendo um malabarismo doido pra tentar viver tudo da melhor maneira. olha só: até aí a ansiedade e a vontade de ter o controle de tudo me pega (alô, terapia).

eu sou uma pessoa carente. não com aquele tipo insuportável de carência (ou pelo menos eu espero que não), em que você precisa estar grudado o tempo todo, mas reconheço que minha vida fica meio triste quando eu não tenho companhia. tento me cercar sempre de amigos, pessoas, ambientes agradáveis, sons, tudo o que me ajude a não estar sozinha — e, morando só e trabalhando de frente pra um computador na minha própria casa, é inevitável que eu passe grande parte do tempo exatamente assim: sozinha.

ter amanda aqui matou duas das coisas que estavam me matando, a saudade e a solidão. conviver com ela é gostoso, fácil, e assim que ela chegou uma das coisas que eu pensei foi em como é maluco que ver alguém que eu não via há mais de um ano veio com a sensação de que fosse só mais um dia, como se a gente tivesse se visto no dia anterior. a gente ouviu música junto, jogou videogame, viu filme, série, saiu pra bater perna na rua, fez tudo o que tinha direito.

essa semana ela passou comigo, em são paulo; na segunda, ela vai pro interior outra vez, ficar com a mãe dela um bocado. não é uma despedida definitiva, mas é quase — ela só volta na outra segunda, pra ir embora de vez na terça. logo, por mais que eu não esteja necessariamente pensando nisso o tempo todo, meu corpo reage à parte do meu cérebro que não deixa essa informação escapar: tenso, fazendo a conta de quanto tempo eu ainda tenho pra passar junto com ela (namoro à distância é terrível, jovens, não cometam esse crime). hoje, por exemplo, ela foi trabalhar um dia presencial, aproveitando pra ver o pessoal da empresa que trabalha aqui do brasil, o que me deixou sozinha em casa, em um dos poucos momentos que estou passando sozinha desde que ela chegou. logo depois de fechar a porta, voltei pro quarto, porque ainda estava cedo; o boné dela, o gorro e a garrafa d’água estão sobre a cômoda, do outro lado da cama. quando me deitei, meus olhos repararam na mochila roxa, no cantinho do quarto, encostada quase como quem diz licença, desculpa, vai ser rapidinha a minha estadia aqui. mesmo agora, digitando isso, eu penso: não seja uma estadia rapidinha, não. fica mais tempo, faz o tempo passar devagar, que nem os móveis coloniais de acaju falam na música. fica, fica...

enfim, divago. ficando em casa, me arrumando pro trabalho, eu reparo nas pequenas coisas:

  • o perfume do lado dos meus, que só não é mais gostoso que o cheiro puro da pele dela,
  • as duas escovas de dente (as duas são dela e não, eu não sei o porquê) dentro da caneca na pia do banheiro,
  • as toalhas secando, mais bonitas que uma bailarina sincronizada com outra, porque são as nossas,
  • o remédio dentro da bolsinha (“lembrou de tomar o remédio?” “lembrei, amor”), pra ajudar com a cabeça,
  • o chinelo que eu separei e que ela nunca usa, porque prefere andar descalça,
  • o cheiro dela que fica na cama, onde a gente se deita pra pensar no que a gente faz com essa ansiedade toda, como a gente faz pra viver melhor,
  • a garrafa de original que ela tomou ontem, vendo o jogo do corinthians, fazendo piada que o time precisa de jogador feio, porque os bonitos não fazem gol,
  • as balas halls de uva verde na geladeira, porque não tem esse sabor por lá, e que eu comprei um monte pra ela matar a saudade,
  • a louça secando na cozinha, prova de que eu não tô vivendo só.

e são coisinhas que me fazem feliz, as mesmas coisinhas que eu tento desesperadamente absorver por saber que estarão fora do meu alcance muito em breve. a saudade em mim bate forte e eu sei que vou tentar me distrair com todas as coisas possíveis, mas ela vai continuar aqui enquanto quem eu amo não estiver. são coisinhas das quais eu vou me lembrar e sorrir quando já não estiver mais chorando.

são coisinhas, coisas pequenas, das quais se constrói uma rotina e que se faz o amor.

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quinta-feira, 6 de agosto de 2026

tudo está melhor do que parece

diarinho #10 

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eu não me acho uma pessoa pessimista. deprimida, sim; triste? às vezes. mas não me vejo endossando um discurso em que a esperança é pequena, porque simplesmente não é assim que eu sou — eu geralmente sou aquela pessoa que vai convencer alguém em um momento difícil da vida que as coisas vão melhorar, mesmo que eu mesma esteja cavando um buraco no fundo do poço. tudo já é ruim o suficiente, a gente não precisa piorar.

dito isso: queimei a largada.
é quinta-feira da minha primeira semana no emprego novo e, dando uma olhada no sistema de comunicação do time, pensando no que precisarei fazer em breve, a cabeça foi a mil e eu dei minha primeira chorada de ansiedade. às vezes eu penso se não quebrei um bocado com essa vida corporativa, se a solução não é voltar a trabalhar com o público, com as mãos, com qualquer coisa que não use minha mente. enquanto meus olhos não paravam de encher d’água, fiquei querendo rir: como pode, chorar na primeira semana de trabalho sem nem ter tarefas engatilhadas ainda? sem nem ter acesso aos softwares que eu preciso pra trabalhar! a ansiedade é uma coisa maluca. tenho acompanhado a jornada da ba, finalmente #medicada contra essa coisa que aflige o nosso cérebro, e é engraçado ver os paralelos: ela sem trabalhar, mas em paz, lidando com a vida com um pouco mais de calma; eu, trabalhando depois de meses sofridos buscando me recolocar, chorando no colo de amanda porque a vida é imprevisível.

é um pouco patético, mas a vida é mesmo patética, fazer o quê.

mesmo nesse chororô, mesmo pensando que talvez eu já não sirva pra fazer o que faço, conversando com amanda pensei de novo comigo mesma: não me vejo como uma pessoa pessimista. acho que a vida é dura, que às vezes a gente tem que reconhecer que um dia foi difícil, a semana, o mês, o semestre, o ano; mas que isso não quer dizer que o que vem por aí não possa ser bom. eu acho que há uma força em enxergar as coisas como são, nem enfeitadas, nem enfeiadas: só como são. tudo bem não ficar empolgada com algo que deveria te deixar feliz. tudo bem aceitar que um dia já deu tudo o que tinha pra dar, e se contentar com esperar que ele acabe. tudo bem queimar a largada e chorar feito uma adolescente, porque a gente enxuga as lágrimas e segue em frente, ainda tem coisa a se aprender. a criança chora quando se machuca, mas é só lavar o machucado, deixar que os soluços sigam seu rumo, e logo ela tá ali, correndo pra ralar o outro joelho também. às vezes a gente só precisa de uma boa noite de sono (pelo amor de deus, sabe, só quero ser feliz).

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o título vem dessa música d’o terno, que é muito gostosinha!

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

uma mão no minimalismo e a outra na consciência

snoopy olhando para uma arara cheia de roupas e sapatos, com a mão no queixo, pensativo.

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assim que decidi que ia participar do beda, fui fazendo no meu app de anotações do celular uma listinha de coisas sobre as quais eu poderia falar. apesar de eu não ter um manifesto (ainda), uma das minhas regras comigo mesma é que eu não escrevo nada só por escrever, pra bater cartão aqui; tudo o que eu escrevo é porque sinto genuinamente vontade de falar sobre. por isso, fiquei até surpresa quando uns cinco temas me apareceram quase que de imediato. um desses temas é uma coisa que vem surgindo com uma certa frequência na minha mente, e até quando eu converso com algumas pessoas: o minimalismo.

o minimalismo enquanto estilo de vida surgiu um pouco como um contraponto ao consumismo e ao incentivo do capitalismo para que a gente compre todas as coisas só porque sim; a ideia principal é que menos é mais, e que você pode ser feliz sem precisar comprar um buzilhão de coisas. eu não me acho uma pessoa consumista. acho que já fui mais, e que tenho um monte de cacareco que não preciso, mas tento não comprar nada no calor do momento e nem que eu não precise de verdade. muito disso vem do fato de eu estar sempre tentando economizar e criar hábitos financeiros mais saudáveis, e não necessariamente de eu ser adepta de um estilo de vida “minimalista”; se eu mostrasse uma foto da minha escrivaninha pra vocês, daria pra perceber o quão antiminimalista eu sou. não maximalista. antiminimalista.

maximalistas, pra mim, são pessoas que vivem na exuberância, enquanto minimalistas tentam manter sua vida funcional com o mínimo, seja lá por qual razão. eu me sinto no meio: nem tão exuberante pra me encaixar no primeiro, nem tão funcional pra fazer parte do segundo. nem menos é mais, nem mais é mais — meu lema é “o médio é o suficiente”.

a questão é: eu ando comprando menos coisas, mas será que isso é ser minimalista, ou só passar a reparar no consumismo? tenho pessoas próximas a mim que compram muita coisa, muitas vezes por causa da influência das redes sociais: fulano tem, sicrano disse que é bom, beltrano falou sobre (com a licença de vocês, mas tava pensando em como é engraçado que o termo seja sicrano. eu sempre falei e escrevi ciclano, que é uma palavra que nem existe). acho que não estar mais em redes sociais e ter o youtube sem anúncios me salva de grande parte do bombardeio de influência, mas que atire a primeira pera quem nem ao menos cogitou comprar uma camiseta da insider por causa dos anúncios que eles colocam em tudo que é lugar.

guarda-roupa entreaberto em um quarto, com pouca luz. dentro do guarda-roupa, no meio da escuridão, é possível enxergar os olhos de uma pessoa meio sinistra.
sabe o que podia estar no guarda-roupa da senhora ao invés de mim? sim, uma camiseta da insider

e não é que eu não queira coisas; eu quero. eu teria muitas coisas, se me deixasse levar. só que eu entro em um site, coloco várias coisas no carrinho, fico encarando a quantidade de coisas e o preço de cada uma, removo essa porque tá muito cara, aquela porque é só um delírio de consumo e eu nem preciso... quando olho pro preço total, ainda tá acima do que eu acho razoável. e o que você acha razoável, xis? olha, meu cérebro não se atualizou com as correções monetárias e a inflação, então o meu razoável pra compras online sempre será uns 100, 150 reais. ou seja: quando eu completo uma compra online (ou presencial, mas aí é menos impactante porque eu não deixo a calculadora na minha frente me dizendo quanto eu vou gastar), o que raramente é algo abaixo de 200 ou 300 reais, minha mente se encarrega de registrar que nada daquilo é razoável. na verdade, talvez seja o exato oposto.

a realidade é que tá tudo muito caro, e que eu também não gosto de acumular. frequentemente mexo no meu guarda-roupa pra ver o que não uso mais, o que posso doar, e como consequência disso as roupas que entram vêm pra substituir as que foram doadas. minha estante tem um bocado de livros, mais que cem e menos que duzentos, mas eu passo alguns pra frente sempre que possível. talvez a real questão não seja não querer acumular, e sim ter nervoso de coisas paradas e sem uso: pra quê um livro que eu já li parado na estante quando alguém podia estar rindo com ele? eu prefiro deixar no guarda-roupa uma calça que me convenço a cada 2 meses que ainda vou usar, ou doar pra alguém que vai usar e ser feliz com aquilo? existe uma certa beleza em pensar que algo que não faz tanta diferença na sua vida pode deixar alguém feliz, e acho que essa beleza, pra mim, é maior que a felicidade de clicar em “finalizar compra”, ou em passar algo pelo caixa. a gente se condiciona ao sentimento de poder que as compras dão, a espera até que o pacote chegue na nossa casa, e no fim das contas a sensação é meio decepcionante, na maior parte das vezes. tenho tentado me lembrar mais dessa decepção e menos da fantasia — nada que colocar um monte de coisas no carrinho e ficar encarando item por item por meia hora não resolva.

e não é que eu não compre nada, também: esses dias mesmo comprei quatro itens de vestuário (mais de 300 reais, assim como uma calça pra uma jovem de 16 anos), que chegaram anteontem. não foi uma compra essencial, mas também não foi completamente supérflua. a diferença é que, sem estar perdida em meio a outros cinco pacotes que eu estaria esperando chegar, é algo consciente e que eu consigo aproveitar de verdade, ao invés de enfiar no guarda-roupa e quem sabe usar três vezes ao ano. se for olhar, acho que eu uso as mesmas cinco camisetas no dia-a-dia, e outras dez peças quando decido sair mais arrumadinha; o resto é o famoso de vez em nunca. então, compro coisas que se encaixem ou nessa leva do dia-a-dia ou nas arrumações pra sair, coisas que se encaixem em uma necessidade (uma calça jeans com bolsos de verdade, por exemplo), e vou tirando o que fica enterrado no guarda-roupa pra ser usado de vez em nunca.

e eu tô falando de roupa, mas serve pra tudo: livro, caneta, coisa pra manter hobby, quinquilharia... tenho pensado cada vez mais que queria ter menos coisas, e tenho me empenhado em pelo menos não aumentar o número de coisas que eu tenho sem necessidade. tentado usar o que eu já tenho ao invés de querer algo mais novo, bonito ou tecnológico. ontem eu cerzi (!!!) uma calça legging que já tá quase andando sozinha de tanto que eu uso, porque ela me serve maravilhosamente bem e só tinha um rasgo na costura da coxa. minha mãe ficou pra morrer quando eu contei pra ela: meu deus, parece que não tem como comprar outra. e eu até tenho, né?, mas é muito mais legal usar a calça que já tá acostumada com o formato do meu corpo do que comprar outra a cada imprevisto. é como um princípio do uso: você só aproveita algo 100% se esgotar todas as possibilidades de uso antes de decidir que aquilo não vale mais a pena. como uma calça que vira um shorts que vira um retalho, ou uma blusa que vira roupa de ficar em casa que vira um pijama que vira pano de chão.

afinal de contas, calça é calça, camiseta é camiseta, e uma caneta bic escreve uma lista de compras tão bem quanto uma coleção de canetas coloridas da stabilo. e eu nem tenho mais tanto uso pra caneta colorida assim.

terça-feira, 4 de agosto de 2026

rebobinar mais e avançar menos

diarinho #9 

essa postagem faz parte do beda, projeto cujo objetivo é escrever (ou tentar) todos os dias de agosto. tô participando junto com a galera do entreblogs, e você pode dar uma bizoiada no que todo mundo têm escrito aqui :^)

a missão: beda. o obstáculo: eu ter voltado de viagem no domingo, sair sem celular (se estivesse com celular juro por TUDO que eu tinha postado) e começar no emprego novo essa semana. acabou que eu não tava com tempo nem energia pra escrever ontem, mas HOJE??? hoje vai.

no domingo, eu voltei de viagem e amandinha não foi me buscar no aeroporto. é muito bom ter ela perto, estar escrevendo e encostar meu pezinho no dela enquanto ela joga videogame, almoçar junto, assistir filme junto... tô tentando não pensar em como vai ser quando ela for embora. na verdade, tô tentando não pensar em como vai ser na semana que vem, em que ela vai estar no brasil, mas no interior, e só vai voltar pra são paulo quando for embora. será que era assim que romeu e julieta se sentiam? pelo menos a gente tem mensagem instantânea e não corre o risco de sofrer o mesmo desentendido.

assistimos série, cochilamos, arrumei coisas em casa (nada como viajar e voltar pra casa pra amar fazer tarefas de arrumação de novo, risos) e saímos pra passear à noite. como eu iria começar a trabalhar no dia seguinte, estava ansiosa e andar sempre ajuda nesses casos, então foi o que escolhemos; por fim, acabamos indo jantar, tomando uns biricuticos e dormindo de um jeito super picado. sabe quando você fica dormindo e acordando, mas de um jeito que parece que você nem dormiu? pois é. o dia foi muito gostoso, apesar disso. o clima tava gostoso, a noite tava linda. eu não conseguia parar de sorrir. falei com amanda que tinha que escrever pro blog, perguntei o que eu podia postar, e ela me perguntou se eu estava feliz. quando eu disse que sim, ela replicou, do alto dos nossos dois-drinks-cada-uma: posta uma foto nossa e fala que você tá feliz. se eu não tivesse deixado o celular carregando antes de sair, tinha postado ali mesmo, voltando pra casa. nem tiramos uma foto, mas eu estava feliz. é bom demais estar feliz.

comecei no emprego novo e, até agora, corre tudo bem. a firma é bem menor do que a última em que eu trabalhei, e eu sinto que estou “preparada”, entre muitas aspas, pra um nível de pressão maior do que o que terei — o que, não me entendam errado, é ótimo. a última coisa que eu quero é mais um burnout na conta. as pessoas são simpáticas, e estou basicamente lidando com as burocracias do começo: treinamentos, conhecer pessoas, entender como rodam as engrenagens corporativas e por aí vai. os dias têm sido tranquilos e lentos, e eu sinto que o clima seco que faz em são paulo e a saudade batendo à porta começam a deixar um gosto amargo na minha língua, quase como se eu estivesse ficando doente. já tenho um milhão de compromissos engrenados pra assim que amanda for embora, porque inevitavelmente me sentirei muito sozinha: é assim que funciona quando você tem alguém com quem adora passar os dias e então não tem mais. a única coisa que eu tiro disso tudo é que nem a pau vou ficar mais de um ano sem ver essa mulher de novo.

tem sido interessante começar uma rotina nova com amanda aqui. tô aproveitando cada segundo, mas às vezes é inevitável pensar que o dia de ela viajar de volta tá cada vez mais perto. no domingo mesmo, conversando enquanto tomávamos nossos biricuticos, ela me disse que queria que eu enxergasse mais as oportunidades de ser feliz ao invés de só os empecilhos pelo caminho; é o que eu ando tentando fazer. talvez minha meta do momento seja tentar vencer a ansiedade nesse ponto: o de estar sempre com a cabeça correndo dias à frente, sofrendo por antecipação com coisas que nem estão perto de acontecer, e perdendo a oportunidade de ser feliz no agora.

pra terminar: amanda tá jogando algum jogo do mario do meu lado, um que eu nem sei qual é — só sei que não tem escolha de fases, e toda vez que você vence um mundo, aparece um número de toads igual ao número do mundo —; toda vez que ela morre ou vai morrer, usa o comando que eu ensinei pra ela do nintendo switch, em que você consegue rebobinar o jogo (os jovens ainda sabem o que é rebobinar?) até certo ponto. a mulher está obcecada e nunca mais seguiu a ordem natural das coisas e deixou o pobre do mario morrer depois que aprendeu a roubar. eu criei um monstro.

sábado, 1 de agosto de 2026

se apaixonar por tudo (de novo e de novo)

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uma vez, eu tive uma namorada que não gostava que eu usasse a palavra “apaixonada” pra me referir a outras coisas ou pessoas que eu gostasse muito. essa não é uma palavra pra se usar, ela dizia, outras palavras sim, mas essa não

o namoro acabou tempos depois, e eu, que já achava isso uma coisa completamente esquisita à época, continuei achando ainda mais esquisito. porque veja bem, eu, como boa mineira, gosto de dizer que estou apaixonada por várias coisas que eu gosto. sou apaixonada nisso. naquilo, naquela pessoa. naquele artista. longe de mim definir como ela devia se sentir em relação a qualquer coisa, mas também não era da conta dela limitar o meu uso de palavras. eu, hein.

hoje, eu fico pensando que é muito bom se apaixonar. é um sentimento que não se limita a um âmbito romântico — é maravilhoso descobrir coisas novas, livros, séries, pessoas, escritos, uma comida de algum lugar que você nunca tinha pedido antes, e sentir a felicidade de descobrir que aquilo não é só bom, é muito bom. e te faz sentir bem. e ficar pensando naquilo. e querer falar daquilo pra todas as pessoas que você conhece, e sorrir pensando naquilo enquanto você olha pela janela do ônibus, numa cena paralelamente oposta ao compadre washington olhando triste pela janela do ônibus naquele meme que rola por aí.

eu tenho me apaixonado bastante, nos últimos dias. semanas, talvez. voltar pra cá é voltar a me abrir pra sentimentos que eu não sabia que estavam aqui — ou até sabia, mas eles estavam há tanto tempo adormecidos que achei que não fossem acordar, mais. é como se fosse 2009 de novo e eu fosse abrir meu orkut, meu msn, me emocionar com a possibilidade de jogar um rpg e conversar com todas as pessoas que eram inacreditavelmente parecidas comigo... ah, vá lá, iguais. a delícia de se sentir pertencente. de saber que você gosta muito de algo. de ter pessoas com quem conversar em caps lock e palavras malucas, que só faziam sentido naquele contexto. eu fico pensando se algumas das pessoas que eu leio sabem que eu penso nelas durante o dia e dou um sorrisinho, enquanto penso “meu deus, essa pessoa é muito maneira!! queria que fosse minha amiga!!!” e, ao mesmo tempo, me mantenho quietinha no meu canto, a uma distância segura pra não estragar a emoção do momento. porque a gente sempre tem medo de que dê errado, também, né? a gente sempre tem medo.

acho que a paixão tem a ver um pouco com esse medo, também. é o frio na barriga, o medo de um perigo que nem é perigo, se você pensar direito. é a explosão de adrenalina.

que gostoso é poder me apaixonar de novo tantas vezes.

✶✶✶

cês acreditam que isso aqui tava nos meus rascunhos desde JULHO DE 2021??? tem coisa que eu escrevo, deixo aqui, o tempo passa e eu não faço a menor ideia de por que não publiquei. dos rascunhos que eu fuxiquei, esse era o mais “pronto” e que eu mais achei que fazia sentido com meu momento atual — se bem que eu estou sempre falando do quanto eu sou apaixonada pelas coisas, ou acho importante se apaixonar por viver. depressivos também amam, etc etc!!! também ando bem apaixonada por estar perto de amandinha não nos últimos tempos — deitar junto na cama e ficar falando abobrinha junto é bom demais :^) e vocês, andam se apaixonando por alguma coisa por aí?

quarta-feira, 29 de julho de 2026

bedauena bedaueeenaaa

essa postagem é algo como um pré-beda/bewa, já que vou me arriscar junto com a galera do entreblogs. dá pra ver os participantes aqui!

à zero hora do dia 25, o entreblogs revelou qual seria a temática do primeiro BEDA (blog every day august, ou “blogando todo dia em agosto”) do coletivo: uma campanha de d&d. ba e igor, os idealizadores, conseguiram até me deixar intrigada com todo o mistério acerca do que estavam planejando — eu, alguém que não consegue pensar em postar todo dia desde que tinha, sei lá, 16 anos? menos? uma loucura. junto à revelação do tema, abriram também as inscrições para participar (todo mundo pode fazer o beda livremente, mas se inscrevendo no projeto dá pra acompanhar as postagens do pessoal do coletivo num lugar só), e lá fui eu fuxicar a página do projeto e o formulário pra saber como iria funcionar.

agora deixa eu ser sincera: como a pessoa meio-que-cronicamente-cansada que sou, de cara bateu o desânimo quando eu vi que a ideia era criar uma personagem pra participar da coisa toda. por sorte, eu também sou muito autoconsciente, o que me fez entender imediatamente que eu é que sou rabugenta e chata, não a iniciativa. ela, na real, é maneiríssima. e além de eu ser chata, é meio irônico que eu tenha ficado desanimada com a ideia de criar uma personagem quando eu passei pelo menos uns 10 anos da minha vida jogando rpg de fórum e criando personagens a torto e a direito; acho que só me bateu o cansaço de precisar criar, porque estou numa fase da vida em que eu me sinto perdida e estou tentando encontrar sentido nas coisas, sem sucesso. quando a gente não vê sentido em nada, é difícil querer criar, e mais difícil ainda conseguir criar.

com isso tudo, de dia 25 até hoje eu fiquei matutando se faria ou não parte do BEDA do entreblogs: não queria reaproveitar nenhuma personagem que eu já tenho, porque todas elas têm histórias fechadas e... bom, porque eu amo muito cada uma das personagens que eu já criei, e não conseguiria usar uma delas só como um avatar. elas têm voz e personalidade próprias, e quem escreve aqui continuaria sendo eu; não faz sentido usar a cara de um deles pra falar coisas minhas. até que hoje, viajando pra juiz de fora, pensei: e se ser meio doida, chata e rabugenta for o meu conceito? algumas horas depois, de uma cabeça que se dizia cansada demais pra criar, surgiu uma outra-eu, a visão do meu futuro medieval (?): uma senhora meio rabugenta que vai falando e pensando e se perdendo no próprio raciocínio, que gosta de conversar com os outros, que adora pensar em tudo o que já viveu, que quer ajudar outras pessoas em seus caminhos com o que aprendeu na própria jornada.

do nome do meu mais recente café favorito em são paulo, nasceu dona zelda.

uma véia que só quer comer pão de queijo e falar na cabeça dos outros

como eu realmente não queria criar uma personagem e sim algo como um alter-ego — uma versão minha no universo do dungeons & blogs —, dona zelda nada mais é do que minha versão idosa, cabeluda e sem precisar trabalhar na frente de um computador, já que vive num universo fantástico (ô, glória). uma senhora meio biruta das ideias que gosta de conversar e não liga muito se está fazendo sentido ou não (o que, agora que eu penso, se assemelha muito ao que os oráculos representam na mitologia... será que ficar tagarelando sobre os mesmos assuntos e não revisar meus textos faz de mim um oráculo moderno?). pensando em mim e no meu momento atual, criei alguém que não tem uma grande aventura pela frente e se contenta com as pequenas surpresas do dia-a-dia enquanto se lembra de tudo o que já viveu, aconselhando (e confundindo) os viajantes que passam por ali e que aguentam uma conversa sem pé nem cabeça só pra comprar um saquinho de pães de queijo pra forrar o estômago enquanto lutam contra os males do mundo, resgatam princesas, ou o que diabos estejam prestes a fazer.

com essa grande reflexão sobre criação e pensando sobre a história dessa velha doida (que sou eu!!!, e que não sou eu ao mesmo tempo!!!), digo também que vou tentar escrever o máximo possível em agosto. não sei se vou ter assunto, energia ou coragem pra escrever todo dia, mas coloquei nas anotações do celular algumas ideias que sempre surgem e que, sem anotar (hehe.... he.... h.. e...) eu sempre esqueço. também tem o fato de que vou começar em um emprego novo no começo do mês, e de eu estar com minha namorada aqui!!!! e não querer passar nenhum segundo desgrudada dela!!!!!, então veremos no que tudo isso vai dar. minha intenção é postar pelo menos semanalmente, o que a comunidade blogueira chama de BEWA (blogar toda semana — week —, ao invés de todo dia). vem aí!!! uma coisa muito grande!!! ou talvez não venha aí, e tudo bem também!!!!


ps: tenho postado pelo celular porque toda hora tô viajando pra algum lugar sem meu  computador e MEU JESUS CRISTINHO, QUE DIFÍCIL. tô escrevendo pelo app do blogger, e entrando pelo blogger no navegador pra conseguir formatar a postagem direitinho. socorro. mandem orações 🙏

terça-feira, 21 de julho de 2026

eu sonhei que tinha escrito esse post

uma vez eu li que é impossível ler em sonhos, ou que se você olha pras suas mãos enquanto sonha vai perceber que está sonhando. eu nunca tive motivos pra olhar pras minhas mãos em um sonho, então não sei se isso é verdade, mas hoje acordei sonhando que estava escrevendo uma postagem pra cá. pior: pelo celular. achei tão aleatório que resolvi escrever, numa linha meio eu-previ-que-isso-ia-acontecer-então-vou-fazer-acontecer.

recentemente, participando do entreblogs e em tempos de pré-BEDA (blog every day august, ou “blogando todo dia em agosto”), tenho pensado se faz sentido participar de grupos de blogagem coletiva com temas e objetivos; minha motivação pra escrever é só... escrever, mesmo, pra tirar meus pensamentos da nuvem confusa que existe na minha mente e colocar tudo num lugar que eu consigo acessar de onde eu estiver. meu objetivo atual com meu diário, por exemplo, é não demorar tanto a escrever sobre algo que aconteceu na minha vida a ponto de sentir a necessidade de contextualizar tudo o que aconteceu até ali, porque senão a eu do futuro não vai entender quando voltar pra ler daqui a um, três, cinco anos. eu preciso dessa constância e cronologia porque eu quero usufruir disso quando estiver relendo minha vida, no futuro. ao mesmo tempo que não me interessa tanto falar de tudo o que acontece no dia-a-dia, são essas coisinhas quase insignificantes e extremamente esquecíveis que fazem falta quando eu tento me lembrar do passado. os detalhes são o tempero da memória: são eles que tornam a experiência em algo real quando eu leio, dando cor aos grandes acontecimentos, gravando a fogo a minha pessoalidade em cenas que poderiam ter acontecido com qualquer um.

enfim. mesmo escrevendo só sobre mim, há uma infinitude de coisas que são sobre mim e se encaixam em temas, também, eu acho. então a minha resposta pra essas questões é a mesma de sempre:


se o tony ramos disse, quem sou eu pra desdizer

quando o BEDA começar eu estarei prestes a começar em um emprego novo, o que pode render bons registros, o que também me deixa feliz, porque a escrita é minha forma de tirar fotografias da vida. vai ser bom lembrar exatamente como eu me senti, o que eu fiz e o que pensei.

quanto à vida atualmente: acabei de assistir the drama e minha namorada está tirando um cochilo deitada em um colchão. estamos no interior, na casa da mãe dela; eu estou aproveitando cada momento, já que não vejo essa dorminhoca há mais de um ano e ainda não sabemos quando nos veremos de novo. meus dias têm tido mais cor, eu consigo dar uma cafungada no cangote sempre que quero sentir o cheiro da pele dela, e posso dizer “eu te amo” no pé do ouvido ao invés de escrever uma mensagem no whatsapp, então diria que as coisas andam melhores do que estavam há um tempinho. que delícia, não?

segunda-feira, 6 de julho de 2026

a vida pode ser boa, se você deixar

diarinho #8

eu ando meio cansada.

é engraçado que se possa estar cansada e desempregada ao mesmo tempo, eu sempre penso, quase como se fosse injusto; afinal, eu não faço muita coisa. afinal eu existo precariamente, poucos movimentos, pouca comida, pouca água, pouca cabeça pra pensar em qualquer coisa que seja. eu como porque tenho que comer, limpo a casa porque tenho que limpar, encontro algum ânimo pra assistir um vídeo, ler um livro; eu saio pouco. eu abro meu e-mail todos os dias, horrorizada, esperando mais negativas e nenhuma boa notícia.

às vezes (será que é sempre?), eu morro de medo que Outras Pessoas encontrem o meu blog: a gente existe de maneiras diferentes em lugares diferentes, e tenho medo que alguém que me vê de um jeito me veja de outro. quem me conhece diferente sabe que eu sou assim, uma pessoa que tenta existir sem pedir desculpas. unapologetic, a palavra em inglês. no ambiente de trabalho não dá pra ser sempre a mesma pessoa sem pedir desculpas, não dá pra dizer que se está mal e que mal se consegue levantar e encontrar um motivo pra apertar botões e teclinhas que vão ganhar dinheiro pra alguém bem mais rico que eu. me contento em ser a melhor pessoa que posso ser no trabalho, sem falar do que é proibido, mas ainda sendo eu; quero mostrar pras pessoas quem eu sou de verdade, mas morro de medo que elas me vejam. eu não ligo, mas ligo. todo mundo quer ser aceito e ser amado, não é?, e eu não preciso que alguém me ame a partir de quem eu sou de verdade, mas tenho medo de que alguém que me via como A Minha Melhor Versão Do Trabalho veja o que eu sinto, como eu falo, e já não goste mais de mim.

é irônico. tenho pensado muito nisso: as pessoas do trabalho. volta e meia alguma me vem à cabeça quando vejo algo que desperta uma lembrança; um cachorrinho? aquele rapaz do sul. um jogo? a desenvolvedora. legos? o rapaz que me via todo dia, na segunda pela manhã, os dois com a cara de cansaço de quem sabe que a semana vai ser longa. todas essas pessoas existem na minha vida e, ao mesmo tempo, não existem mais; agradeço pela minha amiga que escreve em cadernos, que usa agendas, que desenha e que deixa o sobrinho pintar com os dedos, fazer uma bagunça, essa amiga que o trabalho me apresentou e que o mundo me deu. agradeço pela outra amiga, a líder, que saiu da empresa e que o mundo já tinha me dado de presente. não dá pra levar todo mundo pra vida, eu acho. não há botes o suficiente no titanic.

daqui a três dias vai fazer quatro meses que fui demitida. umas vezes penso: que oportunidade perdida. outras vezes: é a vida. eu andava infeliz e a vida anda pra frente, ela decide antes que a gente consiga olhar pras opções, ela segue e a gente é obrigado a seguir com ela, senão fica pra trás. eu segui alguns dias, e em outros assisti ela se tornar uma figura cada vez menor no horizonte. não dá pra gente estar bem o tempo todo, mas é preciso tentar. por si, no máximo — porque é mais fácil, é o mínimo, estar bem pelo outro. é difícil encontrar motivo pra cuidar de si. falo sempre com amanda: somos muito cruéis com a gente. a minha imagem no espelho é sempre mais feia. o erro que eu cometi é sempre pior. posso perdoar o outro, mas parece impossível perdoar a si. por que isso? eu queria saber.

os últimos dias têm seguido mais tranquilos, apesar de ainda difíceis; oportunidades despontam, me lembram que o mundo não vai acabar enquanto eu grito pra dentro de mim que é o fim dos tempos. a vida me mostra a situação de maior insegurança que eu já vivi, e eu respiro fundo: tudo tem que ser vivido antes que se saiba como viver. uma frase escrita a fogo na minha mente, desde não-sei-quando: i'll try anything once. e pergunto de onde é, e encontro a demo de you only live once, dos strokes. ouço pela primeira vez, e me pergunto como essa frase foi parar na minha vida. é improvável que eu me lembre, e me contento com isso; a gente tem que viver as coisas pra poder saber como agir só depois. a vida é um manual de instruções que se escreve depois de cada jogada, e eu sempre digo que é melhor aprender fazendo. se a gente vive as coisas mais fantásticas pra se lembrar depois, nada mais natural do que viver as mais doloridas também. a dor é menor da segunda vez, porque a gente consegue se preparar. porque há uma referência.

joguei o capítulo recém-lançado de um dos meus jogos preferidos. a esperança me encara de longe, um pontinho que vai ficando maior enquanto se aproxima cada vez mais. a pessoa que eu mais amo no mundo vai estar ao alcance das minhas mãos pela primeira vez em mais de um ano. encontro amigos em dias de sol, tomo café, termino um livro, lavo o banheiro toda semana, reclamando: tá muito frio! minha amiga, uma das que eu mais admiro, me diz: vai dar tudo certo pra você! você é muito boa no que faz, e eu penso: ela acha que eu sou muito melhor do que eu sou. e eu penso: e se eu decidir acreditar, mesmo que só por um instante?

domingo, 7 de junho de 2026

todas as histórias de amor se entrelaçam

diarinho #7

hoje assisti os dois últimos episódios de heated rivalry com amanda. foi engraçado, porque apesar de ser uma série boa no geral, foram justamente esses dois episódios que me fizeram encher o saco da pobre da minha namorada pra que ela assistisse a série comigo — a série tem muito foco no sexo, mas desemboca em assuntos mais emocionais, além de ser surpreendentemente gostosa de assistir pela direção (artística e geral), roteiro, atuação e edição.

só faltavam esses dois, e paramos na metade do penúltimo porque começamos a relembrar coisas da nossa história. foi muito bom pra me lembrar de como eu preciso escrever mais, e escrever sempre, porque grande parte do nosso repertório do que aconteceu na semana em que a gente se conheceu e outro bocado de coisas desde então está em um blog que eu uso pra escrever coisas pessoais, ou no meu listography. a gente não pensa que vai fazer tanta diferença escrever algumas coisas, mas a verdade é que faz, né? é o que a gente escreve que pode ser relido, é o que pode ser relido que mostra o que a gente sentia, como a gente se sentia, o que estava acontecendo. claro que vai ser sempre um ponto de vista, mas quão privilegiados são os que podem ler seus pontos de vista sobre coisas que aconteceram há quase oito anos? amanda me lembrou de coisas que eu escrevi pra ela que eu nem lembrava de ter escrito, porque o tempo passa, a gente escreve mais um monte de coisa, vive outro monte, e se esquece. mas quando a gente escreve, dá pra lembrar. vou até deixar o link pro caso de alguém querer ler o relato da semana em que conheci o amor da minha vida, porque amanda disse que foi a coisa mais bonita que alguém já escreveu pra ela (eu rebati que, se um dia a gente casar, vou precisar nem escrever votos, porque já tá pronto! olha que beleza).

eu fiquei realmente pensativa depois disso. tenho estado pra baixo e deprimida, o que geralmente me deixa com pouca ou nenhuma vontade de escrever — de fazer qualquer coisa, na verdade, mas parece que a criatividade morre mais rápido que o resto das vontades. fiquei pensando no quão importante é escrever até por isso: pra lembrar que, por mais que a criatividade morra, ela volta de novo e de novo e de novo. algo que me deixa meio triste é pensar que eu já escrevi tanta coisa linda e hoje sou só sapo ensaboado, mas como é que eu vou voltar a escrever coisas lindas se eu não estiver lendo e vivendo e me inspirando e escrevendo coisas bobas, também?

enfim. amanda quer ver duzentos-e-alguma-coisa de filmes até o ano acabar, e ontem assistimos la la land. eu tinha ranço desse filme quando foi lançado, muito provavelmente por comentários de twitter e pela pequena confusão na revelação do oscar de melhor filme em 2016 (quem viveu sabe), mas amanda sempre amou e se revoltou por eu nunca ter assistido; me propus a assistir (já que ela foi obrigada a assistir a série comigo kkkk), amei a fotografia, chorei copiosamente e fui #exposta no instagram de amanda pós filme. um ótimo filme pra se assistir, recomendo. ontem mesmo, também reassistimos (500) dias com ela, um clássico de todo jovem indie millenial e também desembocamos em conversas sobre nossas vidas e nossos relacionamentos — uma com a outra e também com outras pessoas. é engraçado como assuntos de amor se puxam uns aos outros.

(ah, a quem interessar: amanda gostou de heated rivalry, no fim das contas)

em outro assunto, estou fazendo ponto-cruz pra me distrair e manter a mente afastada do desânimo. assim que terminar de bordar o que estou fazendo nesse momento (uma versão pequenininha d'o grito, de munch), mostro pra vocês, porque peguei um pedaço de etamine e resolvo aproveitar inteiro pra bordar um monte de coisas, e as outras coisas que eu bordei estão meio prensadas no bastidor, no momento.

até!

quarta-feira, 3 de junho de 2026

pequenas constatações & um golpe

ultimamente, não tenho usado meu computador por muito tempo — só pra dar uma olhada em vagas, me candidatar, mexer em algumas coisas, e saio logo em seguida. por essa razão, dependo do aplicativo do feedly pra conseguir ler os blogs que acompanho pelo celular.

só que ele. não. abre.

minha rotina com o feedly há umas duas semanas é:

  • clicar no ícone do aplicativo
  • ele não abrir
  • desinstalar e instalar de novo
  • ele continuar não abrindo

nesse ponto, eu largo pra lá, pensando: eventualmente ele volta a funcionar. mas eventualmente QUANDO???

...e é por isso que eu ando sumida.

✶ ✶ ✶

tenho tentado desesperadamente não ficar deprimida com as perspectivas do mercado de trabalho, mas tem sido um pouco impossível. eu trabalho com design de produtos digitais, e com a alta da IA, o que mais tem é gente sendo demitida (em massa ou não) porque as empresas querem cortar gastos sem cortar escopo (ou seja, sobrecarregando gente com mais coisa pra fazer, porque todo mundo supostamente é mais produtivo, agora).

só sei que eu tô cansada. genuinamente cansada, deprimida, sem emprego e com aquele medo gostoso (só que ao contrário) de acabar a reserva e eu não ter como pagar minhas contas no fim do mês. que época difícil pra se estar desempregado, viu? vou contar pra vocês.

a vida, no entanto, não tem sido só coisas ruins (apesar de a sensação ser essa com alguma frequência). assisti a última temporada de euphoria com minha digníssima, estou revisando o livro da vanessa, vi heated rivalry inteira (gostei e achei muito bem escrita e editada) e os dois primeiros episódios de off campus (nada me tira da cabeça que esse é o novo high school musical dos jovens). tô tentando terminar o livro que comecei a ler há um milhão de anos (oração para desaparecer), porque ele simplesmente não me pegou. e bordei um sapinho em ponto-cruz que me deixa feliz só de olhar pra cara dele.

✶ ✶ ✶

imagine que você vê um post no instagram falando de um encontro de conversa, com a foto de uma autora que você gosta muito e sua obra favorita dela. o encontro vai ser perto da sua casa. você obviamente vai, certo?

isso foi o que eu e meu amigo emilio pensamos, quando ele me mandou um print do post (pois eu sou uma eremita sem redes sociais), há mais ou menos um mês. falei que ia anotar no meu calendário, e ficamos os dois empolgadíssimos, planejando já chegar com uma hora de antecedência, já que esse tipo de evento geralmente enche — afinal, era uma autora internacional.

cheguei com antecedência e mandei mensagem pra ele. o lugar tá fechado, mas já vão abrir, eu disse, esperando dentro da livraria da rua, que iria promover o evento. essa livraria tem uma outra loja mais pra frente na rua, chamada de “mercadinho”, onde eles vendem livros usados. tá bom, tô esperando o uber, ele me responde. quando ele chega, ficamos esperando o mercadinho abrir.

uma moça, arrumando o espaço, nos explica que é um encontro de clube do livro. que legal, nunca vejo clubes do livro lendo quadrinhos!, eu elogio. ela concorda, comentando que tinha sido o primeiro quadrinho do clube também. o relógio alcança a hora divulgada do evento. eu olho pro emilio, ele olha pra mim. estranho, mas tudo bem, eventos atrasam! não comentamos muito sobre a autora com a moça do evento, ajudamos a arrumar algumas coisas e ficamos conversando.

mais gente chega, todo mundo nos cumprimenta, e as engrenagem do meu cérebro começam a rodar. ela lançou algum livro recentemente? não, eu me respondo. não que eu saiba. e o livro que vai ser discutido foi lançado em 2003. será que... não, não pode ser, eu afasto o pensamento. o post no instagram era claro, né? ...né? eu procuro a imagem que o emilio tinha me mandado. “Clube de leitura”, uma foto da autora, uma imagem do livro, e embaixo escrito “Encontro” com a data em frente. vago, né?

pois é. vago o suficiente pra ser só um encontro de clube do livro que eu e emilio basicamente invadimos, achando que seria um evento com a marjane satrapi, autora de persépolis. ficamos meio rindo, meio em desespero durante todo o encontro. foi divertido, as pessoas eram legais, mas me senti um pouco a camila fremder indo em um podcast achando que era outro porque não leu direito o e-mail.

esses dias, emilio me manda mensagem: a imagem de outro post, no mesmo estilo do que nos enganou. o golpe tá aí, cai quem quer. quem não quer também, aparentemente.

domingo, 3 de maio de 2026

pequenos e grandes acontecimentos

diarinho #6

dois personagens de "moomin", e um deles, que usa óculos, diz: "ah, eu sou uma falha! eu não tenho talento!" em inglês.

(em lista e fora de ordem, porque eu ando prolixa e quando pegar pra escrever precito ter tempo)

  • fui demitida em meio a uma crise de burnout que já durava alguns meses
  • tirei mini-férias (minha demissão foi logo antes de férias programadas)
  • comecei a refletir sobre como o meu valor enquanto pessoa estava se fundindo ao meu valor enquanto profissional (credo)
  • comprei um computador pra fazer minhas coisinhas
  • tomei vários cafés com o joão (nota para mim mesma: preciso criar uma página “pessoas”, pra colocar todo mundo que eu cito aqui por nome — é meio chato ficar colocando apostos pra falar das pessoas o tempo todo)
  • meus amigos davi, zé e júlia vieram me visitar em são paulo
  • fiquei maluquinha
  • visitei meus pais e amigos em juiz de fora e me diverti horrores
  • fui babá de cachorro
  • estou fazendo maquiagens doidas mais uma vez (não fazia nada disso desde a pandemia)
  • fui a um show do maglore no cine jóia
  • li comentários nas minhas postagens anteriores e pensei: então, agora eu tenho um computador, né...
  • logo em seguida, pensei: preciso voltar a postar no meu blog

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