quarta-feira, 3 de junho de 2026

pequenas constatações & um golpe

ultimamente, não tenho usado meu computador por muito tempo — só pra dar uma olhada em vagas, me candidatar, mexer em algumas coisas, e saio logo em seguida. por essa razão, dependo do aplicativo do feedly pra conseguir ler os blogs que acompanho pelo celular.

só que ele. não. abre.

minha rotina com o feedly há umas duas semanas é:

  • clicar no ícone do aplicativo
  • ele não abrir
  • desinstalar e instalar de novo
  • ele continuar não abrindo

nesse ponto, eu largo pra lá, pensando: eventualmente ele volta a funcionar. mas eventualmente QUANDO???

...e é por isso que eu ando sumida.

✶ ✶ ✶

tenho tentado desesperadamente não ficar deprimida com as perspectivas do mercado de trabalho, mas tem sido um pouco impossível. eu trabalho com design de produtos digitais, e com a alta da IA, o que mais tem é gente sendo demitida (em massa ou não) porque as empresas querem cortar gastos sem cortar escopo (ou seja, sobrecarregando gente com mais coisa pra fazer, porque todo mundo supostamente é mais produtivo, agora).

só sei que eu tô cansada. genuinamente cansada, deprimida, sem emprego e com aquele medo gostoso (só que ao contrário) de acabar a reserva e eu não ter como pagar minhas contas no fim do mês. que época difícil pra se estar desempregado, viu? vou contar pra vocês.

a vida, no entanto, não tem sido só coisas ruins (apesar de a sensação ser essa com alguma frequência). assisti a última temporada de euphoria com minha digníssima, estou revisando o livro da vanessa, vi heated rivalry inteira (gostei e achei muito bem escrita e editada) e os dois primeiros episódios de off campus (nada me tira da cabeça que esse é o novo high school musical dos jovens). tô tentando terminar o livro que comecei a ler há um milhão de anos (oração para desaparecer), porque ele simplesmente não me pegou. e bordei um sapinho em ponto-cruz que me deixa feliz só de olhar pra cara dele.

✶ ✶ ✶

imagine que você vê um post no instagram falando de um encontro de conversa, com a foto de uma autora que você gosta muito e sua obra favorita dela. o encontro vai ser perto da sua casa. você obviamente vai, certo?

isso foi o que eu e meu amigo emilio pensamos, quando ele me mandou um print do post (pois eu sou uma eremita sem redes sociais), há mais ou menos um mês. falei que ia anotar no meu calendário, e ficamos os dois empolgadíssimos, planejando já chegar com uma hora de antecedência, já que esse tipo de evento geralmente enche — afinal, era uma autora internacional.

cheguei com antecedência e mandei mensagem pra ele. o lugar tá fechado, mas já vão abrir, eu disse, esperando dentro da livraria da rua, que iria promover o evento. essa livraria tem uma outra loja mais pra frente na rua, chamada de “mercadinho”, onde eles vendem livros usados. tá bom, tô esperando o uber, ele me responde. quando ele chega, ficamos esperando o mercadinho abrir.

uma moça, arrumando o espaço, nos explica que é um encontro de clube do livro. que legal, nunca vejo clubes do livro lendo quadrinhos!, eu elogio. ela concorda, comentando que tinha sido o primeiro quadrinho do clube também. o relógio alcança a hora divulgada do evento. eu olho pro emilio, ele olha pra mim. estranho, mas tudo bem, eventos atrasam! não comentamos muito sobre a autora com a moça do evento, ajudamos a arrumar algumas coisas e ficamos conversando.

mais gente chega, todo mundo nos cumprimenta, e as engrenagem do meu cérebro começam a rodar. ela lançou algum livro recentemente? não, eu me respondo. não que eu saiba. e o livro que vai ser discutido foi lançado em 2003. será que... não, não pode ser, eu afasto o pensamento. o post no instagram era claro, né? ...né? eu procuro a imagem que o emilio tinha me mandado. “Clube de leitura”, uma foto da autora, uma imagem do livro, e embaixo escrito “Encontro” com a data em frente. vago, né?

pois é. vago o suficiente pra ser só um encontro de clube do livro que eu e emilio basicamente invadimos, achando que seria um evento com a marjane satrapi, autora de persépolis. ficamos meio rindo, meio em desespero durante todo o encontro. foi divertido, as pessoas eram legais, mas me senti um pouco a camila fremder indo em um podcast achando que era outro porque não leu direito o e-mail.

esses dias, emilio me manda mensagem: a imagem de outro post, no mesmo estilo do que nos enganou. o golpe tá aí, cai quem quer. quem não quer também, aparentemente.

domingo, 3 de maio de 2026

pequenos e grandes acontecimentos

dois personagens de "moomin", e um deles, que usa óculos, diz: "ah, eu sou uma falha! eu não tenho talento!" em inglês.

(em lista e fora de ordem, porque eu ando prolixa e quando pegar pra escrever precito ter tempo)

  • fui demitida em meio a uma crise de burnout que já durava alguns meses
  • tirei mini-férias (minha demissão foi logo antes de férias programadas)
  • comecei a refletir sobre como o meu valor enquanto pessoa estava se fundindo ao meu valor enquanto profissional (credo)
  • comprei um computador pra fazer minhas coisinhas
  • tomei vários cafés com o joão (nota para mim mesma: preciso criar uma página “pessoas”, pra colocar todo mundo que eu cito aqui por nome — é meio chato ficar colocando apostos pra falar das pessoas o tempo todo)
  • meus amigos davi, zé e júlia vieram me visitar em são paulo
  • fiquei maluquinha
  • visitei meus pais e amigos em juiz de fora e me diverti horrores
  • fui babá de cachorro
  • estou fazendo maquiagens doidas mais uma vez (não fazia nada disso desde a pandemia)
  • fui a um show do maglore no cine jóia
  • li comentários nas minhas postagens anteriores e pensei: então, agora eu tenho um computador, né...
  • logo em seguida, pensei: preciso voltar a postar no meu blog

domingo, 1 de março de 2026

existe auto-ghosting?

ei, sumidaaaaaa!

sempre que eu fico muito tempo sem escrever, me sinto como uma dessas duas maneiras: ou como se estivesse me escondendo atrás de uma cortina translúcida, onde todo mundo consegue me enxergar; ou como se estivesse empilhando pratos de tamanhos diferentes na pia da cozinha enquanto os ensaboo, quando podia simplesmente ir enxaguando um bocado e colocando no escorredor.

a primeira é porque não existe um motivo bom o suficiente pra não escrever, e eu sei que vir pra cá me faz bem, então sempre acaba surgindo uma vergonhazinha em deixar de lado algo que eu gosto bastante — não ler os blogs que eu gosto, não responder os comentários. é, numa comparação meio esdrúxula, como se eu estivesse fugindo da terapia, porque sempre volto meio que me justificando, mesmo que mais pra mim mesma do que qualquer outra coisa.

a segunda é porque eu sinto que minha cabeça existe num estado de bagunça mental tão grande que eu vou fazendo pilhas de coisas-que-farei-quando-estiver-menos-atarefada, ao invés de ir fazendo uma coisinha de cada vez, sem desespero. funciona assim: meu cérebro, o coordenador de tudo, pensa "as coisas estão complicadas no trabalho? pois vamos desligar a energia de todos os outros aspectos da sua vida e direcionar pra cá. lazer, reflexão, autocuidado? nããão, ninguém precisa disso, tá doida?", e assim eu acabo dois, três, quatro meses tentando melhorar em um aspecto e falhando, porque o que me sobrecarregava não eram as outras coisas que eu cortei na esperança de equilibrar meu mundo novamente.

tudo parece horrível, mas pelo menos eu fui babá de cachorro na virada do ano

a terceira maneira bônus, que também é o motivo pelo qual eu demoro a escrever cartas, é que eu não gosto de escrever quando não tenho coisas boas a dizer. é um motivo meio burro, se eu for bem sincera — eu gosto bastante de ler quando outras pessoas destrincham os sentimentos difíceis de lidar e falam sobre não estarem bem —,  mas acho que, quando o assunto é lidar com sentimentos difíceis, é frequente se permitir tomar decisões meio burras: me isolar de qualquer presença humana, pedir comida ao invés de cozinhar, me manter longe dos meus passatempos enquanto reassisto alguma série pra evitar que minha cabeça pense demais. eu não queria chegar aqui e falar que estou mal, mês após mês, porque não quero sentir que estou pesando o clima, ou sobrecarregando alguém. sobrecarregando meus amigos, na verdade — será que é brega eu considerar vocês meus amigos? (não respondam!!!! meu coração tem buraquinhos!!!)

a coisa é que houve momentos bons de novembro pra cá, é claro; eu fui babá de bicho, fiz aniversário, vi meus amigos, fiz uma trilha e quase morri (mas não morri), joguei coisas novas, fiz tatuagens, recebi uma carta maravilhosa da van de presente de aniversário, que foi tão surreal que eu mantive a maioria das coisas dentro da caixa, pra poder me lembrar e pra registrar. só que esses momentos bons parecem estar sempre sob uma sombra pesada, como um dia de chuva que faz com que você cancele seus planos de piquenique. então, eu vou postergando tudo: falar de despesas, falar de cachorro, falar de aniversário, falar de saudades, falar de amizades, porque falar de qualquer coisa vai desaguar em falar que eu não estou bem, e eu não quero falar que não estou bem. só não sei ainda se não quero falar isso pra mim mesma, porque estou cansada de ouvir, ou se pra vocês, porque na minha cabeça estão cansados de ouvir. vai saber.

juro pra vocês, dá muito trabalho ser doida e complexada. eu tô escrevendo, me autoanalisando e balançando a cabeça negativamente. coméquipode.

dito isso, com esses pensamentos que vinham rondando a minha cabeça: estou de volta! com umas 3 postagens nos rascunhos que talvez tenham perdido o timing, com a nuvem carregada em cima da minha cabeça, mas estou de volta. talvez ainda não esteja de volta pra escrever cartas, porque ninguém merece receber um boletim do meu estado mental e eu não sei não ser prolixa, mas estou por aqui. saudades de não sentir saudades, etc etc etc, porque mesmo triste a gente ainda pode ter momentos com um sorriso no rosto, e ler vocês escrevendo, comentando e existindo é esse momento, pra mim (dentre outros).

p.s.: também tenho pensado em fluxo de escrita e em como tentar fazer mais sentido. talvez eu traga isso pra cá eventualmente, mas tô tentando colocar em prática desde já.

p.p.s.: tô pra mandar mensagem pra algumas psicólogas e voltar a fazer terapia, juro. só preciso sair um pouco mais do estado empilhando-vários-pratos-de-tamanhos-diferentes dentro da minha cabeça.

p.p.p.s.: gente, e esse negócio de texto com travessão ser termômetro pra escrita de IA? e a gente que gosta de travessão, como fica?????????? é preciso muita confusão mental pra escrever meus textos, tá. AI could never!!!

p.p.p.p.s.: e aí, vocês tão vendo a novela ou o bbb?

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