sábado, 17 de outubro de 2026

por que eu amo cartas e acho que você deveria amar também

(eu tenho escrito pra cá todo dia ultimamente, e não sei se gosto do fato de que estou empolgada, me contento com a possibilidade de só estar sofrendo do ócio pelo repouso pós-extração dos sisos, ou fico com medo de estar em mania e meio obcecada em escrever.)

voltando da minha consulta na dentista pra tirar os pontos da gengiva (vencemos essa, time!!!), eu passei nos correios pra postar duas cartas. chegando em casa, enquanto eu jantava, o interfone tocou: tinha chegado uma correspondência.


duas imagens: a primeira é uma foto de dois envelopes no meu colo, enquanto estou sentada em um ônibus; é possível ver meus sapatos, o chão do ônibus, minha mão e minha ecobag. na segunda imagem, o envelope e a carta que recebi de minha amiga vanessa, do blog "tristezinhas cotidianas".
algumas vão, outras chegam

eu quero falar sobre cartas. na verdade, repetir coisas que eu provavelmente já disse, e contar uma história que eu espero que afague o coração de alguém tanto quanto afaga o meu. eu falo em cartas com uma boa frequência, tenho sempre alguma carta atrasada pra escrever, e vivo na expectativa de aparecer alguma coisa na minha caixinha de correio que não sejam panfletos de pizzaria. às vezes, aparece.

pois bem: eu tenho uma amiga chamada letícia, que conheci no antigo trabalho. lê decidiu me fazer um presente de aniversário especial em 2024: um marcador de livro, ilustrado e pintado por ela, de uma menina com uma galinha (eu amo galinhas). ela teve a ideia de enviar o marcador junto a uma carta, mas a cada dia que não terminava o desenho, descartava o que tinha escrito e começava outra vez no dia seguinte. em algum ponto, decidiu enviar tudo o que escrevesse a partir dali, quase um “diário criativo” da feitura do presente. ela escreveu:

Como a cada dia que não termino seu presente acabo reescrevendo a carta que acompanharia, decidi enviar todas elas, como parte do processo!

Talvez seja estranho? Espero que não. Talvez seja um entretenimento quando ler? Espero que sim! Pelo menos parece algo que Elizabeth Bennet ou Margareth Hale fariam — e que pareceria um toque especial.

lê me escreveu do dia 11 ao dia 23 de janeiro, só como forma de fazer uma graça. a carta chegou pouco depois do meu aniversário, um envelope com um marcador de livro e cinco folhas escritas.

eu penso nela, frequentemente, há mais de 2 anos.


Uma carta escrita à mão, com os dizeres: "15/jan/2024. Como vai, Xis? Espero que bem. Que sempre melhor! Hoje o marcador foi de Goya ou Brugel (estranho comparar artistas com isso) para completo caos! Gotas amarelas e vermelhas não pareciam à altura de seu habitual estado de frescor (fresco, como uma manhã pós-chuva, é como a definiria, quando o sol está clareando e não está quente como meio-dia), então... adicionei roxo. Roxo? A razão para isso me fugiu. Fui disso para "brilho resolve tudo" e a situação só traz mais questionamentos. Feliz aniversário adiantado! (Tenho certeza de que vou atrasar a chegada de seu presente)"
nenhum presente é mais bonito do que uma carta escrita espontaneamente

acho que essa carta foi um dos presentes mais sensíveis que eu já recebi, que mais me tocaram, e ela nem tinha a intenção de ser tudo isso — era só uma gracinha, um meio de não deixar o envelope vazio. o marcador de livro ficou maravilhoso, e eu o uso até hoje, mas algo sobre a espontaneidade da carta e as coisas que ela escreveu ficaram comigo de um jeito diferente. no dia do meu aniversário, ela começa dizendo:

Saudações, Xis! Como vai?
FELIZ ANIVERSÁRIO!

Queria te escrever essa carta com a certeza de que te faria sorrir.
Poderia escrever sobre seus delineados bonitos, que são como o episódio novo do dia seguinte: diferente a cada um. Ou sobre a forma como interage com as pessoas, fazendo com que se sintam à vontade contigo e com suas próprias excentricidades. Ou ainda, como acolhe todos. Talvez valesse a pena ressaltar como se dedica aos seus passatempos? Com certeza sobre como admiro seu trabalho. Há tantas outras coisas... (...)

conhecendo a lê, sei que ela não teve a menor pretensão de escrever algo grandioso; realmente, queria só me fazer feliz. não éramos tão próximas e nem tão distantes, amigas unidas pelo trabalho e por pessoas em comum que nos acolheram, e ela dizia coisas que acreditava serem claras ou óbvias, de um jeito franco e simples. eu chorei quando li pela primeira vez. agora, lendo pra poder contar isso aqui, chorei de novo. sem querer e sem pensar muito, ela me presenteou com a visão crua que tinha de mim: uma pessoa que eu ainda espero, de fato, ser.

esse é o primeiro motivo pelo qual eu amo cartas: sem querer, enquanto estamos escrevendo, saem coisas que a gente nem pensou que queria dizer. o raciocínio se desenrola diferente quando escrevemos, talvez por ser uma forma diferente de processar e decodificar o que estava na nossa cabeça. a carta é uma conversa que começa com um longo monólogo, com tempo pra se elaborar e estender o quanto quiser; só se torna diálogo ao receber sua resposta, o que não acontece tão rápido. e a conversa, como não alcança o interlocutor no seu começo, acaba sendo mais com a gente do que com qualquer outra pessoa, já que somos obrigados a encarar o que nossa mente fez o favor de colocar no papel. pra mim, acaba sendo sempre um exercício de compreender o que eu estou pensando e sentindo e não consegui entender ainda, ou descobrir algo que genuinamente me empolga ou me deixa feliz, ou fazer exatamente o que minha amiga fez: ser desintencionalmente gentil e franca de um jeito que não nos permitimos tanto, levando em conta as convenções sociais e as interações do dia-a-dia.

esses dias, fiz um bordado e escrevi uma carta pra ela, também, com a mesma intenção: fazê-la sorrir no seu aniversário. na minha carta, refleti muito sobre como essa carta dela me impactou e impacta até hoje, e repeti várias vezes alguma variação da frase: cartas são uma preciosidade. porque falamos conosco antes de falar com a outra pessoa; porque falamos com a outra pessoa, também, numa vulnerabilidade intencional ao enviar a carta com destinatário certo. porque, ao serem meios de comunicação que não se encaixam muito bem em nenhuma das categorias que estamos acostumados no cotidiano, surgem epifanias: fichas que não tinham caído começam a se estatelar no chão.


duas imagens, de duas cartas diferentes da minha amiga vanessa para mim. a primeira é bem curta, e a segunda é um pouco mais longa.
já não sei de quando é a primeira carta, porque pingou água justamente no ano!

fiquei muito surpresa quando recebi a carta da vanessa: afinal de contas, ela me enviou na terça — um recorde para o tempo que geralmente essas coisas levam, na nossa experiência. ao abrir o pacote, uma surpresa: um livro (não deveria ser tão surpresa assim, afinal, vanessa quase sempre envia um livro junto às cartas! essa mulher sozinha poderia realfabetizar o brasil), que era inclusive uma nova edição de um dos primeiros quadrinhos que eu comprei na vida, quando passei a gostar e consumir mais graphic novels. apesar de ela ficar meio triste por não ser um livro inédito pra mim, achei que se encaixou muito bem: já trocamos correspondência, nos falamos e lemos o blog uma da outra há tanto tempo que ela conseguiu acertar na mosca e reforçar um livro bom com uma memória querida.

na carta dela, atrás da segunda folha, uma frase simples adornada com dois adesivos de xícara: um dia vamos tomar um cafezinho juntas.

em um momento em que penso cada vez mais sobre a vontade de me cercar de pessoas queridas pra fazer coisas simples, eis a segunda coisa que gosto muito sobre as cartas: através delas, amizades podem se construir com calma, ao longo do tempo, em torno de coisas simples. nossas cartas não são enormes e cheias de longas descrições, e não precisa disso pra sentir que eu a conheço e que ela me conhece também. desde que trocamos nossa primeira carta (eu ainda morava em minas gerais!), falamos da vida, de livros, de trabalho, trocamos adesivos, eu vi a criação do clube do livro dela e trocamos pequenas ideias sobre a vida. não precisou ser intenso e fervoroso — e não é que não possa, só que não precisa. em tempos de imediatismo, é bom saber que podemos ter calma e construir uma relação sem precisar que tudo se consolide no primeiro instante, de forma esbaforida. eu tenho desde cartas que são quase um bilhete até mais de uma folha, falando sobre coisas que aconteceram na vida da minha amiga, sobre como ela colocou algo que a fez pensar em mim, sobre como planejou algo divertido para o meu aniversário porque queria me fazer feliz. ela tem cartas minhas com os mesmos assuntos. me tornei próxima de uma pessoa que considero das mais gentis que já conheci, e fico feliz pensando que, de fato: um dia tomaremos um cafezinho juntas, e talvez ela me ensine a fazer algum dos embrulhos magníficos que mostra por aí de vez em quando.


duas cartas simples, dois sorrisos garantidos: uma de minha amiga elise, outra de minha digníssima

e, antes que eu perca o fio da meada, algo que sempre considero muito importante quando penso em trocar cartas com as pessoas: a terceira coisa que eu amo nas cartas é que não importa como ela é, só o fato de ser uma carta já é o suficiente para fazer o dia de quem recebe. não importa se ela é enfeitada ou não, se tem presentes ou não, se foi escrita num papel de carta ou numa folha rasgada de um caderno; o que importa é que alguém encontrou tempo e vontade de escrever pra você, de sair de casa, ir até uma agência dos correios e enviar, sabendo que te deixaria feliz, em algum momento. a carta é exatamente isso: uma intenção concretizada de causar a sua felicidade. tem coisa mais bonita que isso? basta receber uma carta que eu fico contente o resto do dia, às vezes esticando a alegria pro dia seguinte ou mesmo pra semana. e pode até ser que você releia mensagens instantâneas favoritadas, mas há algo de especial em poder segurar nas mãos algo palpável que representa uma das vezes que alguém pensou e se importou com você. talvez eu esteja sendo meio dramática — algo que eu definitivamente sou —, mas num mundo de efemeridades e imediatismos, acho bonito e importante me apegar a essas memorabílias. atos de amor e carinho, de gentileza gratuita e franca, coisas dignas de serem lembradas em meio à correria da rotina.

pra você que nunca trocou cartas com alguém: espero ter aberto seu coração a essa possibilidade. pra você que já as troca: espero que continue. é um dos meus passatempos favoritos e mais queridos, e me faz um bem danado. já mandei carta pra minha mãe, prima, vó, amigas, amigos, já recebi cartões postais e inúmeros bilhetes. nunca é tarde pra começar a escrever alguma coisa num pedaço de papel e ver onde é que isso vai dar.

em tempo: eu continuo sempre aberta a enviar meus pequenos monólogos por aí — caso você queira se corresponder, mande um e-mail com seu endereço e nome para arantchans @ gmail!

sexta-feira, 16 de outubro de 2026

coisas que não são assim (mas deveriam)

diário de siso: hoje finalmente vou tirar os pontos na dentista! torcendo pra dar tudo certo, mas morrendo de medo de chegar lá e ela dizer que não dá pra tirar, seja porque eu ainda não consigo abrir totalmente a boca ou por qualquer outra razão. só sei que quero parar de sentir os fios na minha boca, porque parece que são as perninhas de vários bichinhos e, apesar de ser uma sensação divertida, eu fico querendo cutucar com a língua o tempo todo.

✶ ✶ ✶

andava com saudades de fazer listas de bobeira, sem precisar escrever algo grandioso ou longo — não que eu ache que precise, mas acaba sendo um hábito escrever um negócio que vai se estendendo, como se fosse um tapete vermelho pros pensamentos na minha cabeça. fui ver despretensiosamente o limonada, da tati, e me deparei com várias listas que me fizeram rir (saudades, tati!). então, vamos a uma lista de...

coisas que não são assim (mas deveriam)

  • mapas virtuais, no modo “em curso”, poderiam automaticamente ajustar a posição à frente (pra onde você está indo) como uma linha reta em direção ao topo do dispositivo
isso significa que a sua visualização do mapa sempre deixaria claro pra qual lado você vai ter que virar (esquerda/direita), sem te fazer virar o pescoço pra ver a tela do celular porque você tem dificuldade de dizer qual lado é qual. alguns aplicativos (como o moovit) deixam que você “gire” o mapa, o que eu sempre uso pra fazer esse ajuste. cognitivamente radical!

  • caps lock “liga e desliga” o próprio caps lock em textos selecionados
se a gente já tem uma tecla que ativa as letras em caixa-alta, por que não fazer com que o funcionamento dessa tecla sirva pra alterar porções inteiras de texto para caixa alta ou baixa? sempre penso em todas as vezes que escrevi textos enormes sem olhar pra tela, só pra perceber que o caps lock estava ativado e ter que digitar tudo de novo em caixa baixa. um avanço evolutivo da tecnologia que talvez dê pra configurar com algum conhecimento de software, mas que eu não consigo.

  • dentes crescem de novo, tipo cabelo
tá, vem comigo: pense em alguém que, após a perda dos dentes de leite, trincou um dente, ou teve uma cárie, ou sofreu qualquer coisa que fez com que essa pessoa precisasse de um implante (ou apenas ficasse banguela). se dentes fossem algo que cresce de novo, a boca poderia identificar o dente danificado, “descolar” ele da sua casa dentro da boca, e fazer outro dente crescer no lugar! uma existência bucal autossuficiente (nessa realidade, sisos não existem. favor não tumultuar)

  • categorias como “limpeza”, “manutenção básica” e “subsistência” fazendo parte da educação fundamental
todo mundo conhece alguém que não sabe cozinhar, ou limpar uma casa, ou consertar um eletro-eletrônico, ou declarar o imposto de renda. talvez VOCÊ MESMO 🫵 seja essa pessoa. por quê? porque essas coisas se encaixam em uma categoria “familiar” da educação, que não é considerada pelos meios formais. acontece que nem todo mundo aprende essas coisas básicas com a família, e seria um primor se tudo se aprendesse na escola. imagina ter uma aula com a forma mais eficiente de lavar a louça? aprender o melhor jeito de tirar o limo dos cantos do banheiro? saber fazer uma refeição balanceada sem passar perrengue, e poder cozinhar porque já sabe o básico? seria o fim da incompetência e o empoderamento do ser humano. todo mundo merece ser capaz de fazer o básico!

  • locais públicos e estradas com “caminhos importantes/frequentes” física e visualmente marcados no chão
esse eu acho que acontece em alguns lugares (coreia do sul, se não me engano, tem algo assim?). sabe quando você precisa ir a uma prefeitura, ou um órgão público, ou uma escola, praça, parque, monumento? se você é como eu — uma pessoa prejudicada no quesito localização —, passou por maus bocados, indo em uma direção e depois dando meia volta ao perceber que era o lado errado. pra resolver isso, locais com um nível grande de procura ou caráter oficial/emergencial deveriam ter marcas acessíveis no chão (com cores e textura) mostrando o caminho até eles. nunca mais ninguém se perderia tentando encontrar a saída do metrô algum lugar!

e por hoje é isso :^) me desejem boa sorte pra retirada dos pontos hoje mais tarde pois já tô com medo achando que a dentista vai falar que minha cara tá apodrecendo!!!! BEIJOCAS

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

tenho muito amor pra dar (mas depende)

diário de siso: hoje estamos na véspera do meu retorno para retirar os pontos da cirurgia e, após o relato preocupante de ontem (minha cara inchando de novo e a sensação de pressão muito grande na cabeça), eu acordei me sentindo melhor. não sem antes uma tristeza imensa por não poder fazer nada, e de deitar pra dormir e ficar em desespero reparando na sensação de pressão no meu pescoço, nuca e cabeça, e pesquisando repetidamente no google o que fazer em relação a isso; no fim das contas, tomei um anti-inflamatório que tinha sobrado da primeira leva dos remédios e torci pra não morrer. antes de dormir, eu só pensava: “meu deus, e se eu morrer dormindo? pior, E SE EU MORRER ACORDADA? E SE EU MORRER SENTINDO QUE ESTOU MORRENDO, E SENTINDO DOR, AINDA POR CIMA?”.

como vocês podem reparar pela existência desse texto, não morri. nem me preocupei o suficiente no meio desse desespero todo pra ir a um pronto-socorro. hoje mandei mensagem pra minha dentista, fiz o raio-x pra ver a situação das dentas, e aparentemente tá tudo certo.

✶ ✶ ✶

o ócio forçado tem sido uma maravilha pra minha mente criativa, que está desesperada pra fazer qualquer coisa que não seja ficar parada. isso, combinado à minha tão-recente ressurreição de um estado depressivo que durou tanto tempo que eu nem sei dizer quando começou, também me fez pensar mais sobre o que me mantém e o que me tira desse estado, mesmo que temporariamente.

(e aqui, é importante frisar: eu não sou especialista em nada. acho lindo ver ensaios e textos cheios de referências, mas minha intenção é ser uma pessoa que pode falar abobrinhas e, com elas, entender um pouco melhor a própria cabeça; logo, não faço a menor ideia se qualquer uma das coisas que eu falo aqui faz sentido de fato fora da minha cabeça)

algo que eu reparei, quando vim morar sozinha, foi que a coisa que eu mais sentia falta era a companhia de outras pessoas. eu sempre morei com meus pais, e sempre tive companhia pro café da manhã e o café da tarde, como em uma boa residência mineira; a falta dessa companhia diária — mesmo que ela não fosse algo que eu queria todo dia, na casa dos meus pais — se fez presente, e eu comecei a reparar que gostava muito de ter outras pessoas por perto. acho que uma das coisas mais legais de ter a minha casa, inclusive, era justamente poder receber meus amigos, abrigar visitas, hospedar noites do pijama. já pararam pra pensar que adultos fazem poucas noites do pijama, sendo que a gente tem a liberdade de fazer isso sempre que quer, sem dar satisfação pra ninguém? um baita desperdício.

enfim, de volta à companhia alheia. um fato importante sobre mim é que eu valorizo muito minhas amizades. ter pessoas próximas que sabem quem eu sou, que me veem de pijama e cheia de remelas, com quem eu posso falar sobre palhaçada e coisa séria no mesmo tom, e que vão me ouvir antes de me julgar quando eu precisar desabafar sobre algo. isso acontece a um nível bem mais pessoal na vida offline, com pessoas que convivem comigo em carne e osso, que conquistaram a minha confiança e eu a delas, mas eu também enxergo como são valiosas as amizades virtuais.

apesar de ser uma pessoa bem mais offline hoje em dia, eu já fui extremamente online. conheci as primeiras pessoas com quem me relacionei (e inclusive amanda, minha namorada) em algum lugar da internet, e conheci gente do brasil — e do mundo — todo. fiz amizades que me acompanharam pelos melhores e piores momentos da minha vida, que me ajudaram, que me mandaram açaí na pandemia quando eu estava triste com bilhetinhos dizendo que ia ficar tudo bem, que me faziam rir e me mostravam seus interesses pra que eu me interessasse por eles também. eu ainda mantenho contato com algumas dessas pessoas (sair das redes sociais te tira da “vizinhança digital”, e às vezes quem é visto não é lembrado, mesmo), mas são poucas, e ele é mais espaçado. não é aquele qui-qui-qui de quem se fala todo dia, de quem se conhece a fundo.

digo isso tudo porque, bem, eu moro em são paulo, e apesar de ter muitos amigos queridos por aqui (e por cidades adjacentes), a cidade grande engole a gente e não é tão fácil assim estar sempre na companhia de quem eu gosto; às vezes, meu grupo de amigos que sai mais junto passa meses sem sair junto. às vezes a minha vida e das pessoas queridas estão tão caóticas que é impossível se ver por semanas a fio. e isso me faz sentir saudades (saudades perigosas) da proximidade online. eu fiz amizades pelas quais tenho muito carinho por causa dos blogs, por exemplo, mas quase tudo se mantém exclusivamente online (nem todo mundo mora no mesmo lugar, afinal). na saudade de ter companhias físicas, morro de vontade de catar uma ou outra pessoa que acho muito legal e jogar um vamos tomar um café?, mas também morro de medo.

mas arantxa, medo de quê?

  • de ser esquisito
  • do jeito da pessoa ser diferente de como ela é online
  • de simplesmente Não Dar Certo

é um medo tão abstrato que eu nem sei por que estou falando dele aqui, só sei que estou. imagino que seja algo comum (ansiedade, a doença do século!!!), mas sempre me pego pensando nisso: é difícil aumentar nossos círculos seguros, os lugares aconchegantes para os quais nos encaminhamos quando a vida decide não pisar devagar. é difícil fazer amizades que não sejam no trabalho, se você não é uma pessoa que existe exuberantemente online e não tem passatempos muito sociais, então como fazer amizades? e não me venha com história de networking, porque eu não quero falar sobre o que faço pra trabalhar o tempo todo. às vezes eu só quero alguém pra ir a um café e fofocar sobre um livro, uma série, um anime, pra combinar de ver um filme junto, de ir ao parque fazer um piquenique, de caçar brechós pela cidade, de fazer coisas em cerâmica, de fazer uma zine...

eu não sou uma pessoa de coisas grandiosas; ver um filme ruim em casa com um pote de pipoca estourada na panela pra mim tá ótimo. geralmente, só me faltam mesmo as companhias. ainda ensaio esse pulo de querer até tentar, porque trazer pessoas novas para a nossa vida é sempre um passo que se deve dar com atenção e, se possível, certo cuidado — digo “se possível” porque também há aquelas amizades arrebatadoras, que surgem de repente e ficam, ficam, até se infiltrar no nosso coração.

por fim, é isso. isso foi algo que fiquei pensando enquanto fuçava blogs alheios, hoje, e lembrava de pessoas que eram mais ativas por aqui e já não o são tanto assim. e, por mais que não tenham todas se convertido em uma amizade próxima, deixo uma dedicatória às pessoas que foram queridas o suficiente aqui pra me fazerem sentir próxima e amada: vanessa, letícia, amanda, nic, maria catharina, ba, marina. pessoas que sinto um carinho inexplicável ao ler um comentário, ao ver que continuam existindo por aí, só por serem quem são. espero que esse rol continue se estendendo indefinidamente. que bom é gostar de ver pessoas que amamos se expressarem!

termino com um gancho muito final-de-vídeo-de-youtube: vocês também sentem esse vazio de amizades presenciais, essa ânsia por se rodear de mais pessoas queridas? eu sinto que a gente tem cada vez menos companhias. fico pensando se sou meio doida (com certeza sou) e se mais gente também se sente assim (provavelmente sim). não me deixem matutando sobre isso sozinha!!!

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

parece caxumba, mas é siso

depois da minha cara desinchar brevemente, acho que mexi demais a boca entre ontem e hoje, e estou parecendo o fofão novamente. de volta às compressas frias, afinal.

eu nunca me achei uma pessoa muito neném dodói, daquelas que fica 100% imprestável quando tá doente — exceto em alguns casos, como garganta inflamada ou sinusite, nos quais eu fico 100% neném —, mas a retirada dos sisos morando sozinha foi uma coisa que me pegou meio de surpresa com o quão CHATO tá sendo. achei que a recuperação fosse ser mais de boas, mas não poder abrir a boca, mexer, dormir de lado... e isso tudo sem nem ter alguém cuidando de mim, também??? aí já é demais, meu parceiro. saudades de quando eu arranquei um ÓRGÃO INTEIRO e a recuperação foi mais de boas do que essa. e olha que eu ainda tinha minha mãe pra cuidar de mim.

nesse meio-tempo, com a cara inchada e a cabeça parecendo um balão, estou fazendo coisinhas pra me distrair:

  • reassisti o que tinha na netflix de diários de uma apotecária (essa eu dedico pra galera do entreblogs que tava sempre falando da maomao), aproveitei que ia ficar de molho e peguei o teste gratuito de 7 dias do crunchyroll no prime e vi a segunda temporada e o que lançou da terceira
  • bordei um negocinho de presente pra minha amiga lê (eu conheço muitas letícias, socorro) que fez aniversário ontem, e escrevi uma carta pra ela também
  • aproveitei e escrevi mais cartas que estavam atrasadas e talvez sejam enviadas já essa semana
  • comecei a fazer um estudo pra mudar o layout do blog

sobre esse último aí, eu cheguei a comentar na última publicação que tinha perdido (ou nunca tinha salvo) o link de um blog/site que eu tinha gostado bastante. coisa simples, mas eu sempre gostei que as interfaces fossem simples. acabou que eu encontrei (era o site de doce, e o site da tania, no qual doce também se inspira bastante), então sentei, abri um caderno e comecei a desenhar e anotar coisas, como se fosse trabalho (mas deus me livre que seja). a minha lógica está sendo a seguinte:

primeiro, eu salvo referências visuais que eu gosto; sites, blogs, mockups, lugares que existem e lugares que só foram imaginados. assim, eu posso olhar e entender o que dessas referências eu quero trazer pra minha própria interface.

depois, eu começo a anotar o que eu gosto e o que eu não gosto nos sites e blogs que acompanho. entre as coisas que eu não gosto, por exemplo, geralmente estão: navegação ruim (não sei como chegar em lugares específicos do site), fontes muito pequenas, caixas com scroll ao invés da página inteira... nisso, eu já identifico o que evitar. com as coisas que eu gosto, pego boas práticas que às vezes a gente nem se atenta tanto, de tão automáticas que são.

aí, começo uma das partes divertidas: montar a interface em si. no momento, estou explorando muito tipografias (eu sou designer e sei que o ideal é a gente usar uma ou duas famílias tipográficas, mas e daí??? é meu site pessoal e eu sou doidinha!!! e se eu quiser usar TRINTA FONTES??? quero ver quem é que vai me impedir) e cores, pensando em tamanhos, no layout em si (como as coisas se organizam na página), na acessibilidade, na visualização pra celular... estou fazendo aos pouquinhos, porque minha cabeça dói, mas tem sido muito legal. já comentei com minha amiga rafa, que diz que me ajuda a descobrir como implementar isso tudo em código, e também posso caçar ajuda (ou orçar um projeto) na comunidade do entreblogs, se precisar — não quero fazer nada com IA, e quero pelo menos definir os estilos e saber mexer no meu CSS, como sempre foi. inspirada no igor, quero usar variáveis de cor ao invés de deixar tudo hardcoded e facilitar minha vida no futuro (igor, se você estiver lendo isso, eu vivo acessando o código fonte do seu site!!! e eu amo ele!!!).

não sei ainda quando vou implementar, se vou implementar, quanto trabalho vai dar e nem como vai ser, mas trabalhar em projetos pessoais é muito gostoso, e espero poder aproveitar essa onda um bocado. também tenho que trabalhar, mas minha cabeça dói e eu realmente só consigo fazer um pouquinho de cada vez.

e, por falar em onda, parece que tá jorrando um oceano inteiro aqui em são paulo, então lá vou eu colocar a bolsa de gel no congelador de novo e descansar meus olhinhos. té mais!

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

links e crianças primeiro

tenho pensado muito em fazer mudanças no blog, layout, organização e tudo isso aqui. tal qual um guarda-roupa, às vezes é bom olhar, ver o que dá pra doar, o que a gente quer mudar, e o que precisa ser convertido em pano de chão (amo transformar roupa em pano de chão. recentemente, descobri que em algumas religiões, não pode!!).

minha reclamação de hoje vai pra mim mesma: tempos atrás (não tão longe, nem tão perto), eu caí num site/blog muito legal de uma pessoa muito legal. quem era essa pessoa? não lembro. qual era o site? não lembro também. só lembro que fiquei pensando: ótima referência de layout (desculpa, eu sou designer).

agora, pergunta se eu salvei esse link? se joguei em algum lugar? eu, uma pessoa com um listography, um celular, um computador com ctrl c + ctrl v extremamente funcionais? pois é. não salvei.

agora estou fuçando todos os blogrolls de todos os lugares possíveis, tentando descobrir como eu cheguei nesse bendito site que eu nem lembro qual era.

em caso de emergência, salvem links e crianças primeiro.

edit: pois vocês acreditam que eu fui nos confins do meu histórico do chrome e achei o bendito site? é o cantinho do doce fernandes!

sábado, 10 de outubro de 2026

entendi quem tem medo do dentista

aconteceu: tirei os sisos. neste momento, estão os dois-e-alguns-quebrados (os de cima saíram mais inteiros que os de baixo, que praticamente só sobraram as raízes) numa solução de água + água sanitária, pra ajudar a desinfetar, depois de eu esfregar bastante com escovinha pra sair os pedaços de mim (!!!) que ainda estavam grudados neles.

vamos a uma linha do tempo, mas sem linha e também mais ou menos sem tempo:

  • assim que meus sisos começaram a doer (logo depois que perdi o emprego, no começo do ano, risos), fui atrás dos processos pra resolver isso aí. vendo o raio-x, dava pra perceber que os dentes de baixo estavam totalmente deitados e os de cima também não estavam na melhor das posições
  • eu nunca tinha feito nenhum procedimento odontológico invasivo (acabei de criar essa frase aqui); nunca extraí dente que não fosse de leite (e esses, que me lembre, saíram todos em casa), nunca usei aparelho fixo (só móvel), nunca tive nenhum grande problema na boca (fora o bruxismo, consequência gostosa de estresse). logo, não fazia ideia do que esperar
  • quando o bicho pegou e TODOS os sisos começaram a doer, marquei com a dentista e ela disse pra gente remover os 4 de uma vez. fiquei felicíssima; afinal, resolver tudo numa tacada só sempre me parece melhor do que fazer aos poucos (e é uma recuperação só, também, né)
  • chega a semana da extração (que, basicamente, foi a semana seguinte à consulta com a dentista descrita no ponto anterior): me organizei toda pra não precisar levantar um dedo por 3 dias após a cirurgia, lavei roupa, limpei casa, comprei açaí, fiz caldos coloridos (que ficaram lindos, inclusive), comprei remédios. fui tão funcional que me choquei positivamente comigo mesma
  • dia da extração (ontem, sexta-feira): tomei os remédios receitados 1 hora antes do horário marcado, passei na farmácia pra comprar um enxaguante bucal com 0,12% de clorexidina, e fui de ônibus pro consultório de odontologia. não tava nervosa, mas não tava tranquila — típico de quem não sabe muito bem o que esperar
  • 14h40: chegando no consultório. esperas, trâmites, finalmente entro pra começar. o que mais me apavora, enquanto alguém que não sabe o que vai rolar (fiz no máximo uma limpeza dos dentes, meu camarada), é a anestesia na boca: tenho medo de doer, tenho medo de arder e, principalmente: MORRO DE MEDO DE AGULHA
  • mal saberia eu, mas a anestesia, apesar de ser um momento TENSO nas extrações de ambos os lados, foi o momento mais tranquilo de tudo. as “picadinhas” com a agulha não doeram tanto, apesar de eu apertar minhas próprias mãos com MUITA FORÇA por causa do nervoso, e não ardeu quando a anestesia começou a entrar. foi mais incômodo do que qualquer outra coisa, porque eu sentia algo dentro da minha carne (a agulha) e algo entrando (a anestesia), mas de um jeito esquisito, só físico, sem a sensação da dor
  • 15h30: começa a cirurgia. só avisando que esses horários, apesar de aproximados, são puramente ilustrativos. a médica me pergunta por qual lado eu quero começar, digo que tanto faz, ela insiste, e eu digo que o lado direito é o que mais tem doído; começamos por ele, então. é esquisitíssima a sensação de alguém cortando sua gengiva e raspando seu osso e você sem sentir um pingo de dor, mas sentindo a sensação física. quando eu digo “sensação física”, é porque é esquisito, como se fosse uma descrição num livro: ela encostou na minha boca. você sabe o que aconteceu, mas a sensação exata não vem. a anestesia é esquisitíssima, minha boca parece ter uma tonelada
  • preciso escancarar muito a boca e, caso você nunca tenha passado por isso, é extremamente desconfortável e os músculos do rosto reclamam. fiquei pensando, em vários momentos: e se eu abrir a boca demais e minha mandíbula desencaixar? será que dói? não preciso descobrir, porque minha mandíbula, ao que tudo indica, não desencaixa. pra me distrair, enquanto a dentista diz que meu dente de cima está numa posição difícil de acessar, tento me distrair do nervoso cantando mentalmente as partes de farol, do disco novo do maglore, que eu lembrava de cabeça — que consistia, basicamente, da frase “então deeeeixa o meniiino sonhaaaar” e o ritmo da música em seguida. digo a mim mesma pra não ficar tão tensa, não apertar tanto as mãos, mas não adianta, pois ESTOU tensa
  • 16h30: a dentista consegue tirar o primeiro dente, o siso superior do lado direito. ele sai praticamente inteiro. fico feliz, porque quero levar os dentes pra casa e fazer jóias com eles. fico muito feliz em não sentir os pontos, mas a sensação de alguém apertando algo na minha boca COM FIOS QUE EU POSSO SENTIR NO ROSTO é de uma aflição terrível
  • começamos a extração do siso de baixo. digo começamos porque a dentista que extraiu, mas eu que estava lá com a boca escancarada, doendo, o corpo NERVOSO com o trauma. já tinha demorado muito mais do que eu e a dentista achávamos que iria, e eu pensei: o de baixo vai ser de boas. ela vai serrar ele no meio, tirar, e vai dar tudo certo
  • ...só que não deu tudo tão certo. meu dente de baixo, além de estar deitado em berço esplêndido, estava deitado em um osso extremamente duro, e passando por baixo dos outros molares; ou seja, um inferno pra ser removido. a dentista fez várias alavancas, quebrou um monte de pedaços, e eu só digo uma coisa: a sensação de alguma coisa se mexendo dentro do seu crânio, por dentro do osso, é horrorosa. eu não estava sentindo dor, mas meu cérebro sabia que deveria ser doloroso, então comecei a sentir como se estivesse sentindo (???), fora a boca escancarada (que estava, de fato, doendo) e a sensação das ferramentas na minha pele
  • eventualmente, penso: daqui a pouco isso tudo já vai ter passado, eu vou estar em casa e pensando que já aconteceu. tá acontecendo agora, mas daqui a pouco já vai ter acontecido. mesmo assim, não consigo me acalmar, minha cara dói, e começo a chorar. a dentista fica preocupada e para, pergunta se estou bem, se estou sentindo dor, diz que vai me dar uns instantes. digo que não sei porque estou chorando (mentira, sei sim, é uma situação estressante pra caralho, dolorida, e frustrante também), enquanto a sensação de querer chorar MESMO (fazer carinha e os barulhos típicos de choro) começa a chegar, e eu me controlo pra não ceder. respiro fundo, damos 5 minutos e ela volta à cirurgia
  • pra minha coleção de fatos curiosos sobre procedimentos: quando fiz a cirurgia de correção de grau, uma das coisas que mais me marcou foi que o laser agindo nos meus olhos levantou um cheiro de gordura pingando no fogo, quando você tá fazendo churrasco. na extração dos sisos, subiu um cheiro de queimado, também, mas diferente, porque era o cheiro da broca sofrendo com a resistência do osso: um cheiro parecido com quando você tenta furar a parede, a furadeira fica quente, mas não vence a dureza da parede
  • 17h30: o dente de baixo é muito mais traumático que o de cima, por estar por baixo dos outros, mas sai — em pedaços, inclusive. só a raiz sai mais ou menos inteira. dou graças a todas as entidades que existem, mas a única coisa que minha mente consegue pensar, além do alívio, é: meu deus, agora tem o outro lado
  • a dentista me acalma: agora ela já sabe como vai ser, passada a primeira metade da coisa. rezo pra que de fato seja mais fácil, rápido, e menos traumático, porque estou exausta (e ela também; comenta que não se lembra da última vez que a remoção de 4 sisos demorou mais de uma hora e meia). lá vamos nós pra anestesia de novo — meu deus, que agonia que é a agulha no céu da boca
  • 17h50: a dentista não estava de brincadeira! agora, sabendo o quanto cortar, onde mexer e o que fazer, o dente de cima do lado esquerdo sai com 20 minutos. depois do primeiro lado ter demorado duas horas, eu genuinamente fico incrédula, mas feliz
  • a segunda parte é extremamente mais tranquila, com a dentista conversado comigo; descubro que ela também dá aula, mas gosta muito de atuar na área, além do meio acadêmico. ela comenta que meu osso é muito duro, nada poroso, e que isso é ótimo pra mim mas péssimo pra ela, enquanto troca a broca porque o osso é tão duro que desgastou a bichinha todinha. na “alavanca” pra tirar o dente esquerdo de baixo, uma das ferramentas pega no meu céu da boca, mas não chega a cortar, só machuca um pouco, mesmo
  • 18h30: ela me diz que acabou, e eu mal acredito. de novo, o dente de cima sai praticamente inteiro, e o de baixo em pedaços e um naco maior de raiz. penso: ufa. penso também: ainda vez que foram os 4 de uma vez só, porque se fossem dois e depois outros dois, acho que eu ia ficar com 2 sisos na boca pra sempre e nunca mais ia voltar no dentista
  • a dentista, fofa, me elogia dizendo que eu fui super colaborativa. me passa a receita, os cuidados, e me explica o que posso e não posso fazer. ela separa meus dentes (e fragmentos de dente), faz uma cama de gaze, e coloca no potinho que eu trouxe pra levar eles pra casa
  • 19h50: chegando em casa, depois de sofrer pra pedir um uber e passar na farmácia pra comprar os remédios, tomo logo o remédio mais forte de dor, que me deixa tranquilona. faço o cronograma dos remédios no meu calendário do celular e pego a bolsa de gel pra fazer uma compressa

gente, juro. finalmente entendo quem tem medo de dentista. acho que nunca passei por um negócio tão traumático na vida — a sensação da anestesia é esquisitíssima, ter alguém mexendo com tanto VIGOR na sua boca é esquisitíssimo. mas, de fato, tal qual meu mantra diz: já aconteceu, e agora é só uma lembrança. e ainda bem que foram os quatro. um ponto positivo é que não estou sentindo dor, meu rosto tá inchado mas bem menos do que eu achei que estaria, e o sangramento estancou super rápido ontem.

agora, o que eu mais queria era poder mastigar qualquer coisa e comer algo quente... mas uma batalha de cada vez, né.

terça-feira, 6 de outubro de 2026

é o fim do mundo passando na sua rua

os dias têm passado por mim com uma lentidão e rapidez absurdas, como se eu estivesse parada enquanto o mundo à minha volta segue no dobro da velocidade e eu me movesse na metade dela. acho que já comentei aqui diversas vezes, mas a falta de propósito que tenho sentido na minha vida como um todo tem afetado bastante tudo — a voz zumbindo na minha cabeça (ou a falta dela), a forma como eu consumo ou deixo de consumir entretenimento e informação. o fato de estarmos vivendo uma hecatombe natural e social (meu deus do céu o mundo vai acabar. meu deus do céu o mundo está acabando) torna essa necessidade de propósito ainda mais urgente, e a sua falta um estorvo ainda maior.

no meio disso tudo: assisti de cabo a rabo a série friends. nunca tinha parado pra ver, apesar de ser um fenômeno do entretenimento e estar presente em todo lugar, e foi ótimo pra me fazer companhia enquanto pessoa que mora sozinha. vocês também usam séries pra fazer barulho e companhia e não se sentirem tão solitários? é meio triste, mas trabalhar de casa e morar sozinha (e em são paulo, ainda por cima, onde ninguém tem tempo pra ver ninguém) é algo que torna os dias um grande silêncio, a não ser que eu fique falando sozinha (faço, eventualmente) ou ligue pra alguém. como ligações não são tão o meu forte, prefiro aproveitar as oportunidades de encontrar meus amigos pessoalmente e acompanhar situações fictícias. dito isso: é muito interessante assistir algo que foi lançado há tanto tempo, já. a série é divertida, mas passei muita raiva com as personagens, porque, obviamente, a intenção é que várias delas sejam irritantes. confirmei que joey e phoebe são adoráveis, apesar disso, e sinto falta da série que acompanhei por 10 temporadas, vinte anos depois do seu lançamento. é difícil se despedir (e é por isso que eu já reassisti brooklyn 99 mais vezes do que gostaria de admitir).

viajei pra minha cidade, e fiz uma surpresa pra minha mãe, no meio do mês passado — ela faz aniversário dia 15, e eu fingi que não ia dar pra aparecer por conta do trabalho. só choveu, mas minha mãe ficou contente, vimos parte de uma novela turca muito exagerada e maluca, eu e meus amigos falamos sobre o fim do mundo (que ainda não estava tão iminente quanto agora), joguei wingspan pela primeira vez e amei (eu precisava de amigos em são paulo que me chamassem pra jogar jogo de tabuleiro toda semana, porque é sempre tão divertido!), revi gente querida e fiz carinho em passarinhos. o sol estava começando a querer voltar, e, assim que voltei a são paulo, o frio e a chuva deram uma trégua. acho que isso ajudou o meu humor a melhorar. não é maluco como o clima influencie tanto a gente?

de todo jeito, me senti um bocado melhor assim que voltei pra casa. com um pouco mais de ânimo pra existir, por assim dizer; afinal, estar triste e desmotivada cansa, cansa mais que uma maratona, e meu corpo estava exausto de estar triste. comi melhor, fiz uma torta, minha prima veio me visitar, consegui me empolgar com o trabalho novo, várias coisas foram dando certo! comprei uma armação redonda pra mandar fazer meus novos óculos, fiz um exame odontológico e marquei minha volta na dentista. acabou que vou remover os sisos, todos os 4 de uma vez (o que me deixa feliz, porque estou apavorada de fazer uma cirurgia ACORDADA, então que pelo menos o trauma seja um só). comprei coisas geladas, congelei sopas, estou me programando toda pra arrumar a casa e ficar completamente de repouso nesse fim de semana, aproveitando a segunda de feriado. vem aí minha fase sem juízo!

nesse domingo, fui ajudar minha prima a organizar a casa e separar roupas pra doar. eu sou uma pessoa muito prática nesse sentido, e gosto muito de ajudar as pessoas a organizarem suas casas, porque consigo ser muito mais objetiva quando não é a minha casa e a minha bagunça. quando a tarde foi chegando ao fim, fomos dar uma olhada na apuração e variamos entre o desespero e o desespero premium enquanto fazíamos sabão (minha prima é uma maga de produzir coisas como sabões, velas e cosméticos). não vou mentir: ainda estou desolada, e vendo se consigo arcar com a viagem à cidade dos meus pais pra votar no segundo turno, porque é necessário, muito necessário. cada vez mais se faz necessário lutar por direitos conquistados, pelo que se acredita, e contra pessoas que vão de encontro ao que a gente enxerga como certo. mesmo exausta, mesmo deprimida, não quero deixar de acreditar e tentar nos tirar das garras desses que causam morte, espalham desinformação e servem como estandarte pra corrupção. com críticas ou sem críticas, com ressalvas ou sem, a esquerda deve se juntar e votar pra não deixar que a extrema-direita tome o poder, e buscar abrir o caminho pra que lideranças novas, jovens, progressistas e revolucionárias continuem trilhando rumo ao futuro que a gente acredita.

é isso. o sol parou de aparecer outra vez, e queria que não estivesse chovendo tanto. as pontas dos meus dedos estão descascando, e eu não faço a menor ideia do porquê. estou relendo uma série de livros de ficção científica escrita por um maluco fundamentalista pela primeira vez desde a minha adolescência, e tem sido, no mínimo, interessante (e no máximo educativo, mostrando que a gente tem que parar de bater palma pra maluco dançar). estou com saudades de poder sair no sol (fiz isso nesse último sábado e foi tão bom!), e torço pra que tudo se encaminhe pra um lugar melhor.

mesmo que não aconteça, continuamos. e nos mobilizamos. existir tem sido permanentemente difícil nesse momento da minha vida, e não vai ser agora que eu vou deixar a peteca cair. ou assim espero.

domingo, 6 de setembro de 2026

reparando

eu tenho essa coisa, que acontece de vez em sempre, que é uma palavra ficar na minha cabeça e eu começar a escrever essa mesma palavra no ar com a ponta do meu dedo indicador direito. às vezes é uma palavra de uma música, algo em que eu estava pensando. é inconsciente, e de repente me pego escrevendo no ar uma, duas, três, vinte vezes. me pergunto se as pessoas na rua reparam, se alguém já achou esquisito; gosto de pensar nisso porque as pessoas repararem nas outras é algo muito interessante, na minha cabeça. reparar no outro é uma forma de amor: você olha, e se pergunta: por que você faz isso? por que isso acontece? o que aconteceu até aqui pra que tudo seja do jeito que é agora?

tem uma história que eu gosto muito, que é: no festival em que beijei amanda pela primeira vez, antes do show que esperávamos, tinha uma pessoa na nossa frente folheando a programação do evento. reparei nela mexendo os dedos, olhando concentrada, nós duas espiando por cima dos ombros daquela pessoa, e disse: “ah, então esse é o seu superpoder.” ela me olhou assustada, naquele momento mágico em que eu sabia que ela estava fingindo controlar a velocidade no qual a pessoa folheava o livreto. eu sabia exatamente o que ela brincava poder fazer. não sei como, mas sei. eu reparei.

tem uma outra coisa que eu também faço: mexer com os dedos. algumas pessoas balançam as pernas, outras roem as unhas, eu já fiz esses dois e também mexo os dedos. toco o mindinho, o anelar, o médio e o indicador no polegar, e depois volto; às vezes, raspo a unha do polegar na digital de cada um desses dedos, ou a unha desses dedos na digital do polegar. não sei por que faço isso. não sei quando comecei a fazer. reparei que fazia quando me sentia estressada, fora do lugar, ansiosa. meus amigos vieram aqui um dia e eu comentei disso com eles, e wesley disse: eu reparei.

reparar é uma coisa tão pequena, mas tão grande, né? tem aquela frase em inglês, to be loved is to be seen. ser amado é ser visto. é repararem em você. minha banda favorita, death cab for cutie, diz em uma música: love is watching someone die. amor é ver alguém morrer. é uma frase que tem muitos significados, mas eu penso em um: ver alguém viver não é ver essa pessoa morrer? a cada dia? não de um jeito mórbido, mas de um jeito bonito. amar é acompanhar cuidadosamente. amar é saber onde alguém deixou um anel, é lembrar do suco favorito, é segurar a mão de alguém que fica cutucando os cantinhos das unhas, o cabelo, ou a sobrancelha, porque a gente se importa. porque a gente sabe por que acontece. porque a gente fica reparando.

sábado, 29 de agosto de 2026

a ineficiência do catarro dormido

diarinho #14

será que um dia o cebolinha deixará de representar a minha mente?

agosto tá acabando, e com ele, o beda. eu participei de uma forma mais liberal, sem necessariamente postar todo dia, mas mantendo em mente a intenção de postar mais durante o mês; no fim, foi o mês em que eu mais escrevi pro blog, desde a sua criação! com essa aqui, são 16 publicações. escrever com mais frequência e participar dos chats e desafios do entreblogs foi interessante, mas também teve efeitos adversos: escrever em dias nos quais eu não queria compartilhar nada em específico foi cansativo e um pouco frustrante, e eu acabei ficando com uma sobrecarga mental que sempre vem em grupos movimentados de whatsapp, motivo pelo qual eu saía dos chats com alguma frequência, pra voltar depois, quando estivesse mais disposta. no geral, foi uma experiência divertida; não posso mais dizer que nunca participei de um beda! irra!!!!

apesar de continuar veementemente contra chats do whatsapp movimentados demais (o chat mais movimentado que eu tenho, fora o do coletivo, é o do grupo do condomínio — e ele é até bem tranquilo), algo muito divertido que eles me renderam foi ter acesso ao que o pessoal escrevia. passei a gostar de algumas pessoas e consequentemente ler seus blogs, e gostar de alguns blogs e consequentemente prestar mais atenção em seus autores. eu não li (e provavelmente não lerei) a maior parte do que foi escrito nesse beda pelos participantes (foi muita coisa!!!), mas agora tenho acesso a mais blogs e posso ir descobrindo os que me apetecem. isso, por si só, já valeu muito a pena! :^)

infelizmente, nos últimos dias o meu ânimo deu uma baixada, o que fez com que eu não tivesse muita vontade de escrever algo pra cá. também li pouca coisa. o que tem me ajudado com as tarefas do dia-a-dia e me feito companhia: a série community (finalmente comecei a assistir e já tive acesso a cenas muito icônicas, como a do cara chegando com a pizza e a casa pegando fogo, a conversa racismo/futebol do jeff e do troy, e o beetlejuice aparecendo depois de falatem três vezes o seu nome, cada vez em um episódio diferente), o podcast da laurinha lero com a anamaryb, POD de chique (estou rindo até agora com esse nome e com essa dupla), o não importa, cumprindo a cota de humor hétero aleatório da minha vida, e os jogos winter burrow (muito fofinho, faria melhorias no gameplay pra ser mais cozy e menos MEU DEUS ONDE ESTOU NÃO TEM LOCALIZAÇÃO APONTADA NO MAPA), potion craft (comecei a jogar de novo e zerei) e cozy grove (comecei a jogar de novo pra ter ursos-fantasma maluquinhos me fazendo companhia todo dia — recomendo sempre, um jogo de conforto que só tem um número de coisas limitado que você consegue fazer por dia).

descobri que gosto de postar diarinhos, e comecei um novo diário não-datado em um caderno menor, pra durar mais tempo. ah, e também assisti m3gan 2.0 com amandinha não. um filme engraçadérrimo e que eu fiquei extremamente feliz por ter assistido, tava com saudades de filmes tão bobos e ruim que dão a volta e ficam bons de novo. tô tentando beber mais água, e meu organismo ainda tá cheio de catarro de quando minha garganta tava ficando meio ruim, há umas duas semanas. como pode o organismo não ter um jeito prático de se livrar de todo o catarro imediatamente? como dissolver o catarro restante em meu nariz e garganta? por que esse catarro dormido continua me fazendo fungar e engolir de forma pegajosa se eu não estou doente??? perguntas que talvez sejam feitas novamente em alguns séculos, e que não têm nenhuma resposta... quer dizer, o google disse que beber água ajuda a deixar o catarro menos grosso, mas não foi isso que eu perguntei. então não conta.

domingo, 23 de agosto de 2026

e se

eu penso demais
o tempo todo

e se
pensar demais
sobre quem eu devia ser
(quem eu queria ser,
                       deveria ser,
                       poderia ser)

e se tudo isso
é o que não me deixa ser eu?

(pior ainda:
e se for o que me torna eu?
ah, será que eu nunca
vou deixar de me dar trabalho?)


eu escrevi esse poema em 20 de junho de 2020 (!), e encontrei na procura de algo pra publicar aqui.

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

poeminha

recentemente, tenho gostado muito de ler os poemas do bispo — é muito bom ver gente criando poesia na internet! isso me dá vontade de escrever mais, então vamos de um pequenininho que eu escrevi inspirada nele, iniciado na terça feira:


não sei se a saudade
é quente ou é fria

eu sinto o frio, me sinto quente
cheia dela, me sinto vazia

parece que o corpo trabalha mais
pra suprir o calor
que você me traria


essa postagem faz parte do beda, projeto cujo objetivo é escrever (ou tentar) todos os dias de agosto. tô participando junto com a galera do entreblogs, e você pode dar uma bizoiada no que todo mundo têm escrito aqui :^)

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

por que eu escrevo

já há algum tempo eu quero fazer um manifesto, falar sobre o porquê de ter tido tantos blogs e ter continuado voltando pra esse mundo, outra e outra vez. já que estamos em ritmo de beda (lembrei do maravilhoso vídeo hitmon de festa) e o vilão dessa semana pede ataques (ou publicações) inspirados ou em colaboração com outras pessoas, a nicolle me chamou pra escrever algo junto. pensamos um pouco e decidimos escrever sobre por que ter um blog. a pergunta era simples:

o que faz você levantar, ir para o computador, logar e escrever o que passa na sua cabeça?

eu não sei exatamente por que eu escrevo, ao contrário de um bocado de gente. eu tenho uma vaga lembrança de começar a escrever em blogs, na minha tenra juventude, porque queria ser algo além de só uma outra pessoa, e me achava muito mais importante do que realmente era. eu comecei fazendo aqueles ensaios desengonçados de adolescente, numa época em que tudo o que eu tinha a dizer parecia extremamente radical (não era). eu tinha sentimentos demais, e escrever pro mundo me parecia melhor do que escrever pra mim. esses blogs que não existem mais eram mostrados até pros meus pais (a idade realmente era tenra).

mas eu não comecei em blogs. eu lia e escrevia fanfics, jogava rpg no orkut, msn, e em fóruns pela internet afora. o começo da minha escrita foi, vejam só, colaborativo! escrever histórias com outras pessoas, criar personagens... ter páginas de caderno digitadas, palavra por palavra, e sentir o frio na barriga de fazer parte de algo. me lembro de uma das minhas primeiras fanfics, em que fui tentar escrever marauders e escrevi murderers. não lembro se essa chegou a ser algo além dos cadernos e documentos do word, mas dou gostosas risadas lembrando disso.

com o passar do tempo, ainda escrevendo fanfics e jogando rpg, fui criando (e excluindo) um blog atrás do outro. ainda não sei dizer o porquê — algo no mundo dos blogs me seduzia, e eu lia alguns que, de tão simples, eram perfeitos (quem lembra do manual prático de bons modos em livrarias?). eu nunca consegui manter um diário em casa (minha mãe lia todos), e escrever num blog era gritar pra quem pudesse ouvir (a internet) tudo o que eu estava sentindo. e não só sofrimento: eu queria ser engraçada, também. percebi que, antes de fazer outras pessoas rirem, eu queria me fazer rir. foi em blogs que fiz minhas primeiras listas engraçadas, minhas primeiras premiações de fim de ano (saudades), minhas primeiras tentativas com html e css.

escrever em um blog se tornou, antes de escrever pra outras pessoas, um escrever para mim; criei blogs que transformavam as coisas que eu vivia e sentia em histórias (nenhum deles existe mais, o que me deixa triste — qual o problema do jovem que apaga tudo pra não deixar rastros pela internet???), blogs tão pessoais que eram trancados, só pra que eu pudesse escrever em algum lugar. quando entrei pro entreblogs, vi uma publicação da karina no qual ela dizia que escreve para ser vista, e fiquei encasquetada com isso. por que eu escrevo? pra quem?

acho que já escrevi para ser vista por muito tempo, num mundo em que, por inúmeros motivos, eu me sentia sozinha. hoje já não me sinto assim. já escrevi como quem grita pra ser ouvida, já escrevi como quem sussurra pedidos de socorro; hoje, escrevo porque preciso escrever — em um diário, nesse blog, em outro, em e-mails, cadernos, cartas, mensagens instantâneas, assim que a vontade chama, que a necessidade bate. eu costumava comentar com meus amigos que o amor só me encontrava quando eu não estava procurando, e com o blog acho que foi a mesma coisa: quando eu deixei de querer ser vista, acho que as pessoas me enxergaram. aliás, me corrijo: não acho que deixei de querer ser vista, mas talvez eu tenha me enxergado primeiro, e todo o resto veio depois. ter uma comunidade é gostoso, fazer amizades é gostoso, e até hoje eu fico embasbacada quando alguém diz que lê o que eu escrevo aqui. como assim, alguém me lê? como pode??

então, respondendo à pergunta: o que me faz levantar, pegar o computador e escrever pra cá é... alguma coisa que eu não sei o que é, mas que é forte o suficiente. algo que transborda de mim de tal forma que eu não ligo em revisar o que escrevi, porque o importante é escrever. algo que me fez excluir um blog após o outro e continuar criando, igual a uma cientista maluca, em busca de algo que eu não sabia o que era, e que provavelmente ainda estou longe de descobrir, mas que me aproxima dos outros e de mim mesma. eu escrevo porque não consigo evitar e porque, se não escrevesse, não sei quem eu seria; porque um dia fui uma criança que gostava de ler, e hoje sinto falta das histórias que eu lia, em livros ou em telas. 

porque alguém pode precisar ler algo que ninguém escreveu, ainda. então, eu escrevo.

essa postagem faz parte do beda, projeto cujo objetivo é escrever (ou tentar) todos os dias de agosto. tô participando junto com a galera do entreblogs, e você pode dar uma bizoiada no que todo mundo têm escrito aqui :^)

tô aí, firme e forte

diarinho #13

essa semana foi difícil, tanto porque amanda foi embora na terça (chuif) quanto porque... bom, já não ando das mais animadas, e ultimamente ando com muita coisa na cabeça. ou seria pouca coisa, porque cabeça vazia, oficina do diabo? de todo jeito, a cabeça não anda das melhores, e por isso mesmo eu marquei uma primeira consulta com um psiquiatra pra terça mesmo.

vou te falar uma coisa sobre médicos: eu quero gostar deles. quero muito, muito mesmo — eu adoro ir ao médico, adoro fazer exames, adoro sentir que tem alguma coisa se movimentando na minha vida. na época em que eu estava sangrando 24 horas feito uma virgem sacrificada no altar pro capiroto, fazer exames me fazia sentir que eu estava prestes a colocar minha vida nos eixos, junto, claro, à atuação maravilhosa das médicas ginecologistas que me atenderam. pra chegar em uma unidade de profissionais da saúde que realmente se importa (e isso em UMA categoria!!! UMA!!!), eu passei por tanta gente que não me ouvia direito, que culpava meu peso por tudo, que não me encarava nem por 10 minutos e me receitava algo, que desdenhava do fato de eu me relacionar com uma mulher (não só ginecologistas, mas dermatologistas também)... hoje eu tento baixar um bocado as minhas expectativas, pra não me afetar tanto quando cair de cima delas.

essa introdução é pra dizer que, infelizmente, a consulta no psiquiatra foi mais um caso de fábrica de receitas, que é como eu chamo quando você vai a um lugar cheio de gente precisada de cuidado, os médicos chamando os pacientes em salinhas pequenas, e cumprindo dez, vinte minutos de consulta enquanto te receitam algo sem perguntar nada além do que você relatou. talvez com meu relato dê pra saber que eu consegui essa consulta com a cobertura do plano, talvez não, mas taí uma coisa que me deixa puta: como é possível que, pra ser atendido minimamente bem por um profissional de saúde, uma pessoa precise desembolsar geralmente mais de 300 reais pra uma consulta particular? me revoltei com isso na terça mesmo, falando com minha prima, encarando a receita de um medicamento que eu já tomei em diversas doses, das baixas às cavalares, em conjunto com outro remédio e como medicação única. como pode as pessoas não nos ouvirem, ou ouvirem e simplesmente não ligarem? é, de fato, o fim dos tempos. estou entre buscar outro profissional pelo plano, ou simplesmente esperar algum tempo e estudar as finanças com o salário novo pra ver se consigo bancar um atendimento particular, e estudando se faz sentido tentar o medicamento que ele passou, pra não deixar passar em branco.

dizem que o que não tem remédio, remediado está, mas essa pessoa aí claramente não sabia como é que tá a mente do palhaço. doutor, entenda, eu sou o pagliacci!!!!!!

enfim. tirando minha enorme decepção com o psiquiatra, outras coisas: preciso me alimentar direito. preciso fazer uma mega-faxina na casa. tenho compromisso no sábado com meus amigos. tenho que entender como não endoidar com o trabalho novo, sem demandas e sem muito sendo feito pra minha integração nos processos. voltei a jogar cozy grove, um jogo fofo no switch em que você é um “escoteiro espectral” que ajuda ursos-fantasma a refletirem sobre a vida, faz pequenas tarefas pra eles e enfeita uma ilha. tentei começar a assistir chaves na netflix, mas é esquisito colocar a série pra rodar e não simplesmente estar zapeando na tevê de tubo e estar passando algum episódio no sbt. estou reassistindo b99 pela quinquagésima vez. fiquei pensando se existe outra forma de me sustentar com tranquilidade que não ative todas as defesas do meu corpo ao mesmo tempo. chorei dando uma cafungada no travesseiro com o cheiro de amanda. combinei com nicolle de tentar fazer uma postagem colaborativa, mas minha mente e minha rotina essa semana claramente não estão para amadores. dormi, acordei.

mais um dia, galera. firme e forte. não sei se tão forte, mas firme. não sei se tão firme, também.

essa postagem faz parte do beda, projeto cujo objetivo é escrever (ou tentar) todos os dias de agosto. tô participando junto com a galera do entreblogs, e você pode dar uma bizoiada no que todo mundo têm escrito aqui :^)

domingo, 16 de agosto de 2026

notinha

ontem a doença (e o desânimo) me pegaram, mas hoje vou tentar dar o golpe e me salvar no beda com apenas algumas notinhas:

  • amanda tá em são paulo antes de ir embora de vez — e é muito gostoso poder ficar pertinho mais uma vez.
  • aproveitamos pra ir (eu, ela, minha sogra, meus cunhados e as sogras dos meus cunhados (?)) na festa da achiropita! hmmmm, palha italiana. e outras coisinhas mais.
  • minha garganta tá um cadinho melhor, graças ao xarope de guaco e à nimesulida.
  • preciso organizar o css do meu blog. tá tudo numa grande linha só, e tô fazendo isso aos poucos. socorro.
  • na postagem “tudo está melhor do que parece”, eu fiz uma notinha de rodapé improvisada da qual gostei muito, e hoje eu consegui fazer um elemento (<note>) que inclui a linha com um :before. tô feliz com isso, faz eras que não mexia com nadica de css!
  • nessa empreitada de fazer o elemento, não conseguia por nada aplicar as cores do tema atual no :before. quando desisti e fui perguntar ao claude o problema, me dei conta de uma possível solução escrevendo o prompt de pergunta. testei e deu certo! fiquei muito feliz!!
  • tô querendo aprender a codar na moralzinha, do zero, mesmo. preciso parar, pesquisar e ver onde posso fazer isso. sei que existem buzilhões de bootcamps e aulas grátis, mas acabo sempre me perdendo no medo/planejamentos. se alguém tiver alguma indicação de onde começar, aceitarei de bom grado!
  • já repararam que eu evito usar “post” e digo sempre “postagem”? pois é, eu me esforço pra usar sempre termos aportuguesados, ou em português bom e claro, mesmo. recentemente, ando pensando que faz muito mais sentido, talvez, chamar de “publicação”. olha as coisas que a cabeça da gente inventa, meu deus do céu.
  • consegui marcar um psiquiatra, pro mesmo dia em que amanda vai embora. estaria eu mentalhealthmaxxing?
olha como fica a noitinha que eu criei. bonitinha, né não? :^)

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

tomara que eu não fique doente

diarinho #12

(mais um diarinho. mas eu não consigo só chamar de diarinho-número-alguma-coisa, então vamos lá)

finalmente acabei de categorizar todos os meus blogs no inoreader, e sinto que posso começar a acompanhá-los em paz, apesar de agora ter muito mais blogs do que eu tinha antes. eu não ligo; algumas coisas fazem sentido ler, outras não, eu vou marcando como lido e ficando em paz. tenho pra mim que é importante tirar o peso de algumas coisas e decisões. tudo bem se algo for leve.

ontem fui ser babá dos gatos de amélie, que sempre estão mega-carentes, e foi uma delícia, por instantes, estar com criaturinhas que não queriam nada além do meu carinho. depois, saí com minha amiga letícia, que eu não via há muito tempo, já — a gente geralmente não ficava mais de uma semana sem se ver, e, se não me engano, fazia pra lá de um mês que uma não via a cara da outra. estava mentalmente exausta, só queria dormir e sumir, mas fui. no fim, como sempre, foi bom; encontrar quem me é querido sempre é bom. fomos num bar de sapatonas (o segundo que eu fui esse mês!!), que é basicamente um grande botecão de posto, mas hipster-modinha pros jovens. ou, no caso, pras jovens sapatonas (e não-sapatonas também, mas, né). fiquei feliz de ver minha amiga, mas a garganta começou a arranhar; voltei pra casa, dropei um nimesulida e vim dormir.

hoje, acordei com a garganta cheia de secreção. na minha vida, eu tenho poucas certezas: uma delas é a morte, a outra é que a doença que vai me derrubar vai ser sempre a garganta inflamada. ou seja, estou desesperada pra não me adoentar e reverter isso o mais rápido possível. tomei mais uma nimesulida, enrolei na cama até não poder mais, e arrumei algumas coisas em casa; tirei lixo reciclável, levei pras lixeiras na garagem, trabalhei; coloquei roupa pra lavar, estendi roupa, lavei louça. coisinhas de dia-a-dia. minha nimesulida acabou, então comprei mais pelo aplicativo da farmácia, visto que eu teria que sair de casa de todo jeito pra uma sessão de depilação a laser. eu já falei por aqui que estou fazendo depilação a laser? tem sido bom pros pelinhos que crescem no meu queixo (a famosa BARBA HORMONAL. queria poder largar tudo e ser mulher barbuda num circo), minhas axilas e pernas também já estão com menos pêlos (e esses bem fininhos). tirando as tatuagens, claro. o que é engraçado, porque minhas pernas ficam peludinhas em cima dos desenhos (não pode passar laser em cima da tatuagem, senão é tipo tentar remover as bichinhas). voltei, peguei meu remédio, torcendo pra não piorar a garganta por causa do frio da cidade, e comprei um xarope de guaco pra ajudar. não sei se vai ajudar mesmo, mas a intenção tá aí.

tenho pensado sobre como eu gostava de ter minha caixa de e-mail limpa e organizada, e hoje chega um monte de e-mail marketing pra mim, e eu detesto isso. será que tudo deu errado quando deixaram de respeitar o e-mail da gente? antigamente, eu fazia filtros pra excluir automaticamente e-mails indesejados, mas agora as empresas que me mandam lixo eletrônico também me mandam confirmações de eventos e o escambau, então não dá pra excluir tudo automaticamente. volta e meia recebo um retorno de algum processo seletivo pro qual me inscrevi há um tempão (sentimos muito, mas decidimos não seguir com seu perfil para esta vaga), e pelo menos agora estou empregada, então não bate tão forte. quando foi que eu me tornei o meu trabalho, e essas coisas passaram a me atingir tanto? lembro de nunca me descrever usando minha profissão, lembro de ser uma pessoa inteira sem ela; mesmo assim, ser vista na minha profissão, ser desvalorizada e negada e frustrada me destrói. vai entender.

pensei em não escrever nada hoje — afinal: doente —, mas acabei abrindo e lendo várias coisinhas antigas de blogs que acompanho e acompanhava (alguns não existem mais, ou estão trancados), e meu coração ficou meio quentinho. a maria catharina, do gabinetes espaciales, me deixou um comentário logo depois de eu ter aberto o blog dela ontem, quase que pra fazer um carinho, sentindo saudades; gosto muito do que se constrói por aqui. de pessoas que nunca encontrei mas queria poder abraçar, que eu vejo só por fotos, às vezes nem por isso, que são a vila na qual eu moro na internet e os vizinhos pros quais eu dou bom dia. sinto falta da vanessa, tenho que mandar mensagem, é difícil ficar atualizada com todo mundo, abarcar tudo e ainda existir na minha própria mente, mas é bom existir quando eu vejo que outras pessoas existem; pessoas daqui. vejo o neocities da nana, a forma como carolina escreve no krahelin, sinto falta de ler marina, é tanta gente que eu não conseguiria falar de todo mundo e agora tem ainda mais gente — passei a ler a tati com mais atenção, ouvir o kay discursar sobre suas coisinhas, ler os dois tê-agás (THs) em seus respectivos blogs, acompanhar um pouco mais de perto a vida da ba... tenho me sentido grata por fazer parte de um grupo e ver gente nova, por mais que às vezes minha mente sinta falta de não estar num meio de mensagens instantâneas o tempo todo. jamais seria capaz de linkar tudo, de falar de todas as coisas que li e sorrisos que dei em dias nos quais eu achei que não daria sorriso genuíno algum. é pra isso que existe a internet. é pra isso que devia existir.

acabei de abrir o audacity sem querer, olha só. acho que é hora de tomar um banho, um pouco mais do meu xarope, dropar outro nimesulida, se eu for corajosa, e ir dormir.

essa postagem faz parte do beda, projeto cujo objetivo é escrever (ou tentar) todos os dias de agosto. tô participando junto com a galera do entreblogs, e você pode dar uma bizoiada no que todo mundo têm escrito aqui :^)

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

não existe buscopan pra alma

meus dias têm sido meio downers, sem muito ânimo pra fazer qualquer coisa além do que já estava planejado. com golpes aqui e ali, os vilões do beda (e da vida real???) têm conseguido me derrubar. dito isso, aí vão cinco coisas que fizeram parte do meu dia hoje:

  • lavar o banheiro: quem me conhece sabe que EU DETESTO LAVAR O BANHEIRO!!!, mas amo lavar banheiro, ao mesmo tempo, ironicamente. a questão é que ter um banheiro limpinho e ser a primeira pessoa a tomar banho nele é uma das melhores sensações do mundo, certo? certo. então, tô feliz que, mesmo desanimada, consegui lavar meu banheiro e aproveitar a felicidade que vem com isso.
  • responder o e-mail de uma pessoa querida: tenho uma amiga que nem me lembro de como nos conhecemos (acho que foi pelo twitter? instagram?), mas a gente se comunicava de um jeito maravilhoso: trocando e-mails como se fossem cartas. dia desses, ela me mandou um alô pra saber se eu tava viva, eu respondi, e temos trocado mais correspondência virtual desde então. hoje, enquanto enrolava pra lavar o banheiro (desespelo), respondi o último e-mail dela, que tinha chegado há 15 minutos. uma grande vitória pras pessoas que deixam pra fazer tudo depois. o título dessa postagem, inclusive, vem de algo que ela disse num e-mail que ela me mandou há um tempão e que eu estava relendo e morrendo de rir: “Hoje estava pensando pensamentos estranhos e... se conseguissem fazer, um dia, uma anatomia da alma, onde ficariam tantos sentimentos? Onde caberia a angústia, a frustração, a mágoa, a tristeza...? Porque quando eu sinto tudo isso no peito, dá exatamente pra apontar onde é que tá cada sensação. E dói. E não existe Buscopan pra alma.”
  • arroz com ovo: eu tenho tido dificuldade pra comer direito, e hoje tava com zero energia pra fazer algo mais elaborado. tinha um pouco de arroz dormido na geladeira, tinha ovo, e eu fiz a receita mais querida do jovem (à minha época) sem habilidades culinárias: arroz, ovo e batata palha. hmmmm.
  • separar roupas pra doar: tá frio de novo, né? como eu comprei algumas roupas recentemente e tem uma campanha de doação de agasalho aqui no meu condomínio, separei um cadinho de roupas que eu poderia doar. acho importante se desapegar — afinal de contas, são só roupas, e elas podem fazer alguém feliz :^)
  • jantar com minha prima: pra fechar o dia, tô indo jantar com minha prima e tomar um lamenzinho pra esquentar a alma, nesse dia frio em são paulo. por mais que eu não queira botar o pé pra fora de casa, às vezes é a melhor coisa que se pode fazer pra espantar o que quer que esteja fazendo doer a minha alma. já que, como sabemos, não existe buscopan pra ela.
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terça-feira, 11 de agosto de 2026

hoje teve show do maglore

maglore @ casa de francisca, sp // 11.08.26

assim, mais ou menos: foi a audição do disco novo deles (tenho gostado mais de falar “disco” do que “álbum”, me traz um sentimento mais gostoso). foi na casa de francisca, aqui em são paulo, um lugar muito bonitinho e que me fez querer roubar todas as coisas pra decoração da minha casa. realmente adorável.

o disco novo do maglore (quase falei álbum!), fluxo natural, é bem mais melancólico do que o último deles, V (lê-se “cinco”). o V é um dos meus favoritos deles. a musicalidade de maglore é algo que só eles têm, é imediatamente identificável e reconhecível, e eles são melhores ainda ao vivo. convoquei alguns amigos para irem comigo, e foi bom.

entre as músicas que eu mais gostei, estão sul-americano, sonho real, farol e raio de sol (essa última mandei pra amanda um videozinho dedicando, apesar de não gostar de gravar em shows). tenho que ver as letras com calma depois (o negócio nem foi lançado nas plataformas de streaming ainda), mas senti que algumas músicas correm o risco de serem repetidamente ouvidas por mim por ter muito a ver com meu momento atual — tudo bem é uma delas.

pra quem não conhece a banda, recomendo ouvir aquela força, uma das minhas favoritas. viva a música nacional gostosinha!

agora cês me dão licença que tá tarde e a véia aqui vai dormir. boa noite!

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segunda-feira, 10 de agosto de 2026

vapt-vupt

download do cérebro em 15 minutos ou menos:
  • como o feedly definitivamente não funciona mais no meu celular (será que é problema com androids?), testei o capy reader por um tempo, mas ele funciona só no celular. copiando a ba, que volta e meia menciona o inoreader, exportei a lista de blogs que sigo pra lá e tô no caminho de organizar tudo — colocar blogs antigos que não postam mais numa pasta própria, blogs pessoais em outra, criar uma pro entreblogs... acabei me perdendo por horas vendo blogs, hoje. é algo que eu amo fazer. e agora meu leitor de feeds fica atualizado no celular e no navegador!
  • voltou a fazer frio em são paulo, logo agora que amanda não tá aqui comigo. hoje foi só o primeiro dia sem ela e já tô borocoxozinha e morrendo de saudades. às vezes me pergunto se a forma como eu sinto saudades é meio patológica, ou se só é normal você sentir muita falta de alguém que ama muito.
  • uma das melhores coisas de estar trabalhando e ser CLT é poder usar o plano de saúde!!!! hoje fui à oftalmologista, uma que achei perto de casa, e descobri que não tô ficando doida e meu grau aumentou, mesmo. agora vou ver se espero até o mês virar pra fazer meus óculos novos, ou se faço de uma vez
  • o entreblogs tem feito com que eu fique com siricutico de mexer no meu blog. eu gosto muito que meu blog seja um blog, não necessariamente um site. pra mim, são duas coisas diferentes, e eu não tenho tanta vontade, ao menos por ora, de mesclar os dois. tenho pensado em fazer uma página (ou uma postagem) de manifesto, e talvez voltar a fuxicar código pra fazer algo legal (e exercitar meu siricutico de acessibilidade online, também).
  • ontem vi o filme das ovelhas detetives (prime video) com amanda, e foi muito melhor do que eu achei que seria? um viva aos filmes de bicho que fala!
  • comprei uma segunda tela pra usar com meu computadorzinho 🤏 do trabalho, mas a tela é enoooorme e eu tô desacostumada com ela, então tá engraçado.
  • ainda não tenho nada específico pra fazer no trabalho novo, e agora fico meio paranoica que me encontrem na internet escrevendo que trabalhar é pior do que morrer e vendo que eu sou doida. acho que gosto de ser doida, mas em ambiente seguro. de todo jeito, essa semana vou estudar sobre o produto com o qual vou trabalhar e explorar os arquivos, talvez mexer um pouco com inteligência artificial.
  • ainda preciso descobrir como vou fazer pra trabalhar horrores com ia enquanto odeio a bicha com todas as forças ao mesmo tempo. como separar o pessoal do profissional?
  • queria rever meus marcadores do blog. nunca sei se quero fazer algo realmente bom de se categorizar ou se só quero fazer graça com os marcadores. afinal de contas, num blog que não fala nada com nada, pra que servem marcadores?
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não dá pra fugir dessa coisa de pele

há duas horas acordamos, morrendo de sono, porque amanda tinha uma carona pra pegar às oito; fazendo as contas — “são dez minutos até o metrô” “nem são dez, dá menos” “aí são quinze até ali com a baldeação” “mas até com a baldeação é menos que isso, amor, dá uns cinco, eu juro” —, grogues de sono, conseguimos enrolar um pouquinho mais, até as seis e meia. ela tinha que arrumar a mochila pra ir de novo pro interior, eu tinha que levantar porque queria fazer companhia até a hora da partida. às vezes me sinto como um gato, um cão, um bichinho que quer ficar por perto o tempo todo, encostado, numa sensação de segurança.

separa roupa, escolhe o que vai deixar, o que vai pra mochila, eu pego algumas roupas que estavam estendidas porque lavamos ontem. ela tomou um banho rápido, duas músicas de duração, e eu fiquei deitada no sofá enquanto coisa de pele, do jorge aragão, tocava suavemente no banheiro. às sete ela saiu, cheirosa, com um beijinho, e eu voltei pra cama. cheirei o travesseiro dela e comecei a reparar nos barulhos da cidade já a todo vapor: os ônibus, carros, caminhões, os sons que não se sabe ao certo de onde vêm, mas que estão aí mesmo assim. tento fechar os olhos pra dormir mais um pouco, já que fomos dormir tarde e não tenho nenhuma reunião logo cedo, e no braço que coloco ao lado do rosto ficou o cheiro do perfume dela que pegou na minha pele com o abraço. penso, de novo, nas pequenas coisas que constroem o amor, a saudade, o dia, tudo o que define como vai ser o dia e como eu vou me comportar. são as variáveis que definem se uma formiga segue o caminho das demais ou se desvia da rota, não é...? como não sei muito de insetos, melhor engavetar essa comparação. é o que dita o começo do meu dia, pelo menos, e pego o celular pra escrever; acabo decidindo buscar o computador, porque é mais fácil.

ontem foi um dia bom, mas confuso, mas bom, mas difícil, mas bom. eu nunca amei-sendo-amada-de-volta alguém que estivesse perto desde sempre, então aprendi a despedida como parte do ritual do amor, a parte que dilacera só pra pra curar e dilacerar de novo quando necessário, quando a gente quase não se lembra da cicatriz. todo relacionamento tem seus problemas, e os meus sempre foram permeados por lágrimas em portas, portões, rodoviárias, aeroportos, aviões, ônibus, carros, camas, nessa saudade aterradora que destrói; mas destrói sabendo que eu vou passar um café destruída, vou entrar em reuniões, vou colocar um sorriso no rosto e fazer o que tem que fazer. ainda queria entender melhor dessa saudade e por que ela machuca tanto, aprender a carregar o porco-espinho sem me espetar, mas por ora deito ao lado dela na cama e a abraço, espinhos e tudo, na falta de quem me faz falta. eu tenho pensamentos e palavras demais dentro de mim e preciso colocar pra fora, e ontem — talvez pela breve despedida iminente, talvez porque, simplesmente, domingos — despejei meu coração nas mãos dela, em cuia; ela derramou o dela nas minhas também e, entre lágrimas e a tevê tocando reptilia dos strokes uma vez atrás da outra por motivos misteriosos, entre frases que tentam fazer sentido e a gente tentando sentir tudo o que precisa sem sofrer tantas consequências, tudo ficou bem, ou o quão bem se é possível ficar.

uma vez eu escrevi que “é fantástico que você goste de mim, e talvez seja fantástico que eu goste de você. é fantástico te deixar existir ao meu redor e que você me deixe existir ao seu redor também. ‘é sempre um prazer inenarrável’, você diz, e eu me pergunto se você sabe o quanto cada palavra dessa é especial, o quanto eu senti falta de falar com você sobre as coisas, da mais séria à mais besta”, e é mais ou menos isso que se mantém acontecendo, sempre. eu amo ter um você específico para o qual eu posso escrever; você é meu vocativo permanente, é pra você que eu escrevo cartas de amor, é pra você que eu digito mensagem, escrevo histórias, postagens de blog que podem nem ser lidas agora ou depois. amar alguém e ser amada de volta continua sendo fantástico, te encontrar e desencontrar e reencontrar é fantástico, e o seu cheiro no meu braço me faz rir e chorar ao mesmo tempo, e a graça é essa. a força é essa.

é segunda-feira, e eu vou insistir até conseguir tudo o que eu quero. até viver na mesma cidade, na mesma casa, até o problema não ser a falta, até a questão não ser a distância, até que eu sinta o perfume dela todo dia quando for deixar um beijo no seu pescoço, até que todo dia ela me abrace e eu veja tão de perto o conjunto de tudo que tem nesse rosto e que eu amo.

eu sou uma pessoa feita pra amar, afinal de contas, então vou continuar até que tudo na minha vida seja feito de amor.

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