ei, sumidaaaaaa!
sempre que eu fico muito tempo sem escrever, me sinto como uma dessas duas maneiras: ou como se estivesse me escondendo atrás de uma cortina translúcida, onde todo mundo consegue me enxergar; ou como se estivesse empilhando pratos de tamanhos diferentes na pia da cozinha enquanto os ensaboo, quando podia simplesmente ir enxaguando um bocado e colocando no escorredor.
a primeira é porque não existe um motivo bom o suficiente pra não escrever, e eu sei que vir pra cá me faz bem, então sempre acaba surgindo uma vergonhazinha em deixar de lado algo que eu gosto bastante — não ler os blogs que eu gosto, não responder os comentários. é, numa comparação meio esdrúxula, como se eu estivesse fugindo da terapia, porque sempre volto meio que me justificando, mesmo que mais pra mim mesma do que qualquer outra coisa.
a segunda é porque eu sinto que minha cabeça existe num estado de bagunça mental tão grande que eu vou fazendo pilhas de coisas-que-farei-quando-estiver-menos-atarefada, ao invés de ir fazendo uma coisinha de cada vez, sem desespero. funciona assim: meu cérebro, o coordenador de tudo, pensa "as coisas estão complicadas no trabalho? pois vamos desligar a energia de todos os outros aspectos da sua vida e direcionar pra cá. lazer, reflexão, autocuidado? nããão, ninguém precisa disso, tá doida?", e assim eu acabo dois, três, quatro meses tentando melhorar em um aspecto e falhando, porque o que me sobrecarregava não eram as outras coisas que eu cortei na esperança de equilibrar meu mundo novamente.
| tudo parece horrível, mas pelo menos eu fui babá de cachorro na virada do ano |
a terceira maneira bônus, que também é o motivo pelo qual eu demoro a escrever cartas, é que eu não gosto de escrever quando não tenho coisas boas a dizer. é um motivo meio burro, se eu for bem sincera — eu gosto bastante de ler quando outras pessoas destrincham os sentimentos difíceis de lidar e falam sobre não estarem bem —, mas acho que, quando o assunto é lidar com sentimentos difíceis, é frequente se permitir tomar decisões meio burras: me isolar de qualquer presença humana, pedir comida ao invés de cozinhar, me manter longe dos meus passatempos enquanto reassisto alguma série pra evitar que minha cabeça pense demais. eu não queria chegar aqui e falar que estou mal, mês após mês, porque não quero sentir que estou pesando o clima, ou sobrecarregando alguém. sobrecarregando meus amigos, na verdade — será que é brega eu considerar vocês meus amigos? (não respondam!!!! meu coração tem buraquinhos!!!)
a coisa é que houve momentos bons de novembro pra cá, é claro; eu fui babá de bicho, fiz aniversário, vi meus amigos, fiz uma trilha e quase morri (mas não morri), joguei coisas novas, fiz tatuagens, recebi uma carta maravilhosa da van de presente de aniversário, que foi tão surreal que eu mantive a maioria das coisas dentro da caixa, pra poder me lembrar e pra registrar. só que esses momentos bons parecem estar sempre sob uma sombra pesada, como um dia de chuva que faz com que você cancele seus planos de piquenique. então, eu vou postergando tudo: falar de despesas, falar de cachorro, falar de aniversário, falar de saudades, falar de amizades, porque falar de qualquer coisa vai desaguar em falar que eu não estou bem, e eu não quero falar que não estou bem. só não sei ainda se não quero falar isso pra mim mesma, porque estou cansada de ouvir, ou se pra vocês, porque na minha cabeça estão cansados de ouvir. vai saber.
juro pra vocês, dá muito trabalho ser doida e complexada. eu tô escrevendo, me autoanalisando e balançando a cabeça negativamente. coméquipode.
dito isso, com esses pensamentos que vinham rondando a minha cabeça: estou de volta! com umas 3 postagens nos rascunhos que talvez tenham perdido o timing, com a nuvem carregada em cima da minha cabeça, mas estou de volta. talvez ainda não esteja de volta pra escrever cartas, porque ninguém merece receber um boletim do meu estado mental e eu não sei não ser prolixa, mas estou por aqui. saudades de não sentir saudades, etc etc etc, porque mesmo triste a gente ainda pode ter momentos com um sorriso no rosto, e ler vocês escrevendo, comentando e existindo é esse momento, pra mim (dentre outros).
p.s.: também tenho pensado em fluxo de escrita e em como tentar fazer mais sentido. talvez eu traga isso pra cá eventualmente, mas tô tentando colocar em prática desde já.
p.p.s.: tô pra mandar mensagem pra algumas psicólogas e voltar a fazer terapia, juro. só preciso sair um pouco mais do estado empilhando-vários-pratos-de-tamanhos-diferentes dentro da minha cabeça.
p.p.p.s.: gente, e esse negócio de texto com travessão ser termômetro pra escrita de IA? e a gente que gosta de travessão, como fica?????????? é preciso muita confusão mental pra escrever meus textos, tá. AI could never!!!
p.p.p.p.s.: e aí, vocês tão vendo a novela ou o bbb?
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