ultimamente, não tenho usado meu computador por muito tempo — só pra dar uma olhada em vagas, me candidatar, mexer em algumas coisas, e saio logo em seguida. por essa razão, dependo do aplicativo do feedly pra conseguir ler os blogs que acompanho pelo celular.
só que ele. não. abre.
minha rotina com o feedly há umas duas semanas é:
- clicar no ícone do aplicativo
- ele não abrir
- desinstalar e instalar de novo
- ele continuar não abrindo
nesse ponto, eu largo pra lá, pensando: eventualmente ele volta a funcionar. mas eventualmente QUANDO???
...e é por isso que eu ando sumida.
tenho tentado desesperadamente não ficar deprimida com as perspectivas do mercado de trabalho, mas tem sido um pouco impossível. eu trabalho com design de produtos digitais, e com a alta da IA, o que mais tem é gente sendo demitida (em massa ou não) porque as empresas querem cortar gastos sem cortar escopo (ou seja, sobrecarregando gente com mais coisa pra fazer, porque todo mundo supostamente é mais produtivo, agora).
só sei que eu tô cansada. genuinamente cansada, deprimida, sem emprego e com aquele medo gostoso (só que ao contrário) de acabar a reserva e eu não ter como pagar minhas contas no fim do mês. que época difícil pra se estar desempregado, viu? vou contar pra vocês.
a vida, no entanto, não tem sido só coisas ruins (apesar de a sensação ser essa com alguma frequência). assisti a última temporada de euphoria com minha digníssima, estou revisando o livro da vanessa, vi heated rivalry inteira (gostei e achei muito bem escrita e editada) e os dois primeiros episódios de off campus (nada me tira da cabeça que esse é o novo high school musical dos jovens). tô tentando terminar o livro que comecei a ler há um milhão de anos (oração para desaparecer), porque ele simplesmente não me pegou. e bordei um sapinho em ponto-cruz que me deixa feliz só de olhar pra cara dele.
imagine que você vê um post no instagram falando de um encontro de conversa, com a foto de uma autora que você gosta muito e sua obra favorita dela. o encontro vai ser perto da sua casa. você obviamente vai, certo?
isso foi o que eu e meu amigo emilio pensamos, quando ele me mandou um print do post (pois eu sou uma eremita sem redes sociais), há mais ou menos um mês. falei que ia anotar no meu calendário, e ficamos os dois empolgadíssimos, planejando já chegar com uma hora de antecedência, já que esse tipo de evento geralmente enche — afinal, era uma autora internacional.
cheguei com antecedência e mandei mensagem pra ele. o lugar tá fechado, mas já vão abrir, eu disse, esperando dentro da livraria da rua, que iria promover o evento. essa livraria tem uma outra loja mais pra frente na rua, chamada de “mercadinho”, onde eles vendem livros usados. tá bom, tô esperando o uber, ele me responde. quando ele chega, ficamos esperando o mercadinho abrir.
uma moça, arrumando o espaço, nos explica que é um encontro de clube do livro. que legal, nunca vejo clubes do livro lendo quadrinhos!, eu elogio. ela concorda, comentando que tinha sido o primeiro quadrinho do clube também. o relógio alcança a hora divulgada do evento. eu olho pro emilio, ele olha pra mim. estranho, mas tudo bem, eventos atrasam! não comentamos muito sobre a autora com a moça do evento, ajudamos a arrumar algumas coisas e ficamos conversando.
mais gente chega, todo mundo nos cumprimenta, e as engrenagem do meu cérebro começam a rodar. ela lançou algum livro recentemente? não, eu me respondo. não que eu saiba. e o livro que vai ser discutido foi lançado em 2003. será que... não, não pode ser, eu afasto o pensamento. o post no instagram era claro, né? ...né? eu procuro a imagem que o emilio tinha me mandado. “Clube de leitura”, uma foto da autora, uma imagem do livro, e embaixo escrito “Encontro” com a data em frente. vago, né?
pois é. vago o suficiente pra ser só um encontro de clube do livro que eu e emilio basicamente invadimos, achando que seria um evento com a marjane satrapi, autora de persépolis. ficamos meio rindo, meio em desespero durante todo o encontro. foi divertido, as pessoas eram legais, mas me senti um pouco a camila fremder indo em um podcast achando que era outro porque não leu direito o e-mail.
esses dias, emilio me manda mensagem: a imagem de outro post, no mesmo estilo do que nos enganou. o golpe tá aí, cai quem quer. quem não quer também, aparentemente.
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