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sexta-feira, 14 de agosto de 2026

tomara que eu não fique doente

(mais um diarinho. mas eu não consigo só chamar de diarinho-número-alguma-coisa, então vamos lá)

finalmente acabei de categorizar todos os meus blogs no inoreader, e sinto que posso começar a acompanhá-los em paz, apesar de agora ter muito mais blogs do que eu tinha antes. eu não ligo; algumas coisas fazem sentido ler, outras não, eu vou marcando como lido e ficando em paz. tenho pra mim que é importante tirar o peso de algumas coisas e decisões. tudo bem se algo for leve.

ontem fui ser babá dos gatos de amélie, que sempre estão mega-carentes, e foi uma delícia, por instantes, estar com criaturinhas que não queriam nada além do meu carinho. depois, saí com minha amiga letícia, que eu não via há muito tempo, já — a gente geralmente não ficava mais de uma semana sem se ver, e, se não me engano, fazia pra lá de um mês que uma não via a cara da outra. estava mentalmente exausta, só queria dormir e sumir, mas fui. no fim, como sempre, foi bom; encontrar quem me é querido sempre é bom. fomos num bar de sapatonas (o segundo que eu fui esse mês!!), que é basicamente um grande botecão de posto, mas hipster-modinha pros jovens. ou, no caso, pras jovens sapatonas (e não-sapatonas também, mas, né). fiquei feliz de ver minha amiga, mas a garganta começou a arranhar; voltei pra casa, dropei um nimesulida e vim dormir.

hoje, acordei com a garganta cheia de secreção. na minha vida, eu tenho poucas certezas: uma delas é a morte, a outra é que a doença que vai me derrubar vai ser sempre a garganta inflamada. ou seja, estou desesperada pra não me adoentar e reverter isso o mais rápido possível. tomei mais uma nimesulida, enrolei na cama até não poder mais, e arrumei algumas coisas em casa; tirei lixo reciclável, levei pras lixeiras na garagem, trabalhei; coloquei roupa pra lavar, estendi roupa, lavei louça. coisinhas de dia-a-dia. minha nimesulida acabou, então comprei mais pelo aplicativo da farmácia, visto que eu teria que sair de casa de todo jeito pra uma sessão de depilação a laser. eu já falei por aqui que estou fazendo depilação a laser? tem sido bom pros pelinhos que crescem no meu queixo (a famosa BARBA HORMONAL. queria poder largar tudo e ser mulher barbuda num circo), minhas axilas e pernas também já estão com menos pêlos (e esses bem fininhos). tirando as tatuagens, claro. o que é engraçado, porque minhas pernas ficam peludinhas em cima dos desenhos (não pode passar laser em cima da tatuagem, senão é tipo tentar remover as bichinhas). voltei, peguei meu remédio, torcendo pra não piorar a garganta por causa do frio da cidade, e comprei um xarope de guaco pra ajudar. não sei se vai ajudar mesmo, mas a intenção tá aí.

tenho pensado sobre como eu gostava de ter minha caixa de e-mail limpa e organizada, e hoje chega um monte de e-mail marketing pra mim, e eu detesto isso. será que tudo deu errado quando deixaram de respeitar o e-mail da gente? antigamente, eu fazia filtros pra excluir automaticamente e-mails indesejados, mas agora as empresas que me mandam lixo eletrônico também me mandam confirmações de eventos e o escambau, então não dá pra excluir tudo automaticamente. volta e meia recebo um retorno de algum processo seletivo pro qual me inscrevi há um tempão (sentimos muito, mas decidimos não seguir com seu perfil para esta vaga), e pelo menos agora estou empregada, então não bate tão forte. quando foi que eu me tornei o meu trabalho, e essas coisas passaram a me atingir tanto? lembro de nunca me descrever usando minha profissão, lembro de ser uma pessoa inteira sem ela; mesmo assim, ser vista na minha profissão, ser desvalorizada e negada e frustrada me destrói. vai entender.

pensei em não escrever nada hoje — afinal: doente —, mas acabei abrindo e lendo várias coisinhas antigas de blogs que acompanho e acompanhava (alguns não existem mais, ou estão trancados), e meu coração ficou meio quentinho. a maria catharina, do gabinetes espaciales, me deixou um comentário logo depois de eu ter aberto o blog dela ontem, quase que pra fazer um carinho, sentindo saudades; gosto muito do que se constrói por aqui. de pessoas que nunca encontrei mas queria poder abraçar, que eu vejo só por fotos, às vezes nem por isso, que são a vila na qual eu moro na internet e os vizinhos pros quais eu dou bom dia. sinto falta da vanessa, tenho que mandar mensagem, é difícil ficar atualizada com todo mundo, abarcar tudo e ainda existir na minha própria mente, mas é bom existir quando eu vejo que outras pessoas existem; pessoas daqui. vejo o neocities da nana, a forma como carolina escreve no krahelin, sinto falta de ler marina, é tanta gente que eu não conseguiria falar de todo mundo e agora tem ainda mais gente — passei a ler a tati com mais atenção, ouvir o kay discursar sobre suas coisinhas, ler os dois tê-agás (THs) em seus respectivos blogs, acompanhar um pouco mais de perto a vida da ba... tenho me sentido grata por fazer parte de um grupo e ver gente nova, por mais que às vezes minha mente sinta falta de não estar num meio de mensagens instantâneas o tempo todo. jamais seria capaz de linkar tudo, de falar de todas as coisas que li e sorrisos que dei em dias nos quais eu achei que não daria sorriso genuíno algum. é pra isso que existe a internet. é pra isso que devia existir.

acabei de abrir o audacity sem querer, olha só. acho que é hora de tomar um banho, um pouco mais do meu xarope, dropar outro nimesulida, se eu for corajosa, e ir dormir.

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

as pequenas coisas

arte por anna-laura sullivan

ando meio monotemática ultimamente, mas é porque quero aproveitar cada instante do tempo que estou passando com amanda antes que ela inevitavelmente volte ao méxico. os dias têm sido uma mistura entre felizes, preguiçosos, difíceis, ansiosos... a vida não para só porque a gente quer aproveitar uma coisa, e eu acabo fazendo um malabarismo doido pra tentar viver tudo da melhor maneira. olha só: até aí a ansiedade e a vontade de ter o controle de tudo me pega (alô, terapia).

eu sou uma pessoa carente. não com aquele tipo insuportável de carência (ou pelo menos eu espero que não), em que você precisa estar grudado o tempo todo, mas reconheço que minha vida fica meio triste quando eu não tenho companhia. tento me cercar sempre de amigos, pessoas, ambientes agradáveis, sons, tudo o que me ajude a não estar sozinha — e, morando só e trabalhando de frente pra um computador na minha própria casa, é inevitável que eu passe grande parte do tempo exatamente assim: sozinha.

ter amanda aqui matou duas das coisas que estavam me matando, a saudade e a solidão. conviver com ela é gostoso, fácil, e assim que ela chegou uma das coisas que eu pensei foi em como é maluco que ver alguém que eu não via há mais de um ano veio com a sensação de que fosse só mais um dia, como se a gente tivesse se visto no dia anterior. a gente ouviu música junto, jogou videogame, viu filme, série, saiu pra bater perna na rua, fez tudo o que tinha direito.

essa semana ela passou comigo, em são paulo; na segunda, ela vai pro interior outra vez, ficar com a mãe dela um bocado. não é uma despedida definitiva, mas é quase — ela só volta na outra segunda, pra ir embora de vez na terça. logo, por mais que eu não esteja necessariamente pensando nisso o tempo todo, meu corpo reage à parte do meu cérebro que não deixa essa informação escapar: tenso, fazendo a conta de quanto tempo eu ainda tenho pra passar junto com ela (namoro à distância é terrível, jovens, não cometam esse crime). hoje, por exemplo, ela foi trabalhar um dia presencial, aproveitando pra ver o pessoal da empresa que trabalha aqui do brasil, o que me deixou sozinha em casa, em um dos poucos momentos que estou passando sozinha desde que ela chegou. logo depois de fechar a porta, voltei pro quarto, porque ainda estava cedo; o boné dela, o gorro e a garrafa d’água estão sobre a cômoda, do outro lado da cama. quando me deitei, meus olhos repararam na mochila roxa, no cantinho do quarto, encostada quase como quem diz licença, desculpa, vai ser rapidinha a minha estadia aqui. mesmo agora, digitando isso, eu penso: não seja uma estadia rapidinha, não. fica mais tempo, faz o tempo passar devagar, que nem os móveis coloniais de acaju falam na música. fica, fica...

enfim, divago. ficando em casa, me arrumando pro trabalho, eu reparo nas pequenas coisas:

  • o perfume do lado dos meus, que só não é mais gostoso que o cheiro puro da pele dela,
  • as duas escovas de dente (as duas são dela e não, eu não sei o porquê) dentro da caneca na pia do banheiro,
  • as toalhas secando, mais bonitas que uma bailarina sincronizada com outra, porque são as nossas,
  • o remédio dentro da bolsinha (“lembrou de tomar o remédio?” “lembrei, amor”), pra ajudar com a cabeça,
  • o chinelo que eu separei e que ela nunca usa, porque prefere andar descalça,
  • o cheiro dela que fica na cama, onde a gente se deita pra pensar no que a gente faz com essa ansiedade toda, como a gente faz pra viver melhor,
  • a garrafa de original que ela tomou ontem, vendo o jogo do corinthians, fazendo piada que o time precisa de jogador feio, porque os bonitos não fazem gol,
  • as balas halls de uva verde na geladeira, porque não tem esse sabor por lá, e que eu comprei um monte pra ela matar a saudade,
  • a louça secando na cozinha, prova de que eu não tô vivendo só.

e são coisinhas que me fazem feliz, as mesmas coisinhas que eu tento desesperadamente absorver por saber que estarão fora do meu alcance muito em breve. a saudade em mim bate forte e eu sei que vou tentar me distrair com todas as coisas possíveis, mas ela vai continuar aqui enquanto quem eu amo não estiver. são coisinhas das quais eu vou me lembrar e sorrir quando já não estiver mais chorando.

são coisinhas, coisas pequenas, das quais se constrói uma rotina e que se faz o amor.

essa postagem faz parte do beda, projeto cujo objetivo é escrever (ou tentar) todos os dias de agosto. tô participando junto com a galera do entreblogs, e você pode dar uma bizoiada no que todo mundo têm escrito aqui :^)

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

tudo está melhor do que parece

essa postagem faz parte do beda, projeto cujo objetivo é escrever (ou tentar) todos os dias de agosto. tô participando junto com a galera do entreblogs, e você pode dar uma bizoiada no que todo mundo têm escrito aqui :^)

eu não me acho uma pessoa pessimista. deprimida, sim; triste? às vezes. mas não me vejo endossando um discurso em que a esperança é pequena, porque simplesmente não é assim que eu sou — eu geralmente sou aquela pessoa que vai convencer alguém em um momento difícil da vida que as coisas vão melhorar, mesmo que eu mesma esteja cavando um buraco no fundo do poço. tudo já é ruim o suficiente, a gente não precisa piorar.

dito isso: queimei a largada.
é quinta-feira da minha primeira semana no emprego novo e, dando uma olhada no sistema de comunicação do time, pensando no que precisarei fazer em breve, a cabeça foi a mil e eu dei minha primeira chorada de ansiedade. às vezes eu penso se não quebrei um bocado com essa vida corporativa, se a solução não é voltar a trabalhar com o público, com as mãos, com qualquer coisa que não use minha mente. enquanto meus olhos não paravam de encher d’água, fiquei querendo rir: como pode, chorar na primeira semana de trabalho sem nem ter tarefas engatilhadas ainda? sem nem ter acesso aos softwares que eu preciso pra trabalhar! a ansiedade é uma coisa maluca. tenho acompanhado a jornada da ba, finalmente #medicada contra essa coisa que aflige o nosso cérebro, e é engraçado ver os paralelos: ela sem trabalhar, mas em paz, lidando com a vida com um pouco mais de calma; eu, trabalhando depois de meses sofridos buscando me recolocar, chorando no colo de amanda porque a vida é imprevisível.

é um pouco patético, mas a vida é mesmo patética, fazer o quê.

mesmo nesse chororô, mesmo pensando que talvez eu já não sirva pra fazer o que faço, conversando com amanda pensei de novo comigo mesma: não me vejo como uma pessoa pessimista. acho que a vida é dura, que às vezes a gente tem que reconhecer que um dia foi difícil, a semana, o mês, o semestre, o ano; mas que isso não quer dizer que o que vem por aí não possa ser bom. eu acho que há uma força em enxergar as coisas como são, nem enfeitadas, nem enfeiadas: só como são. tudo bem não ficar empolgada com algo que deveria te deixar feliz. tudo bem aceitar que um dia já deu tudo o que tinha pra dar, e se contentar com esperar que ele acabe. tudo bem queimar a largada e chorar feito uma adolescente, porque a gente enxuga as lágrimas e segue em frente, ainda tem coisa a se aprender. a criança chora quando se machuca, mas é só lavar o machucado, deixar que os soluços sigam seu rumo, e logo ela tá ali, correndo pra ralar o outro joelho também. às vezes a gente só precisa de uma boa noite de sono (pelo amor de deus, sabe, só quero ser feliz).

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o título vem dessa música d’o terno, que é muito gostosinha!

terça-feira, 4 de agosto de 2026

rebobinar mais e avançar menos

essa postagem faz parte do beda, projeto cujo objetivo é escrever (ou tentar) todos os dias de agosto. tô participando junto com a galera do entreblogs, e você pode dar uma bizoiada no que todo mundo têm escrito aqui :^)

a missão: beda. o obstáculo: eu ter voltado de viagem no domingo, sair sem celular (se estivesse com celular juro por TUDO que eu tinha postado) e começar no emprego novo essa semana. acabou que eu não tava com tempo nem energia pra escrever ontem, mas HOJE??? hoje vai.

no domingo, eu voltei de viagem e amandinha não foi me buscar no aeroporto. é muito bom ter ela perto, estar escrevendo e encostar meu pezinho no dela enquanto ela joga videogame, almoçar junto, assistir filme junto... tô tentando não pensar em como vai ser quando ela for embora. na verdade, tô tentando não pensar em como vai ser na semana que vem, em que ela vai estar no brasil, mas no interior, e só vai voltar pra são paulo quando for embora. será que era assim que romeu e julieta se sentiam? pelo menos a gente tem mensagem instantânea e não corre o risco de sofrer o mesmo desentendido.

assistimos série, cochilamos, arrumei coisas em casa (nada como viajar e voltar pra casa pra amar fazer tarefas de arrumação de novo, risos) e saímos pra passear à noite. como eu iria começar a trabalhar no dia seguinte, estava ansiosa e andar sempre ajuda nesses casos, então foi o que escolhemos; por fim, acabamos indo jantar, tomando uns biricuticos e dormindo de um jeito super picado. sabe quando você fica dormindo e acordando, mas de um jeito que parece que você nem dormiu? pois é. o dia foi muito gostoso, apesar disso. o clima tava gostoso, a noite tava linda. eu não conseguia parar de sorrir. falei com amanda que tinha que escrever pro blog, perguntei o que eu podia postar, e ela me perguntou se eu estava feliz. quando eu disse que sim, ela replicou, do alto dos nossos dois-drinks-cada-uma: posta uma foto nossa e fala que você tá feliz. se eu não tivesse deixado o celular carregando antes de sair, tinha postado ali mesmo, voltando pra casa. nem tiramos uma foto, mas eu estava feliz. é bom demais estar feliz.

comecei no emprego novo e, até agora, corre tudo bem. a firma é bem menor do que a última em que eu trabalhei, e eu sinto que estou “preparada”, entre muitas aspas, pra um nível de pressão maior do que o que terei — o que, não me entendam errado, é ótimo. a última coisa que eu quero é mais um burnout na conta. as pessoas são simpáticas, e estou basicamente lidando com as burocracias do começo: treinamentos, conhecer pessoas, entender como rodam as engrenagens corporativas e por aí vai. os dias têm sido tranquilos e lentos, e eu sinto que o clima seco que faz em são paulo e a saudade batendo à porta começam a deixar um gosto amargo na minha língua, quase como se eu estivesse ficando doente. já tenho um milhão de compromissos engrenados pra assim que amanda for embora, porque inevitavelmente me sentirei muito sozinha: é assim que funciona quando você tem alguém com quem adora passar os dias e então não tem mais. a única coisa que eu tiro disso tudo é que nem a pau vou ficar mais de um ano sem ver essa mulher de novo.

tem sido interessante começar uma rotina nova com amanda aqui. tô aproveitando cada segundo, mas às vezes é inevitável pensar que o dia de ela viajar de volta tá cada vez mais perto. no domingo mesmo, conversando enquanto tomávamos nossos biricuticos, ela me disse que queria que eu enxergasse mais as oportunidades de ser feliz ao invés de só os empecilhos pelo caminho; é o que eu ando tentando fazer. talvez minha meta do momento seja tentar vencer a ansiedade nesse ponto: o de estar sempre com a cabeça correndo dias à frente, sofrendo por antecipação com coisas que nem estão perto de acontecer, e perdendo a oportunidade de ser feliz no agora.

pra terminar: amanda tá jogando algum jogo do mario do meu lado, um que eu nem sei qual é — só sei que não tem escolha de fases, e toda vez que você vence um mundo, aparece um número de toads igual ao número do mundo —; toda vez que ela morre ou vai morrer, usa o comando que eu ensinei pra ela do nintendo switch, em que você consegue rebobinar o jogo (os jovens ainda sabem o que é rebobinar?) até certo ponto. a mulher está obcecada e nunca mais seguiu a ordem natural das coisas e deixou o pobre do mario morrer depois que aprendeu a roubar. eu criei um monstro.

segunda-feira, 6 de julho de 2026

a vida pode ser boa, se você deixar

eu ando meio cansada.

é engraçado que se possa estar cansada e desempregada ao mesmo tempo, eu sempre penso, quase como se fosse injusto; afinal, eu não faço muita coisa. afinal eu existo precariamente, poucos movimentos, pouca comida, pouca água, pouca cabeça pra pensar em qualquer coisa que seja. eu como porque tenho que comer, limpo a casa porque tenho que limpar, encontro algum ânimo pra assistir um vídeo, ler um livro; eu saio pouco. eu abro meu e-mail todos os dias, horrorizada, esperando mais negativas e nenhuma boa notícia.

às vezes (será que é sempre?), eu morro de medo que Outras Pessoas encontrem o meu blog: a gente existe de maneiras diferentes em lugares diferentes, e tenho medo que alguém que me vê de um jeito me veja de outro. quem me conhece diferente sabe que eu sou assim, uma pessoa que tenta existir sem pedir desculpas. unapologetic, a palavra em inglês. no ambiente de trabalho não dá pra ser sempre a mesma pessoa sem pedir desculpas, não dá pra dizer que se está mal e que mal se consegue levantar e encontrar um motivo pra apertar botões e teclinhas que vão ganhar dinheiro pra alguém bem mais rico que eu. me contento em ser a melhor pessoa que posso ser no trabalho, sem falar do que é proibido, mas ainda sendo eu; quero mostrar pras pessoas quem eu sou de verdade, mas morro de medo que elas me vejam. eu não ligo, mas ligo. todo mundo quer ser aceito e ser amado, não é?, e eu não preciso que alguém me ame a partir de quem eu sou de verdade, mas tenho medo de que alguém que me via como A Minha Melhor Versão Do Trabalho veja o que eu sinto, como eu falo, e já não goste mais de mim.

é irônico. tenho pensado muito nisso: as pessoas do trabalho. volta e meia alguma me vem à cabeça quando vejo algo que desperta uma lembrança; um cachorrinho? aquele rapaz do sul. um jogo? a desenvolvedora. legos? o rapaz que me via todo dia, na segunda pela manhã, os dois com a cara de cansaço de quem sabe que a semana vai ser longa. todas essas pessoas existem na minha vida e, ao mesmo tempo, não existem mais; agradeço pela minha amiga que escreve em cadernos, que usa agendas, que desenha e que deixa o sobrinho pintar com os dedos, fazer uma bagunça, essa amiga que o trabalho me apresentou e que o mundo me deu. agradeço pela outra amiga, a líder, que saiu da empresa e que o mundo já tinha me dado de presente. não dá pra levar todo mundo pra vida, eu acho. não há botes o suficiente no titanic.

daqui a três dias vai fazer quatro meses que fui demitida. umas vezes penso: que oportunidade perdida. outras vezes: é a vida. eu andava infeliz e a vida anda pra frente, ela decide antes que a gente consiga olhar pras opções, ela segue e a gente é obrigado a seguir com ela, senão fica pra trás. eu segui alguns dias, e em outros assisti ela se tornar uma figura cada vez menor no horizonte. não dá pra gente estar bem o tempo todo, mas é preciso tentar. por si, no máximo — porque é mais fácil, é o mínimo, estar bem pelo outro. é difícil encontrar motivo pra cuidar de si. falo sempre com amanda: somos muito cruéis com a gente. a minha imagem no espelho é sempre mais feia. o erro que eu cometi é sempre pior. posso perdoar o outro, mas parece impossível perdoar a si. por que isso? eu queria saber.

os últimos dias têm seguido mais tranquilos, apesar de ainda difíceis; oportunidades despontam, me lembram que o mundo não vai acabar enquanto eu grito pra dentro de mim que é o fim dos tempos. a vida me mostra a situação de maior insegurança que eu já vivi, e eu respiro fundo: tudo tem que ser vivido antes que se saiba como viver. uma frase escrita a fogo na minha mente, desde não-sei-quando: i'll try anything once. e pergunto de onde é, e encontro a demo de you only live once, dos strokes. ouço pela primeira vez, e me pergunto como essa frase foi parar na minha vida. é improvável que eu me lembre, e me contento com isso; a gente tem que viver as coisas pra poder saber como agir só depois. a vida é um manual de instruções que se escreve depois de cada jogada, e eu sempre digo que é melhor aprender fazendo. se a gente vive as coisas mais fantásticas pra se lembrar depois, nada mais natural do que viver as mais doloridas também. a dor é menor da segunda vez, porque a gente consegue se preparar. porque há uma referência.

joguei o capítulo recém-lançado de um dos meus jogos preferidos. a esperança me encara de longe, um pontinho que vai ficando maior enquanto se aproxima cada vez mais. a pessoa que eu mais amo no mundo vai estar ao alcance das minhas mãos pela primeira vez em mais de um ano. encontro amigos em dias de sol, tomo café, termino um livro, lavo o banheiro toda semana, reclamando: tá muito frio! minha amiga, uma das que eu mais admiro, me diz: vai dar tudo certo pra você! você é muito boa no que faz, e eu penso: ela acha que eu sou muito melhor do que eu sou. e eu penso: e se eu decidir acreditar, mesmo que só por um instante?

domingo, 7 de junho de 2026

todas as histórias de amor se entrelaçam

hoje assisti os dois últimos episódios de heated rivalry com amanda. foi engraçado, porque apesar de ser uma série boa no geral, foram justamente esses dois episódios que me fizeram encher o saco da pobre da minha namorada pra que ela assistisse a série comigo — a série tem muito foco no sexo, mas desemboca em assuntos mais emocionais, além de ser surpreendentemente gostosa de assistir pela direção (artística e geral), roteiro, atuação e edição.

só faltavam esses dois, e paramos na metade do penúltimo porque começamos a relembrar coisas da nossa história. foi muito bom pra me lembrar de como eu preciso escrever mais, e escrever sempre, porque grande parte do nosso repertório do que aconteceu na semana em que a gente se conheceu e outro bocado de coisas desde então está em um blog que eu uso pra escrever coisas pessoais, ou no meu listography. a gente não pensa que vai fazer tanta diferença escrever algumas coisas, mas a verdade é que faz, né? é o que a gente escreve que pode ser relido, é o que pode ser relido que mostra o que a gente sentia, como a gente se sentia, o que estava acontecendo. claro que vai ser sempre um ponto de vista, mas quão privilegiados são os que podem ler seus pontos de vista sobre coisas que aconteceram há quase oito anos? amanda me lembrou de coisas que eu escrevi pra ela que eu nem lembrava de ter escrito, porque o tempo passa, a gente escreve mais um monte de coisa, vive outro monte, e se esquece. mas quando a gente escreve, dá pra lembrar. vou até deixar o link pro caso de alguém querer ler o relato da semana em que conheci o amor da minha vida, porque amanda disse que foi a coisa mais bonita que alguém já escreveu pra ela (eu rebati que, se um dia a gente casar, vou precisar nem escrever votos, porque já tá pronto! olha que beleza).

eu fiquei realmente pensativa depois disso. tenho estado pra baixo e deprimida, o que geralmente me deixa com pouca ou nenhuma vontade de escrever — de fazer qualquer coisa, na verdade, mas parece que a criatividade morre mais rápido que o resto das vontades. fiquei pensando no quão importante é escrever até por isso: pra lembrar que, por mais que a criatividade morra, ela volta de novo e de novo e de novo. algo que me deixa meio triste é pensar que eu já escrevi tanta coisa linda e hoje sou só sapo ensaboado, mas como é que eu vou voltar a escrever coisas lindas se eu não estiver lendo e vivendo e me inspirando e escrevendo coisas bobas, também?

enfim. amanda quer ver duzentos-e-alguma-coisa de filmes até o ano acabar, e ontem assistimos la la land. eu tinha ranço desse filme quando foi lançado, muito provavelmente por comentários de twitter e pela pequena confusão na revelação do oscar de melhor filme em 2016 (quem viveu sabe), mas amanda sempre amou e se revoltou por eu nunca ter assistido; me propus a assistir (já que ela foi obrigada a assistir a série comigo kkkk), amei a fotografia, chorei copiosamente e fui #exposta no instagram de amanda pós filme. um ótimo filme pra se assistir, recomendo. ontem mesmo, também reassistimos (500) dias com ela, um clássico de todo jovem indie millenial e também desembocamos em conversas sobre nossas vidas e nossos relacionamentos — uma com a outra e também com outras pessoas. é engraçado como assuntos de amor se puxam uns aos outros.

(ah, a quem interessar: amanda gostou de heated rivalry, no fim das contas)

em outro assunto, estou fazendo ponto-cruz pra me distrair e manter a mente afastada do desânimo. assim que terminar de bordar o que estou fazendo nesse momento (uma versão pequenininha d'o grito, de munch), mostro pra vocês, porque peguei um pedaço de etamine e resolvo aproveitar inteiro pra bordar um monte de coisas, e as outras coisas que eu bordei estão meio prensadas no bastidor, no momento.

até!

domingo, 3 de maio de 2026

pequenos e grandes acontecimentos

dois personagens de "moomin", e um deles, que usa óculos, diz: "ah, eu sou uma falha! eu não tenho talento!" em inglês.

(em lista e fora de ordem, porque eu ando prolixa e quando pegar pra escrever precito ter tempo)

  • fui demitida em meio a uma crise de burnout que já durava alguns meses
  • tirei mini-férias (minha demissão foi logo antes de férias programadas)
  • comecei a refletir sobre como o meu valor enquanto pessoa estava se fundindo ao meu valor enquanto profissional (credo)
  • comprei um computador pra fazer minhas coisinhas
  • tomei vários cafés com o joão (nota para mim mesma: preciso criar uma página “pessoas”, pra colocar todo mundo que eu cito aqui por nome — é meio chato ficar colocando apostos pra falar das pessoas o tempo todo)
  • meus amigos davi, zé e júlia vieram me visitar em são paulo
  • fiquei maluquinha
  • visitei meus pais e amigos em juiz de fora e me diverti horrores
  • fui babá de cachorro
  • estou fazendo maquiagens doidas mais uma vez (não fazia nada disso desde a pandemia)
  • fui a um show do maglore no cine jóia
  • li comentários nas minhas postagens anteriores e pensei: então, agora eu tenho um computador, né...
  • logo em seguida, pensei: preciso voltar a postar no meu blog

terça-feira, 4 de novembro de 2025

sobre datilografia, clec-clec e ser muito velha pra aprender

novembro. novembro! meu deus, que loucura é estarmos a dois meses do fim de 2025. existe uma teoria que explica que a cada ano que a gente vive, os anos dão a sensação de ser mais rápidos, porque são uma parcela cada vez menor da nossa existência até então. me convenço mais disso a cada dia.

como de praxe, fico enrolando pra vir aqui. por quê?, você me pergunta. porque estou devendo coisas, eu te respondo. um dia ainda vou refletir especificamente sobre como a gente consegue ser tão doido a ponto de endoidar por causa de faz-de-conta. já pararam pra pensar que meio que tudo é faz-de-conta? promessas, séries de postagens temáticas, amizades. tudo são coisas que nosso cérebro acredita por ter evidências o suficiente. ao mesmo tempo, se eu tiver evidências suficientes, também posso afirmar qualquer coisa, inclusive que porcos voam.

mas! me estendo. hoje eu quero falar sobre teclados mecânicos.

(pra você que, assim como eu, é meio por fora quando se trata de coisas tecnológicas e moderninhas demais: teclados mecânicos são esses em que cada tecla tem um switch, que é um mecanismo que define a sensação tátil e o barulho quando você digita. além disso, eles podem ser personalizados de diversas maneiras: você pode mudar teclas, definir atalhos, etc. ah, e eles também podem ter luzinha, igual aos teclados gamer, mas isso não é um pré-requisito.)

eu tenho a vontade de ter um teclado mecânico há um tempinho — mais de dois anos, pelo menos. a coisa é que eu nunca fui o tipo de pessoa de se obcecar muito com essas coisas mais práticas, então pesquisar sobre teclados mecânicos não é algo que eu fazia, apesar da vontade de ter um. acontece que, dia desses, fui trabalhar com minha amiga de um café e ela me mostrou o teclado dela, uma gracinha que fazia um barulho maravilhoso de clec-clec-clec ao digitar, e era bem pequenininho 🤏. fiquei apaixonada, ela me mandou o link, o preço tava bom. só me restou honrar os ensinamentos da hebe: eu entrei, experimentei, serviu, comprei. ele chegou hoje, e eu já estou aqui, clec-cleczando no meu próprio teclado.

a questão é: eu cresci mexendo em computadores, sim, mas nunca aprendi a digitar, digo, datilografar (porque datilografar é uma palavra muito mais bonita) do jeito mais rápido, usando todos os dedos das mãos; eu digito, tal qual uma senhora sem curso de datilografia, usando apenas os dedos médios. não que isso faça alguma diferença no meu dia-a-dia, já que no meu trabalho eu não preciso digitar super rápido e nem usar todos os dedos pra isso... mas que é legal, eu não posso negar. enquanto digitadora-de-dois-dedos, eu acho muito legal quando vejo alguém com as mãos paradinhas sobre o teclado, os dedos se movendo, e as palavras surgindo certinhas. é como quando alguém sabe fazer algo que você não sabe, e automaticamente isso se torna mágico pra você.

no meu caso, é como dirigir sem ficar nervoso e conseguir fazer bolinhos de chuva gostosos.

daí que, pesquisando mais sobre esse teclado que eu comprei (porque ele não tem a tecla alt gr, o que significa que eu simplesmente não consigo usar a interrogação do jeito que estou acostumada e acabo tendo que usar o alt esquerdo pra isso), caí num site desses de treinar a digit... datilografia. você descansa as mãos no teclado e vai digitando, sem olhar pra ele, as palavras que surgem na tela; é um exercício pra te ajudar a memorizar onde cada tecla fica com os dedos. a famosa memória muscular.

encarando a tela do computador, fiquei pensando nas coisas que eu deixo de fazer simplesmente porque acho que não consigo mais: aprender uma língua nova (porque eu prefiro entrar em cursos presenciais, e meu cérebro já não aprende com a mesma facilidade), aprender uma habilidade nova (porque é frustrante passar pela fase de não ser nada boa até chegar na fase de ser um pouquinho boa), comer algo novo (porque, sinceramente, por que mexer em time que tá ganhando???). quando eu vi uma postagem de um tempo atrás da ba, caí no blog da laura e vi ela falando sobre suas coisas favoritas por agora, mostrando a blusa de crochê que tinha feito, e enfiei na minha cabeça que queria aprender crochê. eu já tinha aprendido a tricotar quando mais nova mas, com todo o respeito às tricoteiras, crochê sempre me pareceu muito mais doido que tricô, o que automaticamente fez disso uma coisa parecida com magia na minha cabeça.

pois eu abri um vídeo do youtube, comprei uma agulha na daiso, peguei uma linha mais grossa que eu tinha aqui desde a festa junina, abri um vídeo do youtube e comecei a praticar. passei uns bons 2 dias treinando ponto corrente, tentando fazer os pontos todos com a mesma tensão, do mesmo tamanho. me arrisquei em alguns pontos baixos (todos ficaram horrorosos), ensaiei uns pontos altos, e abri um tutorial da tal blusa.

acho que isso já faz mais de um mês, e hoje quando eu sento na sala pra assistir alguma coisa é com minha peça em mãos, fazendo uma, duas ou três carreiras a mais nela. isso me faz pensar em como a gente tem medo de falhar (esse era um ponto recorrentíssimo nas minhas sessões de terapia), em como ser ruim, levar o tempo de aprender ou passar por cima do desconforto e tentar genuinamente descobrir o que se está fazendo de errado é difícil. porque geralmente o que a gente quer não é aprender, e sim saber — e existe um ABISMO entre essas duas coisas. porque saber é bom, é confortável, e aprender é se expor à falha e ao ridículo por vontade própria. e, convenhamos, quem em sã consciência quer se expor ao ridículo por vontade própria??? pois é. mas saber não tem aquela sensação maravilhosa de conseguir fazer algo do jeito certo pela primeira vez, depois de errar algumas (ou várias) vezes., não tem o orgulho da conquista, nem o esforço próprio, a diligência que, por mais maluco que pareça, acaba sendo gostosa, também.

então, agora, eu decidi que não sou velha demais pra aprender a datilografar coisa nenhuma, e vou tentar praticar um pouquinho todo dia. porque eu posso estar deprimida, capenga, sofrendo com uma britadeira que fica ressoando todo dia até as 4 da manhã na minha rua, mas se tem uma coisa que eu sou é teimosa, e não tem nenhum motivo digno que me impeça de fazer algo que eu sempre quis fazer.

e com a vantagem de ouvir o clec-clec-clec do meu tecladinho novo.


p.s.: faz um tempo que eu não apareço por aqui por estar sem energia nenhuma, mas uma hora eu volto — e respondo os comentários, e leio os blogs que eu amo. pensem que eu fui viajar e tô demorando um cadinho a mais pra voltar. ah, e eu tô lendo o livro viajante do blogueiros raiz! a passos de formiga, mas tô lendo. como vocês tão? cês também ficam meio borocoxôs quando o tempo fica nublado e feio? so-cor-ro. depois volto com imagens pra essa postagem aqui pra vocês verem meu teclado e meu crochê. saudades docês, beijo!

terça-feira, 29 de julho de 2025

muito trabalho e pouca diversão? aqui não!

diarinho #4

vou continuar com os diarinhos, mas, como amo um nome maluco pras postagens, só vou atualizando aqui. dá pra acessar todos eles clicando aí em cima (ou pelo marcador lá embaixo, que é a mesma coisa).

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enquanto vinha aqui falar sobre os últimos tempos, percebi que eu amo muito reclamona — mesmo quando coisas boas acontecem, parece que as ruins têm tomado a frente e eu só consigo pensar nelas. não que as coisas ruins também não devam ser reconhecidas, claro, mas por mais que eu fique nesse embate moral de dar atenção às coisas boas versus dar atenção às coisas ruins, a coisa é que nos últimos tempos eu tenho feito questão de anotar e tirar fotos de coisas ótimas que aconteceram por aqui, então bora lá.

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no começo de julho fui conhecer um café que meu amigo emilho descobriu aqui em são paulo, chamado bogo café. um amor de lugar, com uma torta muito gostosa e um café realmente delicioso — comprei um pacote de café em grãos deles. sabe como era o nome? colo. o nome do café especial era colo. 🤏

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noutro dia, me juntei ao emilho e aos meus amigos isa e matheus pra jogarmos jogos de tabuleiro juntos (eu amo ter amigos que gostam de jogos de tabuleiro). vocês sabiam que existe um jogo inspirado em tubarão, o clássico filme dos anos 70? um jogo em que você pode ser o próprio tubarão e tentar vencer os outros jogadores, comendo o maior número de banhistas possível? pois é, existe. e eu fui o tubarão. 10/10, recomendo.

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meu amigo zé veio a são paulo, e nós conseguimos ser selecionados pra plateia da lorelive, um programa que a lorelay fox (uma das poucas produtoras de conteúdo que eu acompanho) faz. foi muito divertido e eu ainda fui selecionada pra participar de uma dinâmica??? enfim, uma loucura generalizada. rimos horrores nesse dia aí, foi tudo de bom.

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outra coisa que eu enrolei horrores pra fazer foi ir à exposição do andy warhol que tá acontecendo aqui em são paulo, com várias obras, fotos e reproduções. também fui com o zé (programa de designer, né) e a gente comentou e riu bastante. tinha muita coisa além das obras de pop art mais conhecidas dele — trabalhos muito interessantes de estamparia, embalagem e cores, além de várias polaroids que ele tirou de pessoas conhecidas ou não. fiquei particularmente encantada com essa capa de revista que retrata o arnold schwarzgejfgshsgdgger, em que as sobrancelhas dele parecem aqueles cílios com volume russo.

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pra fechar, fui com amélie a embu das artes passear nesse domingo passado, tanto pra conhecer a cidade quanto pra ver coisas de artesanato. não comprei muita coisa — algumas galinhas de cerâmica, tipo aqueles elefantinhos que toda mãe tinha nos anos 90, e umas pedras —, mas registramos esse lindo exemplo de como você pode começar a fazer um trabalho com todo o cuidado e detalhismo do mundo, pra no final... bom, deixo vocês com essas matrioshkas: algumas representam minha energia quando a semana tá na metade. adivinhem quais.

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é isso! por agora tô relendo eu, robô (uma leitura muito gostosinha) e tentando não ficar maluca com o trabalho e com a vida enquanto espero o cartão virar pra começar a fazer um pilates, uma academia, qualquer coisa. cês acreditam que vai voltar a fazer frio? eu tô em negação. logo quando o clima estava voltando a ser ameno. maldito aquecimento global.

quarta-feira, 2 de julho de 2025

pra ficar cracuda é só bobear

diarinho #3

vou continuar com os diarinhos, mas, como amo um nome maluco pras postagens, só vou atualizando aqui. dá pra acessar todos eles clicando aí em cima (ou pelo marcador lá embaixo, que é a mesma coisa).

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finalmente, FINALMENTE tenho me sentido melhor, depois da festa junina. se tem uma coisa que eu detesto é me sentir mal e deprimida — claro que tenho que estar um cadinho funcional pra conseguir pensar isso, mas vá lá. ando com dificuldade de levantar pela manhã, um desânimo e falta de vontade enorme de fazer qualquer coisa... ao mesmo tempo, ando com a maior vontade do mundo de ser feliz e fazer todas as coisas. acho que em breve vou voltar mesmo pra academia, pra aproveitar esse frio horroroso que tá fazendo em são paulo (desculpa, sou uma pessoa pró-calor).

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visto que lembrei como é BOM sair e ver gente e me divertir, agora tô tentando não me esquecer disso. como? ora, marcando coisas com as pessoas. só que tá todo mundo corrido e ninguém me responde!!! que coisa, não. tô com saudades até de trabalhar da firma. de trabalhar. preocupante. outra de quem ando morrendo de saudades é a minha namorada, e tenho dado umas choradinhas sempre que penso nisso. namorar à distância, praticamente morar junto e depois ficar a uma américa central de distância é horrível, não recomendo.

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como eu tava sem nada pra jogar além de alguns jogos bem bobinhos de puzzle, resolvi baixar stardew valley no nintendo switch (o que eu ainda não tinha feito).

não sei o que acontece, mas stardew valley é um dos jogos com a MAIOR capacidade de me transformar numa cracuda completa. eu penso no jogo antes de dormir, eu penso ao acordar, eu passo o almoço jogando. uma coisa assim, preocupante. o mais engraçado é que, pra um jogo em que você tem incentivos pra resistir ao capitalismo, a primeira coisa que se faz é tentar montar um esquema pra ganhar dinheiro o mais rápido possível 🙃 socorro. quando me dei conta do quão cracuda eu estava de novo (as outras vezes que joguei foi pelo computador, há um bom tempo), tomei a dramática decisão de apagar o jogo; afinal de contas, eu já alcancei a perfeição (o equivalente a zerar) duas vezes nesse negócio. agora, tô seguindo a indicação de um amigo e comecei a jogar crypt custodian, em que você é um gatinho com uma vassoura que limpa o pós-vida (KKKK). até agora, não fiquei cracuda.

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eu disse ali em cima, mas tá fazendo um frio desgraçado aqui em são paulo. eu fico sem condições de existir nesse frio. há uns dias, tentando não sucumbir à tristeza e falta de vontade de qualquer coisa, comecei a ler um dos meus livros não-lidos, imagens estranhas. achei bestinha, mas divertido — queria um livro que fosse de TERROR, sabe, me deixasse com medo, ou que pelo menos fosse um suspense que me deixasse NERBOUSAR enquanto leio. tô pensando em não ir pra nenhum desses dois lados e ler drácula (?), que eu encaro como um livro meio engraçado desde que vi alguns comentários e desenhos que um querido que eu seguia no twitter/instagram postava sobre a história enquanto lia.

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tenho me sentido mais segura em relação ao trabalho. acho que segura não é bem a palavra, na verdade... talvez menos insegura? na minha cabeça, são coisas diferentes. talvez menos desesperançosa, também. a realidade é que ando de saco cheio de fazer coisas nas quais não vejo muito sentido, e tarefas do trabalho se encaixam um pouco nisso. queria que meu cérebro entendesse que tudo bem se sentir assim, mas o aluguel aumenta todo ano e eu preciso pagar minhas contas, então seria ótimo conseguir uma promoção e um aumento.

✶ ✶ ✶

voltando ao tópico saudades, tô com saudades de ler os escritos da van. não digo isso como cobrança (deus me dibre), mas como um sinal de carinho, mesmo — é muito gostoso poder acompanhar quem eu gosto existindo. no tópico blogs, alguns blogs têm me dado muita vontade de mexer em html e css e fazer coisas loucas: a nana colocou um modo escuro no blog dela, e o layout do blog da lia é uma das coisas mais divertidas.vou mexer em html e css por agora? muito provavelmente não. mas apreciar coisas bem feitas também é muito satisfatório.

✶ ✶ ✶

chegamos no meio do ano, galera. não sei se rio ou se choro, porque tá tudo passando muito rápido. logo logo eu chego aqui com o resumo de junho do ano sem fazer compras — gastei um pouco mais que o esperado, mas não foram compras induzidas pela ansiedade, e sim a compra de prendas pro bingo KKK ai, é fogo. té mais!

post scriptums (04.jul.25)

esqueci de falar coisas que tinha pensado em falar!!! como não vou fazer outro post SÓ pra falar dessas coisas, vou colocar aqui mesmo:

uma das minhas alegrias ultimamente é ler a saga poliana origins, que a uaba tá postando no blog dela sobre sua personagem de the sims. é MUITO divertido. eu adoro quando as pessoas se divertem fazendo as coisas, porque aí eu me divirto mais ainda lendo!!!

***

acabei meu tratamento com o roacutan, né, como contei quando voltei pra cá esse ano. acontece que agora, sem o remédio pra deixar minha pele sequíssima, ela tá voltando a produzir um nível maior de sebo... e eu me desacostumei totalmente!!! tomando roacutan, podia deixar o cabelo DIAS sem lavar (muitos dias mesmo. tipo 5 dias. sem nem coçar o couro cabeludo), e agora com 2 dias dele sem lavar já começo a coçar a cabeça. que tristeza. outra coisa é que eu sinto o óleo na minha pele. faz sentido? fazia tanto tempo que eu nem me lembrava da sensação. agora, um ponto positivo é que eu tenho suado muito menos do que estava suando durante o tratamento!! claro que tem feito frio horrores por aqui no sudeste, então vou esperar voltar o calor pra ter certeza... mas quem acredita sempre alcança, etc.

***

a lorde lançou um novo álbum, virgin, e lá fui eu ouvir — pra você que não sabe, eu gosto muito de lorde e melodrama foi um dos álbuns que mais me impactou à época do lançamento (e um tempão depois). só que... sei lá, desde então, a lorde tem falado sobre experiências muito específicas e com as quais eu não consigo me relacionar. sinto saudades de ouvir um álbum e pensar meu deus, eu me sinto assim!, e não sinto isso com os álbuns dela, mais... como eu disse, experiências específicas demais, do tipo ah, aí ele foi lá e cuspiu na minha boca e transamos loucamente e eu fiquei grávida mas tudo bem já passou. nada contra cuspir um na boca do outro e transar loucamente, mas não é minha realidade, aí fica um pouco difícil kkkk

quarta-feira, 25 de junho de 2025

olha a paz de espírito... é mentira!

diarinho #2

dessa vez, já vou chegar reclamando: eu não aguento mais e-mails de spam!!!!

eu costumava ser daquelas pessoas que mantinham o e-mail organizadíssimo — todo dia ia lá, lia o que precisava ser lido, excluía e-mails que precisavam ser excluídos e filtrava o que gostaria de receber. e isso falando do meu e-mail pessoal, viu? nem era o profissional, não. eu me desinscrevia de listas de e-mail promocional, criava filtros pra não deixar minha caixa de entrada abarrotada de coisas que não me interessavam, e por aí vai. não sei vocês, mas eu sinto uma paz gigantesca quando vejo coisas organizadas; guarda-roupa, e-mail, cozinha, estante, mesa do trabalho; parece que, quando tudo tá ajeitado, eu consigo existir em paz.

eu não sei quando os e-mails de spam se tornaram essa ferramenta irrefreável que é hoje; não adianta mais clicar em “unsubscribe”, não adianta filtrar, os e-mails seguem chegando e eu não faço ideia de como parar essa avalanche. dá vontade de sumir, criar um e-mail novo e viver do que a terra me dá e uma cabana.

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gente, continuo meio morta. ainda não fiz nenhum exame pra saber se tô com deficiência de alguma vitamina, mas arre maria, chega!!! saudades ter ânimo pra alguma coisa. quero me inspirar na ba e voltar pra academia pra me irritar com as coisas de lá, hahaha. pelo menos, me movimentar ajuda a me sentir mais viva.

✶ ✶ ✶

terminei de assistir ted lasso! chorei horrores, não vou negar. tô curiosa pra saber o que vão fazer da próxima temporada, porque terminou tudo tão amarradinho! a pior parte de terminar uma série é sentir falta da “companhia” que ela faz pra gente.

e, terminando uma, comecei a assistir outra coisa: dungeon meshi! adiei isso por um tempo (pois sem paciência pra assistir animes), mas estou... adorando? mas vou admitir algo que pode ser uma heresia pra alguns (seria pra mim, há uns anos): tô assistindo dublado, hahaha. comecei a ver enquanto limpava minha estante da sala, e por isso coloquei em português... a dublagem é muito boa, aí continuei. fazia muito tempo que eu não via nada dublado, gostei!

✶ ✶ ✶

tá rolando a feira do livro aqui em são paulo, e eu consegui a proeza de ir e não comprar nadica de nada! infelizmente, fui sem almoçar, e, juro, comer na feira do livro é mais caro que comprar 3 livros na promoção. fui com alguns amigos para assistir a conversa sobre legado e filhos do marcelo rubens paiva e da martha nowill, ambos autores sobre livros com esse tema. eu adoro assistir conversas sobre assuntos mundanos. acho que é porque eu gosto muito de ouvir pessoas sendo pessoas, acho a coisa mais divertida que tem! assisti à conversa, minha amiga luds pegou um autógrafo do marcelo e, depois de uma busca frustrada por outra amiga nossa que estava trabalhando na feira, fomos embora.

✶ ✶ ✶

inventei de fazer uma festa junina na minha casa.

não é bem uma FESTA, eu só fui a uma quermesse com uma amiga, fiquei pensando que as quermesses de são paulo são absurdamente cheias, tive saudades das que eu ia lá em juiz de fora... e chamei um bocado de gente pra ir na minha casa esse fim de semana tomar caldos, comer arroz doce, bolo de milho, e jogar bingo.

sim, jogar bingo. e pra isso, eu comprei um negocinho de girar com as bolinhas do bingo e um monte de cartelas, e tô planejando os prêmios. preciso pensar em um bocado de coisas, porque esse bingo tem que durar!!

seria eu doida? talvez sim, mas tô deveras empolgada. testei um arroz doce vegano (um dos meus amigos queridos é vegano) e não sei se tá do jeito que eu queria, então tô tentando descobrir o que exatamente pode ter influenciado no gosto... eu usei leite de aveia, então é possível que seja o ingrediente. vou testar com outros até domingo, tentando fazer quantias bem pequenininhas, senão vou comer arroz doce de café da manhã, almoço e janta, risos. também tô levemente nervosa pois 1) um monte de gente vindo na minha casa, e 2) nem tem espaço pra todo mundo sentar, socorro. tô paranoica com acharem minha casa bagunçada, não gostarem da comida, todo mundo ficar sem assunto, aaaaaahh! melhor focar em recortar as bandeirinhas que eu ganho mais.

✶ ✶ ✶

pra fechar com um ponto positivo: apesar de o foco ainda estar lá onde judas perdeu a tornozeleira eletrônica, tenho trabalhado um cadinho melhor esses últimos dias. também tenho estado feliz nas conversinhas através de comentários e postagens de blogs, e-mails (vou te responder ainda, marina, tenha fé em mim), mas sempre fico pensando: será que eu vou com muita sede ao pote ao querer fazer amizade com as pessoas que eu acho legais? não sei. e olha que eu penso isso sendo uma pessoa reservada, viu — foi-se a minha época de ser alguém extrovertido que sai por aí puxando assunto, exceto se você for uma senhorinha na fila do mercado.

é isso. se eu sobreviver à minha própria quermesse no sábado, venho contar pra vocês como é que foi. beijocas!

sexta-feira, 13 de junho de 2025

diarinho #1

esses dias todos tenho lido muita coisa e pensado em muito que queria dizer. parece que estou sempre falando do que eu queria dizer, e nunca dizendo — me pergunto se isso é um grande problema meu comigo mesma, ou se só sou preguiçosa e enrolona.

não tenho estado muito bem. quando me pergunto se deveria mesmo falar qualquer coisa aqui, quando me pergunto se vale a pena dizer algo mesmo que ninguém se interesse, eu me interrompo imediatamente: por mais que eu compartilhe, não é pra vocês que eu escrevo; são palavras minhas pra mim que eu dedico ao mundo. e o mundo pode ver as palavras que eu acho que gostaria assim como as que eu acho que não. enfim. minha alimentação anda péssima, eu queria estar comendo melhor e me exercitando e sendo uma pessoa funcional, mas tenho sido só... o que dá. e o que dá é a sobrevivência, eu acho.

✶ ✶ ✶

tenho sei-lá-quantos links abertos no meu navegador, páginas de blogs que eu li e pensei que queria comentar, mas ainda não comentei. vocês já passaram por isso? às vezes, eu quero dizer algo, mas parece não haver palavras pra isso — às vezes queria só dar um sorriso, uma piscada, ou um abraço, ou um aperto encorajador no braço (que eu só daria em quem sou próxima, porque não se faz esse tipo de coisa com quem não se conhece). eu penso em como é divertido que todos nós existimos e compartilhamos o que a gente pensa, que nos conectamos em pontos aqui e ali, como uma enorme teia de aranha, ou conexões neurais. o mundo é uma coincidência feliz, nesses momentos. li a marina, que eu gosto tanto de ler, tão de graça. ela chamou minha escrita de “diarinho”, e eu achei bonitinho, e trouxe pra cá. através dela, descobri a lia, que também está em várias abas abertas — o que comentar quando gestos não se traduzem em palavras?

✶ ✶ ✶

de vez em quando, acordo com músicas na cabeça. faz tempo que não acordo com nenhuma, mas hoje, quando abri os olhos, uma frase se fez imediatamente na minha mente: drão, o amor da gente é como um grão..., e estou ouvindo agora a versão de milton nascimento, que acho linda, linda. às vezes não lembro das palavras, só da melodia, e é mais difícil encontrar a música em si. gosto de manter uma lista com essas coisas que parecem insignificantes, mas que podem significar alguma coisa. ou que posso fazer significar.

✶ ✶ ✶

a lana postou um tutorial de como fazer uma página estática diferente das outras no blog, e eu, que tinha comentado a respeito na postagem anterior dela, me senti agraciada. é impressionante como as pessoas podem ser gentis e solícitas sem que ninguém pergunte, né? me senti especial, mesmo que um pouco, mesmo que não tenha nada a ver comigo o fato de ela ter postado esse tutorial.

✶ ✶ ✶

estou sendo mentorada no trabalho, e minha mentora é mais nova que eu. é difícil me desatrelar da ideia de que hierarquia e idade estão juntas — eu nem gosto de hierarquia!, mas pensar que alguém mais novo que eu já conquista mais do que eu conquistei me faz sentir mal comigo mesma. não com inveja, não desejando mal ao outro; mas insuficiente. e há tantas pessoas assim no meu meio, tantas que eu admiro e por quem torço! tento engolir em seco e aceitar os conselhos e dicas e palavras como aceitaria as de quem me ajudasse, em uma situação que não envolvesse hierarquia alguma. tem sido difícil focar no trabalho, me desenvolver, porque eu não... quero, na verdade. queria deixar o trabalho pra lá e poder fazer todas as outras coisas que são mais bonitas e brilhantes e divertidas e me fazem bem; mas tenho que trabalhar, e meus ombros doem com tanta tensão. e continuo tentando ser quem esperam que eu seja, apesar de não ter ideia de quem eu espero ser.

✶ ✶ ✶

pensei em fazer uma lista de coisas que me dão alegria e me fazem querer continuar o dia, atualmente:

  • assistir vale tudo com minha namorada no fim do dia
  • ...?

descobri, um pouco triste, que não tem tanta coisa que me dê vontade de continuar, por esses dias. não há jogos, ou hobbies, ou acontecimentos, ou vontades, ou pessoas, ou realizações. me pergunto há quanto tempo eu não tenho sonhos, não aqueles durante a noite, mas aqueles que nos fazem viver dia após o outro esperando por (e trabalhando para) sua realização. onde foram parar? qual foi a última vez que tive um sonho de verdade? eu não me lembro.

✶ ✶ ✶

tenho passado por um grande nervoso, envolvendo uma pessoa no trabalho que eu acho que não me considera uma boa profissional, ou talvez só não boa o suficiente. não sei se é coisa da minha cabeça ou se acontece de verdade, e isso tem me incomodado mais do que eu gostaria de admitir. me sinto de certa forma humilhada, do mesmo jeito que sempre me senti quando percebi que talvez não fosse tão boa quanto as outras pessoas no que era esperado de mim. como ser melhor? como ser melhor quando não se liga tanto pra ser melhor? como manter um estilo de vida confortável sem ser excepcional? sempre me orgulhei em não ser louca pelo trabalho, não pensar nisso dia e noite, mas isso começou a pegar no meu pé. o tratamento que eu e meu psiquiatra escolhemos primeiro pra abordar minha falta de concentração não deu certo, e eu me pergunto vez e vez de novo se o problema sou eu. me perguntar isso também parece meio patético — será que, se eu não tiver solução, tudo bem sentir pena de mim mesma? eu não queria sentir pena de mim mesma, mas também não queria ser a primeira a apontar o dedo e me julgar insuficiente. infelizmente, eu sou. mas tento não ser. uma coisa de cada vez.

✶ ✶ ✶

caí no blog da cláudia (no qual, de tempos em tempos, acabo caindo, mesmo) e isso me fez voltar a assistir ted lasso — eu parei na primeira ou segunda temporada, e nunca mais terminei. ultimamente, tenho assistido muita coisa: filmes, séries, animes. ted lasso é uma série tão querida, que me traz tanto a sensação de uma coisa inerentemente boa, que foi bom voltar a assistir agora que não estou me sentindo tão bem. você tem razão, lana, vou checar as vitaminas D e B12. vai que.

✶ ✶ ✶

por fim, é isso. pulando de um assunto divertido pra um meio triste, pra um legal, pra um filosófico, porque a vida é assim. tenho que me lembrar de não demorar tanto a escrever, porque senão a porta da escrita emperra e eu não me lembro de vir aqui de novo por mais um tempão.

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