essa postagem faz parte do beda, projeto cujo objetivo é escrever (ou tentar) todos os dias de agosto. tô participando junto com a galera do entreblogs, e você pode dar uma bizoiada no que todo mundo têm escrito aqui :^)
uma vez, eu tive uma namorada que não gostava que eu usasse a palavra “apaixonada” pra me referir a outras coisas ou pessoas que eu gostasse muito. essa não é uma palavra pra se usar, ela dizia, outras palavras sim, mas essa não.
o namoro acabou tempos depois, e eu, que já achava isso uma coisa completamente esquisita à época, continuei achando ainda mais esquisito. porque veja bem, eu, como boa mineira, gosto de dizer que estou apaixonada por várias coisas que eu gosto. sou apaixonada nisso. naquilo, naquela pessoa. naquele artista. longe de mim definir como ela devia se sentir em relação a qualquer coisa, mas também não era da conta dela limitar o meu uso de palavras. eu, hein.
hoje, eu fico pensando que é muito bom se apaixonar. é um sentimento que não se limita a um âmbito romântico — é maravilhoso descobrir coisas novas, livros, séries, pessoas, escritos, uma comida de algum lugar que você nunca tinha pedido antes, e sentir a felicidade de descobrir que aquilo não é só bom, é muito bom. e te faz sentir bem. e ficar pensando naquilo. e querer falar daquilo pra todas as pessoas que você conhece, e sorrir pensando naquilo enquanto você olha pela janela do ônibus, numa cena paralelamente oposta ao compadre washington olhando triste pela janela do ônibus naquele meme que rola por aí.
eu tenho me apaixonado bastante, nos últimos dias. semanas, talvez. voltar pra cá é voltar a me abrir pra sentimentos que eu não sabia que estavam aqui — ou até sabia, mas eles estavam há tanto tempo adormecidos que achei que não fossem acordar, mais. é como se fosse 2009 de novo e eu fosse abrir meu orkut, meu msn, me emocionar com a possibilidade de jogar um rpg e conversar com todas as pessoas que eram inacreditavelmente parecidas comigo... ah, vá lá, iguais. a delícia de se sentir pertencente. de saber que você gosta muito de algo. de ter pessoas com quem conversar em caps lock e palavras malucas, que só faziam sentido naquele contexto. eu fico pensando se algumas das pessoas que eu leio sabem que eu penso nelas durante o dia e dou um sorrisinho, enquanto penso “meu deus, essa pessoa é muito maneira!! queria que fosse minha amiga!!!” e, ao mesmo tempo, me mantenho quietinha no meu canto, a uma distância segura pra não estragar a emoção do momento. porque a gente sempre tem medo de que dê errado, também, né? a gente sempre tem medo.
acho que a paixão tem a ver um pouco com esse medo, também. é o frio na barriga, o medo de um perigo que nem é perigo, se você pensar direito. é a explosão de adrenalina.
que gostoso é poder me apaixonar de novo tantas vezes.
cês acreditam que isso aqui tava nos meus rascunhos desde JULHO DE 2021??? tem coisa que eu escrevo, deixo aqui, o tempo passa e eu não faço a menor ideia de por que não publiquei. dos rascunhos que eu fuxiquei, esse era o mais “pronto” e que eu mais achei que fazia sentido com meu momento atual — se bem que eu estou sempre falando do quanto eu sou apaixonada pelas coisas, ou acho importante se apaixonar por viver. depressivos também amam, etc etc!!! também ando bem apaixonada por estar perto de amandinha não nos últimos tempos — deitar junto na cama e ficar falando abobrinha junto é bom demais :^) e vocês, andam se apaixonando por alguma coisa por aí?
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