diarinho #17
no último fim de
semana, viajei pra votar no segundo turno das eleições (a democracia venceu!),
e aproveitei para passar a noite de sábado jogando jogos de tabuleiro com meus
amigos que tem uma confeitaria na minha cidade natal. tava sonhando com um
sanduíche que eles fazem desde a última vez que fui lá e não pedi o dito cujo
(uma ciabatta que eles mesmos fazem, com queijo derretido, tomate seco
artesanal, pesto, folhas verdes e uma adição especial que eu sempre peço:
copa). eles fizeram minhas vontades (obrigada, amigos!), e eu, mordendo o
sanduíche, comecei a reparar em uma coisa meio esquisita na boca.
parecia um fio de cabelo. digo, a sensação era a de um fio de cabelo, algo fino,
agarrado no dente. comecei a criar várias teorias na minha cabeça:
-
podia ser um cabelo da aline, mas... eu nunca encontrei cabelo em nenhuma das
comidas deles
-
podia ser um pedaço de plástico, mas... plástico daonde?
-
podia ser simplesmente um nervo da fatia de copa, mas... fino desse jeito?
nisso, fui matutando e tentando cutucar o negócio agarrado no meu dente com a
língua, sem sucesso. no desespero — porque um negócio agarrado no dente é
pra matar qualquer um de gastura —, abri a boca e comecei a tentar arrancar o que quer
que fosse aquela coisa, com minhas duas amigas me encarando, incrédulas.
depois de três tentativas, consegui puxar o fio, e senti um negócio se desenroscando
do meu dente.
era um ponto. o ponto dos sisos, o ponto feito especialmente pra costurar minhas gengivas depois de extrair o siso, o ponto dos sisos.
esse ponto.
fiquei encarando aquele pedacinho de... nylon?, tão chocada quanto minhas
amigas. aparentemente, os sisos não queriam que eu me esquecesse deles tão
rápido.
✶ ✶ ✶
chegando em casa na segunda, depois de 8 horas de viagem que foram bem menos
fúnebres do que eu imaginava que seriam (afinal: vencemos! por todo o
brasil!), me preparei pra trabalhar. tomei meu café da manhã, comecei a fazer
as tarefas, quando de repente sinto um negócio perto do céu da boca.
ah não, eu pensei. você também pensou, aí da sua casa, em solidariedade
a mim (por favor?). não é possível. peguei um espelhinho de boca, fui pra frente do espelho da sala e fiz um contorcionismo espelhístico pra tentar enxergar a parte da boca onde tinha sentido o trem
esquisito: lá estava ele, outro ponto que ficou escondido tanto de mim quanto
da minha dentista. outro ponto!!!
mandei mensagem pra dentista, contando do primeiro ponto e perguntando quando
podíamos arrancar esse. antes de ela me responder, pensei: e se eu for meio
vida loka e tentar tirar eu mesma? peguei uma pinça fina, limpei,
e fui tentar cutucar o ponto, morrendo de medo de furar a gengiva e inflamar
tudo. e não é que foi só encostar e o danado desfez o nó, me deixando puxar a
linha? mandei mensagem de novo pra dentista:
consegui tirar eu mesma! e ela: kkkk às vezes acontece!
é aquela história: se eu ganhasse um centavo por cada vez que isso me
aconteceu, eu teria dois centavos. o que não é muito, mas é estranho que tenha
acontecido duas vezes.
✶ ✶ ✶
essa semana fez frio, e eu senti meu humor esfriar junto com o clima. não sei
o que acontece comigo, mas eu sou tipo a halle berry em homens de preto 2, só
que ao contrário: se chove, eu choro. se fica frio, eu murcho. agora, se faz
sol, eu viro a rainha da cocada. deve ter alguma explicação médica pra isso, porque depressão sazonal em país tropical não dá pra
ser desse jeito. alguma estabilidade eu tenho que ter nessa vida!!!
obviamente, também pode ter sido o fim do estado de alerta, passadas as
eleições. só que, não sei vocês, eu sinto que não acabou; claro, o desespero
de não eleger um nepo-fascista sim, mas ficou o desespero de
que caralhos tá acontecendo pra gente correr o risco de um cara dessa laia
na presidência DE NOVO?. comecei a ver vídeos explicando conceitos políticos, econômicos, peguei
alguns livros que tenho encostados, minha namorada me disse: “é por isso que
eu assisto vídeos desses caras de direita, de extrema-direita. porque eu
queria entender como os caras pensam, os argumentos”. achei que, me isolando
desse tipo de discurso, estivesse me protegendo; agora, já não acho mais. a
gente tem que saber quem são essas pessoas, o que elas estão fazendo, falando. só que
precisamos também saber quem são os nossos. precisamos ter lideranças firmes
na esquerda, fazê-las conhecidas... com isso tudo, talvez não seja o fim do
estado de alerta, e sim de um estado de alerta. agora, começa outro (democracia 2: o inimigo agora é outro).
fora isso, tenho me preocupado com uma coisa aqui, uma coisa ali, trabalho,
tretas de condomínio, vida... só sei que pelo menos fiquei feliz hoje, porque fez sol e eu encontrei a let depois de um tempão. :^)
✶ ✶ ✶
tentei entrar em um clube do livro no qual os participantes fazem uma colagem
baseada no que sentiram ao ler o livro e levam nos encontros pós-leitura.
achei chique, adoro colagens, mas a lista de participantes pro próximo
encontro esgotou em dez minutos, e eu sequer abri o whatsapp nesse meio-tempo.
🤡 agora, achei outro clube do livro, e eu e minha amiga luds estamos
combinando de ler o livro desse clube e fazer uma colagem, só porque sim.
resolvemos ser doidinhas e disruptivas. e eu tenho revistas e papéis demais
pra fazer colagens, preciso movimentar os itens de papelaria.
✶ ✶ ✶
finalmente completei 101 itens na minha
lista
de 101 coisas em 1001 dias! a primeira lista foi um sucesso, a última, um
desastre; resolvi que preciso de objetivos pra minha vida não virar um caos
total, e taí, vou usar essa lista pra isso. meu novo
modus operandi tem sido “fazer coisinhas pra não enlouquecer
completamente”, e é nisso que eu vou focar. inclusive, já vou fazer limpeza
nos dentes e riscar um item essa semana, ó que beleza. como eu sempre digo por aí: faça listas,
gostoso demais!!!